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Porto Alegre precisa de planejamento, não só de “obra, obra, obra”

Já viu aquela propaganda que diz que o “Fortunati é um prefeito de obra, obra e obra”? Já pensou a respeito?

Governar não é simplesmente fazer obra, como quer fazer crer o atual prefeito de Porto Alegre e candidato à reeleição. Obra, na verdade, qualquer um faz.

Não é que não devamos fazê-las. Há muitas obras importantes, extremamente necessárias. Mas elas são consequência de um planejamento urbano, de pensar a cidade a longo prazo, em toda a sua complexidade. “Fazer obras” não é programa de governo. Simplesmente “fazer obras” não exige grande conhecimento sobre a cidade e não necessariamente traz resultados positivos pra sua população.

Elas têm que estar previstas em um programa de governo, mas não ser o seu centro. Fazer obras só pra fazer não significa nada. Temos que pensar em fazê-las para atingir algum objetivo, como diminuir as chances de alagamento, melhorar a mobilidade etc.

Porto Alegre, como qualquer cidade razoavelmente grande (se bem que mesmo as pequenas), precisa de planejamento urbano. Precisa de gestão. Só assim é possível de fato transformar a vida das pessoas. É entendendo a cidade em toda a sua complexidade e agindo de forma integrada entre todas as áreas e de olho no futuro não tão próximo que poderemos fazer obras realmente eficientes. E isso sim é difícil. No meio desse caminho, obras serão feitas, inevitavelmente. Mas obras dentro de um contexto, previstas em um planejamento urbanístico racional.

Muitas obras, aliás, são até um problema para a população. Trazem mais transtornos do que benefícios. Podem desumanizar uma região, por exemplo. Prejudicar o convívio social e causar empecilhos para o desenvolvimento de uma cidade com mais qualidade de vida. Então, chegar cavando buraco só pra não deixar como está pode ser bem ruim, além de um desperdício enorme de dinheiro (conhecem a história da obra com uma máquina subterrânea que destruiu casas no bairro Cristal e que segue sem solução?)

Com tudo isso, não quero dizer que obra não seja importante. Mas ela não pode ser tratada como o elemento central de um governo. Ela é extremamente válida quando se integra nesse planejamento urbano, quando faz parte de um projeto de desenvolvimento pensado para melhorar a vida do cidadão.

Porto Alegre precisa ser olhada como um ser orgânico, em que todas as suas partes interagem. A partir disso, é preciso que se preveja o futuro da sociedade, com bases em pesquisas e estudos. Depois, tem que se fazer um planejamento. Avaliar como aquele todo pode interagir de forma mais saudável, respeitando os seus cidadãos e valorizando-os.

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Campanha de rádio e TV mal começa e já rola falcatrua

A lei manda que os meios de comunicação deem tratamento igual para todosos candidatos em qualquer eleição. Para isso, há diversas restrições a publicações durante o período eleitoral, que às vezes até podem prejudicar o trabalho jornalístico, mas isso não é assim por acaso. A gente sabe que muitos deles (pra não dizer quase todos) privilegiariam um dos concorrentes, de forma mais escancarada ou mais disfarçada.

E é para isso também que existe o horário eleitoral, que se diz gratuito, mas embute uma enorme isenção de impostos para todas as empresas que o veiculam, que são todas as emissoras de rádio e TV abertas, obrigatoriamente. Mas não é disso que eu quero falar. O fato é que nesta quinta de manhã, terceiro dia de campanha no rádio e na TV, as emissoras de rádio não passaram o programa do candidato à Prefeitura de Porto Alegre pelo PT, Adão Villaverde, de manhã cedo, e só não aconteceu o mesmo com a TV porque a coordenação de campanha do candidato foi correndo atrás e conseguiu reverter a situação (a campanha vai ao ar de manhã e no horário do almoço no rádio e, na TV, às 13h e à noite). Por incrível que possa parecer, a responsável por gerar o horário eleitoral gratuito no município é a RBS.

