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Posts Tagged ‘Zero Hora’

Tão definido esse jovem casal

 

 

“Um jovem casal liberal” é o oposto de um jovem casal realista?

Ou de um jovem casal monarquista?

Talvez de um jovem casal protecionista?

Quem sabe de um jovem casal conservador?

De um jovem casal estatista?

Ou de um jovem casal desenvolvimentista?

Ou anarquista?

Comunista?

Progressista?

Ou otimista?


As imagens foram surrupiadas da Zero Hora de 12 de setembro de 2012, caderno Casa&Cia.

 

 

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Déficit o quê mesmo?

Deixa ver se eu entendi… O governo Yeda não fez nada pelo RS, cortou investimentos, não fez concurso, ajudou a deteriorar os nossos serviços públicos, tudo em nome de um suposto déficit zero, e entregou o estado com uma dívida maior?

O que está escrito aí em cima:

Uma conta nefasta

Se nada mudar nos contratos de renegociação das dívidas dos Estados com a União, o Rio Grande do Sul seguirá cambaleando economicamente e, em 2028, ainda deverá o montante de R$ 26,4 bilhões ao Planalto.

A situação é alarmante porque em 1998, ano em que foram firmados os acordos, o passivo financiado pelo governo gaúcho era de R$ 11 bilhões. Mesmo pagando cerca de R$ 2,5 bilhões por ano ao governo federal, o Piratini viu a bola de neve aumentar devido à incidência de juros que retiram a capacidade de investimento e só fazem crescer a dívida. Essas informações constam no relatório final dos trabalhos da Comissão Especial da Dívida Pública, que será votado às 11h de amanhã, na Assembleia. Em tempos de queda da taxa Selic, os contratos se mostram um profundo contrassenso se considerarmos que o Estado precisa enviar aos cofres federais 13% da sua receita líquida real. O juro é de 6% ao ano, acrescido da correção do IGP-DI. Desde a renegociação, em 1998, o contribuinte gaúcho já bancou R$ 30 bilhões em pagamentos. O ano de 2011 foi fechado com um valor residual a ser quitado de R$ 38,7 bilhões. Estrangulado pela dívida, o governo estadual se torna um mero administrador de folha de pagamento. Esmagado pelo acordo, o Rio Grande do Sul não paga o piso dos professores, não investe os 12% previstos por lei em saúde, não soluciona o colapso do sistema prisional.

Os governadores que se sucedem têm, basicamente, três alternativas. A primeira é cruzar os braços e esperar o tempo passar. A segunda é apostar na austeridade, com cortes de gastos em todos os setores, promovendo alguma economia que possa se transformar em investimento. Esse foi o caminho seguido por Yeda Crusius. A terceira e última é a aquisição de empréstimos no BNDES e em organismos internacionais para investir em obras. Esse é o caminho seguido por Tarso Genro, que ainda tenta se livrar das amarras da burocracia para aplicar adequadamente os cerca de R$ 5 bilhões tomados em financiamentos.

É um escolha audaciosa, se propõe a aquecer a economia, mas também arriscada, pois eleva o endividamento em período de crise. O Piratini espera que os investimentos decorrentes dos empréstimos atraiam novos empreendimentos que incrementem a economia. Assim, poderão ser geradas mais riqueza e arrecadação, garantindo o pagamento dos financiamentos em longo prazo. Pode soar otimista demais, sobretudo em tempos de recessão e timidez do PIB. O fato é que já passou do momento de o governo federal repactuar os contratos e adotar juros compatíveis com a realidade. Os gaúchos seguem pagando uma dívida já quitada.

– Atualmente, o próprio governo federal disponibiliza financiamentos com pouco mais de 1% ao ano. Do jeito que estão os contratos, virou agiotagem, uma afronta ao pacto federativo – afirma o deputado estadual Giovani Feltes (PMDB), presidente da comissão.

Antes que os governos estaduais decretem falência, alguma coisa precisa mudar.

Mais uma daquelas tristes charges do Marco Aurélio

Eu nem queria escrever sobre a Zero Hora de novo, mas aí me deparo com isto e fico sem opção:

Se a crítica fosse ao governo, poderia até ser válida, dependendo de como fosse construída (embora eu não acredite muito que o Marco Aurélio consiga fazer uma crítica decente e ainda engraçada), mas desse jeito, tentando frustradamente ironizar a péssima colocação do estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) tendo como alvo os alunos, ela é só agressiva e descabida.

A história do humor crítico no Brasil é riquíssima, cheia de exemplos de como ser engraçado e contribuir para o fortalecimento da democracia a partir da provocação, do escárnio. É lindo quando esse espírito existe, em qualquer governo, em qualquer jornal, e a crítica pode ser bem contundente. Mas tem que saber fazer. Não dá pra basear a piada em preconceito e humilhação, coisa que só faz quem não sabe fazer. Não é a primeira vez que digo e repito: o principal chargista da RBS não serve pro metiê.

Quem é a oposição no RS?

Já que a Página 10 da Zero Hora anda triste com a incompetência da oposição ao governo gaúcho, decidiu assumir o papel ela mesma.

Colunista de Zero Hora já julgou o mensalão

Parece sutil, difícil de notar na leitura rápida, mas o discurso de Rosane Oliveira no julgamento do mensalão, ainda antes de ele começar, já carrega em si o julgamento da jornalista.

“Ao final, os ministros vão dizer ao país se é legal o partido que está no poder distribuir dinheiro a seus aliados, pagar prestadores de serviço no Exterior, com dinheiro de origem escusa, financiar a boa vida dos membros do próprio partido com recursos supostamente emprestados por bancos cujos administradores também estão no banco dos réus.”

Presta atenção, caro(a) leitor(a)! A construção da frase da jornalista, editora de política de Zero Hora, deixa em aberto apenas a dúvida sobre a legalidade dos atos, mas já fechou questão sobre se eles foram ou não realizados.

Toda a defesa dos réus é baseada na ideia de falta de provas dos supostos crimes, ou seja, de que eles podem não ter acontecido (pelo menos não todos e não do jeito que a imprensa pintou), mas, aparentemente, Rosane não precisa delas. A jornalista já decidiu que houve tudo aquilo que ela cita ali. E isso antes de o julgamento começar. E mesmo a tese do pagamento mensal em troca de votos já ter ido por água abaixo, já ter sido escancarado que isso foi uma invenção da imprensa.

Nem os ministros do STF, que já leram o gigantesco processo, devem chegar ao começo do julgamento com decisão tomada. Jornalista pode? E pode passar isso para o leitor como informação?

—–

Infelizmente, hoje não deu tempo de ler com atenção a pré-cobertura de outros veículos sobre o julgamento do mensalão. Só na Zero Hora tinha muito mais detalhes (daqueles que são pequenos, mas fazem toda a diferença) pra apontar, mas decidi não incomodar tanto o leitor e mostrar apenas aquilo que escancara a postura do jornal, de posição já tomada, a ser defendida com unhas e dentes ao longo de todo o processo. Vale acompanhar com os dois pés atrás.

Não-jornalismo a favor de Manuela, adivinha onde

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Qual é a intenção dessa nota “Dois corações”, da Carolina Bahia, na Zero Hora desta quarta-feira? Que sentido tem uma nota que não informa, que o leitor termina de ler se perguntando o que, quem, quando, onde, como? Ou seja, uma nota que não responde nenhuma das perguntas básicas que são a razão de existência do jornalista. Onde já se viu o leitor terminar de ler uma coisa que deveria ser jornalística curioso pela informação que a jornalista sugere mas que não está ali? Já vi fonte em off, mas a informação toda ser um grande off não é informação.

Vale pensar no que está por trás de passar pro leitor algumas frases sem conteúdo, apenas com insinuações. O que há de concreto ali é que, segundo Carolina Bahia, algum figurão do PT não apoia Adão Villaverde, o candidato do PT à Prefeitura de Porto Alegre, mas Manuela, do PCdoB. Por que se deduziu que ele apoia Manuela também não está dito, já que teoricamente a fonte da informação é a negação do tal ministro de gravar um vídeo de apoio a Villa, ou seja, poderia preferir qualquer outro candidato de qualquer outro partido ou simplesmente ser de outra tendência interna, ser personalista, não gostar do Villa. Enfim, trocentas possibilidades. Mas a não-informação foi construída convenientemente a favor de Manuela. Nada está claro ali, nada ali informa. Resta saber onde ficou o jornalismo.