Houve todo um imbróglio ontem porque uma determinação judicial, a pedido do candidato José Fortunati, fez com que as candidaturas de Villa e Manuela D’Ávila tivessem que reenviar seus programas, porque os candidatos da proporcional não poderiam pedir voto pra majoritária. O prazo para entregar as propagandas (22h de ontem) foi cumprido, segundo o coordenador da campanha, Gerson Almeida, como cansamos de ver nas redes sociais ao longo do dia. Uma nota assinada por ele falava em perplexidade e indignação. À tarde, a assessoria da RBS disse ao Sul21 que havia ocorrido um erro técnico. O engraçado é que erraram só em uma propaganda…

E, como bem disse o coordenador de comunicação da campanha da Frente Popular, Antonio Castro, ao portal Terra é função da Justiça decidir se há alguma irregularidade em qualquer propaganda, não cabendo à emissora fazer qualquer julgamento.

A Justiça Eleitoral acolheu a representação feita pelo PT, e as emissoras vão ter que exibir o programa que teria ido ao ar hoje no sábado, dia 25, depois do horário eleitoral. Horário bem esdrúxulo, de muito menor audiência do que numa quinta-feira, mas vá lá. Vale mesmo é o reconhecimento de que o “erro” foi cometido pela emissora e não pela coordenação da campanha, explicitando as intenções de todos os envolvidos na história.

Essa falcatrua não vai decidir a eleição (ainda bem!), mas é uma boa mostra do que vem pela frente. O jogo eleitoral nunca é fácil, tem enormes problemas (e pra isso a gente precisa de uma reforma política urgente), que já fazem com que ele não seja necessariamente justo, mas ele pode ser mais ou menos sujo. A última eleição presidencial foi das mais imundas que já se viu, com o candidato de oposição pegando bem pesado, com o apoio maciço da grande mídia. Agora a eleição é municipal, bem menor, mas muito importante – eu diria fundamental! E no terceiro dia já rola puxada de tapete. Atentemos.

Porto Alegre precisa de mais espaços públicos de convivência

Soube essa semana da intenção da Prefeitura de transformar parte da praça em frente ao Gasômetro em estacionamento. Descobri que faz parte da obra de revitalização prevista para o local. Foi assim que fiquei sabendo que fazer estacionamento significa revitalizar, para a administração municipal (a foto aí do lado é de divulgação da tal revitalização, sem mostrar a parte onde vão ficar os carros).

Eu fico realmente triste com esse tipo de notícia, porque ela nos faz constatar na prática a inversão de valores que já se dá em tantas questões do nosso cotidiano coletivo. Coletivo, mas não comunitário. E é justamente essa a questão.

Uma vez conversei com o geólogo Rualdo Menegat (infelizmente não encontrei a entrevista, que foi publicada no Sul21 em junho de 2010, mas vou achar o arquivo e republicar aqui nos próximos dias) e ele me falou muito da importância de retomar a vida em comunidade, de a gente reaprender a conviver, de sentar na calçada, conversar com o vizinho, fazer composteira no condomínio. Um monte de coisas bacanas, que não são nada utópicas e contribuiriam enormemente pra gente enxergar um pouco mais o outro e ter uma vida mais leve, menos egoísta. Fazer da experiência de viver um negócio bom, prazeroso.

E isso significa andar mais a pé, deixar o carro um pouco de lado, usar as praças, apropriar-se coletivamente dos espaços públicos. Usá-los, usufrui-los.

O que a Prefeitura faz é exatamente o contrário. Ela fecha espaços de convivência e aumenta a área destinada aos carros. Quanto mais automóveis nas ruas, menos gente a pé, menos prazer de andar a pé. Menos vida nos espaços públicos. Foi assim que o largo Glênio Peres virou um estacionamento depois das 18h e que várias ruas do Centro antes destinadas a pedestres viraram trafegáveis (aumentando o caos para quem circula por ali).

O que falta em Porto Alegre são justamente espaços de convivência decentes, pra retomar uma vida mais comunitária, mais saudável, em que as pessoas conversem, se conheçam. Do jeito que vai, cada dia mais a gente vai ficar dentro dos nossos micro-espaços, isolados. Saio do meu apartamento, entro no meu carro, vou até o shopping (onde eu não converso, porque não vou lá pra passear, vou pra comprar), volto pro meu carro e me fecho de novo no meu apartamento. É óbvio que essa é uma caricatura exagerada, mas parem pra pensar em quanto a gente tinha de convivência antes e quanto a gente tem agora. Minha vó conhecia os vizinhos da rua inteira!