Conservadora e contraditória

Sem citar nomes, o competentíssimo jornalista Marcos Rolim, histórico defensor dos direitos humanos, critica, em sua coluna semanal no diário que se esforça por (de)formar opiniões entre os leitores gaúchos, aqueles que apoiam o tal “Manifesto contra a descriminalização das drogas“, divulgado pelo Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política (!). Rolim atinge (sem querer?) o jornal em que publica sua crítica. E o faz com muita classe, é preciso dizer.

Nem dois dias antes (já que o jornal de domingo sai no sábado), na sexta-feira, Zero Hora dedicou seu editorial a reforçar a postura conservadora da empresa em relação aos grandes temas da sociedade, abordando a questão da descriminalizacao do usuário de drogas, que vem sendo discutida na proposta de reforma do nosso ultrapassado código penal. O grupo que assina o manifesto, liderado pelo deputado gaúcho Osmar Terra, não só é contra a descriminalização como também apoia um projeto de lei que coloca penas mais duras para traficantes e usuários.

Além de conservador, o jornal é contraditório. Sua argumentação é simplista, apontando um cenário de causa e consequência invariável, como se descriminalizar o uso de drogas aumentasse o consumo, que aumentaria a violência. Então apoia o documento assinado por setores conservadores da sociedade, incluindo políticos, Igreja etc. É do simplismo da argumentação, pouco embasada, que nasce a contradição.

O argumento mais usado é, ironicamente, o de que repressão não resolve, que é preciso investir na prevenção. Isso num editorial que nasceu com o objetivo de defender uma política repressiva, vai entender. Olha esse trecho:

“A alternativa para livrar mais pessoas da droga é a ênfase na prevenção, não na repressão, muito menos na prisão de usuários com profissionais do crime, num ambiente propício a condená-los a viver para sempre no mundo da violência.” Pois é, então descriminalizemos o usuário, certo? Mas o texto continua em outro tom. Uma confusão.

O jornal não foge dos lugares-comuns, justamente aqueles que Rolim desmonta dois dias depois, como o tão citado exemplo de Portugal, que os contrários à descriminalização insistem ter sido negativo. Rolim ataca no ponto sensível aos jornalistas, a falta de rigor dos fatos. Afinal, é raro, nesse contexto, a fonte da informação ser citada, como não o fez o jornal Zero Hora no tal editorial. E Rolim desmonta a argumentação. Cita fontes que mostram o contrário e que desmascaram a fraqueza dos argumentos.

Assim como Rolim, faço um apelo a que ampliemos o debate, não que o interditemos, como pretende o manifesto. Até a Zero Hora reconhece a inutilidade de se investir em repressão, embora o faça de forma meio torta.

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Ainda na Zero Hora de domingo…

Já nas páginas que tratam do julgamento do mensalão (esperado ansiosamente pela imprensa de um modo geral), o que fica mesmo é a grande quantidade de erros de português e frases mal-escritas. São cinco páginas logo no início do jornal (4 a 8) falando do tema.

Qual seria a intenção dos repórteres, por exemplo, ao dizer que “o caso chegou a suscitar o impeachment do presidente Lula”? Suscitar, do Houaiss: “ser a causa do aparecimento de; provocar, causar, originar”. Lula sofreu impeachment e não me contaram?

E quando está escrito que “o grupo teria alterado irregularmente a classificação de risco das mesmas”? Usar o “mesmo” como pronome pessoal já é naturalmente feio e errado. É o caso da placa no elevador, pedindo que verifiquemos se “o mesmo encontra-se parado no andar”. Imagina então quando não há referência nenhuma a algum sujeito feminino plural nas frases anteriores…

Há ainda frases enroladas, repetições de palavras, vírgulas fora de lugar etc.

E, pra completar, a tentativa de ironia no final do texto, na quarta página sobre o tema.

“- Tenham fé na Justiça – pediu Delúbio, aos camaradas.”

Delúbio é petista ou comunista?

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