(Não odeio carros, viu. Acho que eles são super úteis, mas que não servem pra ir comprar pão na esquina e que não são legais quando a regra é ter uma pessoa dentro de cada carro pra ir de um lugar a outro no dia-a-dia. Há exceções, óbvio, mas falo em linhas gerais.)

Mas voltando pra questão da cidade, a gente precisa priorizar alternativas de convivência. E isso passa por investir em praças e parques, iluminação pública (voltada para as calçadas), bicicletários e ciclovias, cultura popular etc.

Em vez de preservar, promover espaços de convivência, cuidar do que é público, o que vem acontecendo é que a Prefeitura deixa degradar os nossos espaços para vir com o argumento de que como está não dá pra ficar, daí empurra qualquer solução pra cima do povo. Foi o que tentaram fazer no Pontal do Estaleiro, por exemplo.

É uma política invertida, toda errada, que privilegia no curto prazo uma parcela pequena da população. Mas que no final, na verdade, acaba prejudicando todo o mundo, na medida que essa visão de sociedade excludente não faz bem pra ninguém.

Não-jornalismo a favor de Manuela, adivinha onde

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Qual é a intenção dessa nota “Dois corações”, da Carolina Bahia, na Zero Hora desta quarta-feira? Que sentido tem uma nota que não informa, que o leitor termina de ler se perguntando o que, quem, quando, onde, como? Ou seja, uma nota que não responde nenhuma das perguntas básicas que são a razão de existência do jornalista. Onde já se viu o leitor terminar de ler uma coisa que deveria ser jornalística curioso pela informação que a jornalista sugere mas que não está ali? Já vi fonte em off, mas a informação toda ser um grande off não é informação.

Vale pensar no que está por trás de passar pro leitor algumas frases sem conteúdo, apenas com insinuações. O que há de concreto ali é que, segundo Carolina Bahia, algum figurão do PT não apoia Adão Villaverde, o candidato do PT à Prefeitura de Porto Alegre, mas Manuela, do PCdoB. Por que se deduziu que ele apoia Manuela também não está dito, já que teoricamente a fonte da informação é a negação do tal ministro de gravar um vídeo de apoio a Villa, ou seja, poderia preferir qualquer outro candidato de qualquer outro partido ou simplesmente ser de outra tendência interna, ser personalista, não gostar do Villa. Enfim, trocentas possibilidades. Mas a não-informação foi construída convenientemente a favor de Manuela. Nada está claro ali, nada ali informa. Resta saber onde ficou o jornalismo.

O município e a escolha de prioridades

Faz pouco tempo que me convenci de que a política municipal é a mais importante para a transformação de uma sociedade. Tem a ver com aquela frase do Franco Montoro que diz que “Ninguém vive na União ou no Estado. As pessoas vivem no Município”, mas não só por causa do espaço geográfico – e tenho certeza que a frase tinha uma conotação mais ampla. O município desempenha um papel fundamental porque são as ações de sua responsabilidade que de fato podem mudar a cabeça, os hábitos e as perspectivas dos cidadãos.

Claro, o papel dos estados e da União é extremamente importante na mudança de uma sociedade, principalmente porque são eles que respondem direta e indiretamente por boa parte da renda da população e que definem os rumos da economia. Foi a política nacional que proporcionou uma vida melhor, tirando da pobreza e fornecendo alternativas de educação e emprego, a milhões de pessoas. Foi ela também que deu ao Brasil protagonismo nas relações internacionais, por exemplo.

Mas é no município que se dão as transformações pequenas do dia-a-dia, justamente aquelas que mudam mais profundamente corações e mentes.

Percebi isso mais claramente assistindo ao programa Londres Assim, um dos vários sobre a capital britânica nesse período de Olímpiadas, no GNT. Hoje, segundo o programa, 95% dos habitantes da cidade vão trabalhar de transporte coletivo, de bicicleta ou a pé. Incrivelmente, há menos carros circulando pelas ruas de Londres hoje do que há 10 anos. E isso não é assim por acaso, e aí entra o ponto que me deu o clique.

Há cerca de 40 anos, foi proibida a construção de estacionamentos em edifícios comerciais. O metrô, isso é fato mais conhecido, é o mais antigo do mundo, e funciona tremendamente bem. As linhas de ônibus são muitas e muito frequentes, além de muito bem sinalizadas (sem falar que boa parte da frota é ecológica). Entrar de carro na área central exige o pagamento de um pedágio bem carinho. E, muito importante, o cidadão londrino respeita o ciclista. A cidade é cheia de ciclovias e toda sinalizada para o uso de bicicletas. Aquelas alugáveis estão espalhadas por toda a área central.

Nada é muito barato. Nem ônibus, nem metrô, nem alugar bicicleta. Mas mais caro ainda é pagar para ter carro, já que ele não é prioridade na cidade. Estacionar é superdifícil, o trânsito é lento, ir de um canto a outro de carro demora mais do que de metrô e, muitas vezes, mais do que de bici.

Ainda assim, mesmo o transporte individual não sendo prioridade, o trânsito consegue ser caótico em determinados pontos e horários. Imagina se o número de veículos tivesse aumentado. Como seria a vida da cidade? Como estaria a qualidade de vida de seus cidadãos?

Agora imagina isso em Porto Alegre.

Incentivar o uso da bicicleta não é uma excentricidade defendida por gente alternativa. É uma opção de modelo de cidade. Que funciona, até na fria e chuvosa Londres. Optar por qual cidade queremos é optar pela nossa qualidade de vida.

E o transporte é só o tema que me toca mais, mas há muitos outros. A importância da política municipal está justamente no estabelecimento de prioridades sociais. A existência de espaços públicos de convívio social é outra questão importantíssima, por exemplo. É uma questão urbanística, mas que tem impacto em diversas áreas, já que incentiva a vida em comunidade, humaniza as pessoas, proporciona espaços de convívio. E reflete em uma cidade mais saudável e uma sociedade mais feliz.

Porto Alegre e as opções para outubro

O Rio Grande do Sul, estamos cansados de saber, é um universo à parte na política partidária (e em que tantas outras coisas, diga-se!). Aqui, PT e PMDB são adversários ferrenhos. PMDB é sabonete, como no resto do Brasil, mas muito mais identificado com a direita do que em nível nacional, em que tem mais facilidade de transitar pelas diferentes esferas.

Mas há anos o PDT de Brizola anda de mãos dadas com esse PMDB, que agora já confirmou apoio ao candidato trabalhista (sic), José Fortunati, que assumiu o paço quando o peemedebista Fogaça pulou fora pra se candidatar (e sequer ir ao segundo turno, caindo no ostracismo prematuramente) ao governo do estado. Fortunati não só apoiou o retrocesso promovido por Fogaça (formando a queridíssima dupla Fo-Fo) como o aprofundou quando assumiu o barco. Porto Alegre, hoje, não tem mais o protagonismo que tinha no cenário mundial em termos de cidadania e participação popular. E pior, a capital dos gaúchos malemal mantém serviços básicos, totalmente defasados.

Brizola revira-se, coitado!

Enquanto isso, a comunista Manuela D’Ávila corteja o Partido Progressista de Ana Amélia, a senadora da RBS. Se vai levar ou não, ainda não sabemos (embora o PP esteja dividido, a tendência é que indique, sim, o vice na chapa com o PCdoB). O que importa, na verdade, é que os comunistas querem muito dar as mãos à ex-Arena. Tudo isso enquanto vangloria-se da história de 90 anos do Partido Comunista.

Diante da incoerência, quem se revira, agora, é Luis Carlos Prestes e todos os outros tantos líderes do partido (muitos mais do que no PDT de Brizola), muitos dos quais morreram nas mãos da Arena.

E são essas duas coligações esdrúxulas que aparecem na ponta das pesquisas eleitorais. Amarguemos, pois.

Sobre a coligação comunistas-Arena, deixo-vos com Latuff, bastante mais claro e contundente que eu:

Porto Alegre não tem alternativa decente de transporte

A situação dos porto-alegrenses anda complicada. Sem alternativa mesmo. Este post é para ele(a)s.

Se o cara tem carro, além de ficar preso no trânsito em alguns pontos e horários críticos, ele também tem que conviver com o local em que o grau de competitividade das pessoas está mais exacerbado. É quase um risco de vida, ou por tiro de algum maluco que não conseguiu te ultrapassar ou por infarto.

Mas estou fugindo do assunto. O problema é que, se a pessoa não quer passar por isso e/ou não tem grana para ter carro, ela também está com problemas, e ainda piores. Ciclistas estão tendo que forçar um espaço que a cidade não dá para eles. A Prefeitura não tem planejamento cicloviário de longo prazo, e os motoristas, de um modo geral, ainda não aprenderam que quem está em cima da bicicleta é tão cidadão quanto o que está dentro do carro, só que mais indefeso. Não te esqueças daquilo que eu disse: a competitividade multiplica no trânsito.

Sobra, então, o transporte público, que foi justamente o que me levou a escrever agora. Piada, infelizmente. Juro, além de irritada, fico triste cada vez que vou pegar ônibus. Triste por lembrar de como era no passado, de que não tanto tempo atrás Porto Alegre era referência nesse quesito, de que eu tinha orgulho de dizer que o transporte aqui era bom, que a gente não precisava ter carro, porque o ônibus dava conta e sobrava até. Agora, não.

O T5 é o ônibus que eu pego com mais frequência, e também o que eu pegava para ir pra faculdade, de 2005 a 2009, o que me dá certo parâmetro de comparação. Inegavelmente, ele foi piorando com o passar dos tempos e, nas últimas semanas – depois dos seis meses que eu passei fora da cidade, mais os outros em que eu não fazia esse trajeto –, o impacto foi gigante. No dia do temporal, esperei meia hora na parada e fiquei mais meia hora dentro do ônibus para fazer um trajeto que antes era cumprido em dez, no máximo 15 minutos. Mas ok, naquele dia a cidade parou, não vale.

Então, peguemos um dia normal. Não foi um ou dois em que esperei mais de dez minutos em horário de pico. Não fiz o registro de todos, porque, afinal, eu era só uma passageira irritada, que não pensa em documentar ou reclamar, porque sabe que não adianta. Mas quarta-feira passada, dia 21, eu cheguei na parada às 8h30min, bem na hora em que o André Machado dava a hora na Gaúcha, que eu ouvia pelo fone e que me permitiu gravar os detalhes. O T5 chegou às 8h49min. Ou seja, o intervalo entre um ônibus e outro foi de, no mínimo, 19 minutos. Perguntei pra cobradora qual o intervalo médio para o horário. Uns 9 minutos, achava. Fui conferir: é de 7. Oito minutos é o tempo máximo de espera para o horário, segundo o site da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).

Dois dias depois, me chegou a notícia de que a Prefeitura estava comprando 27 novos ônibus para a frota de Porto Alegre. Passada a alegria inicial, murchei. Oito deles vão ser articulados – qualquer um que já pegou um minhocão sabe o quanto eles são desconfortáveis – e só 17 têm ar condicionado. Faz anos, desde quando ainda era governada pelo PT, que a Prefeitura diz que logo logo a frota inteira vai contar com o que, em Porto Alegre, não é comodidade, mas necessidade no verão. E foi num daqueles dias insuportavelmente quentes que peguei um (dos vários que pegaria depois) T2 sem ar condicionado, quase passei mal e, no meio do caminho, passei por um grupo de passageiros que esperavam no sol pela reposição do T4 que quebrara na Terceira Perimetral.

Corrigir esse problemão agora não é fácil. Seria bem mais tranquilo ter investido para manter o alto padrão que tínhamos, mas agora já era.

Quer dizer, o transporte público não só não melhorou como piorou. Mas, mesmo assim, soube encarecer. O que me lembra, aliás, que não falei sobre as lotações. E nem vou falar, simplesmente porque nunca mais peguei uma e não sei se estão cumprindo seus horários, se o conforto está ok e tudo o mais. Não importa tanto, afinal, estão impagáveis nos seus quatro reais.

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