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Posts Tagged ‘Olívio Dutra’

A diferença de um projeto popular

Hoje faltam cinco dias para o primeiro turno das eleições municipais de 2012. Falta pouco tempo para elegermos nossos futuros prefeitos e prefeitas, mas antes precisamos apontar algumas questões.

A essa altura do campeonato, não se pode dizer que os candidatos mais bem colocados, acredito que em todas as grandes cidades do Brasil, tenham  diferenças radicais. Sua candidatura está sujeita às regras do jogo político que está colocado, e eles só chegaram a uma boa posição nas pesquisas se submetendo a questões como financiamento privado de campanha, alianças etc.

Embora estejam todos presos ao mesmo jogo e acabem adotando posturas semelhantes em muitos casos, há, sim, diferenças fundamentais. Diferenças de projeto político. E aí foco em Porto Alegre, que é onde moro, onde voto e de onde me sinto apta a falar.

Vou retomar um período meio antigo, que muita gente já cansou de ouvir falar, para ilustrar essas diferenças. Porto Alegre teve 16 anos de administração popular, de prefeitos petistas. Popular. Do povo. Não só porque visava aos interesses do povo, mas porque era feita por ele. Trabalhadores na Prefeitura.

Nesses 16 anos, a vida melhorou no cotidiano do porto-alegrense. O transporte público era referência, os parques eram valorizados, a cidade foi pioneira na coleta seletiva. Mas, acima de tudo, a administração foi extremamente ousada e colocou o cidadão no centro do debate da cidade. Ele passou a dizer onde a comunidade estava precisando de investimento, como investir o orçamento. Não só opinar, mas decidir. O Orçamento Participativo já parece tema vencido, mas é importante citá-lo porque ele é sintomático desse projeto político de que eu falava mais acima.

Foi esse Orçamento Participativo, além da forma de lidar com o bem público e com a condução da administração da cidade, que chamaram a atenção de gente de vários lugares do mundo. O Fórum Social Mundial foi consequência de uma política diferente feita aqui, que experimentava uma relação nova com a cidade. Que democratizava a democracia. Movimentos sociais do mundo inteiro se reuniram então em Porto Alegre. Usavam do exemplo daqui para dizer que um outro mundo era possível, sim.

O projeto se desgastou e parou de trazer novidades. Somado a isso e a erros políticos, uma campanha insistente e sistemática dos meios de comunicação contra o Partido dos Trabalhadores e os principais movimentos sociais (só o PT tem antipetismo!) acabou por tirar esse projeto político da Prefeitura, substituindo-o por um modo mais tradicional de fazer política, em que o prefeito é eleito pelo povo, mas administra sem ele.

Nesse meio tradicional, aqui ou em qualquer lugar, pode até acontecer de ser eleito um cara competente, bem intencionado. Mas aí entra a diferença na forma como lida com a coisa pública e como enxerga a sociedade, especialmente no âmbito municipal. Se ele não enxerga o protagonismo em cada cidadão, ele limita sua capacidade de agir, de transformar a realidade de verdade.

Em Porto Alegre, os governos do PT foram substituídos por uma parceria assim tradicional, mas não necessariamente tão bem intencionada. A dupla Fogaça-Fortunati responde por inúmeros retrocessos, que começam por tirar força do OP e continuam em uma gestão medíocre da cidade. A dupla Fo-Fo não melhorou a sinalização, piorou o transporte público (a Carris está quebrada), ajudou a aumentar a sensação de insegurança, praticamente acabou com a coleta seletiva (o lixo se espalha pelas ruas), reduziu a importância da cultura…

Esse projeto de que falo é o mesmo que, em nível nacional, transformou o país, como todos já estamos cansados de saber e viver.

Público x Privado

Observando especialmente o perfil de José Fortunati, que as pesquisas indicam ser o vencedor das eleições, notamos uma diferença bem grande. Ainda que o prefeito não tenha privatizado empresas públicas, como fez o projeto neoliberal que se opõe ao projeto dos governos Lula-Dilma, ele fez concessões que retiram espaços públicos de quem é de direito, dos cidadãos de Porto Alegre, que privatizam esses espaços. A parceria público-privada com a Opus pode ter deixado o Araújo Vianna um baita espaço pra shows, mas agora sua utilização não visa mais o interesse público. Afinal, esse é o papel da administração municipal, mas não da empresa privada. Resumindo, as atrações que ocorrerem ali terão o preço colocado de forma a dar lucro à empresa. O cidadão não vai mais ter acesso à cultura como um direito, vai estar submetido aos interesses do mercado, que sempre privilegiam a elite.

Da mesma forma, o Largo Glênio Peres, cujo episódio do chafariz no comício de Adão Villaverde ficou emblemático. E é a mesma mentalidade que privilegia o carro ao transporte público, que governa para quem não precisa da mão do Estado.

A cidade é onde a vida acontece. A administração municipal influencia no dia-a-dia do cidadão e que afeta sua qualidade de vida. Por isso, ela precisa ser executada voltada para ele, para as necessidades de sua população.

Eu não voto em candidato, eu voto em partido, voto em projeto. E voto no único partido que tem projeto para toda a sua população, que privilegie os que mais precisam. Voto no único partido dos trabalhadores.

Parabéns, Olívio

Muito orgulho de comemorar os 70 anos de uma figura que já entrou pra história e honrou cada dia de cada década vivida.

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Olívio é presidente de honra do PT-RS

Em grande parte dos casos em que um grupo grande de pessoas em um sistema democrático escolhe uma liderança, ela vem através de uma disputa e se legitima pelo voto. É escolhida para tomar as rédeas e definir a política e os rumos do grupo. Em muito poucas situações, a unanimidade reconhece na trajetória de alguém a necessidade de afirmá-la pelo tanto que já realizou e pela sua representatividade.

Hoje o diretório estadual do PT definiu Olívio Dutra como presidente de honra do PT gaúcho. Às vésperas de completar 70 anos, Olívio é daquelas figuras inquestionáveis, que ninguém duvida da representatividade. Que pode não presidir na prática o partido, mas que merece o posto de honra pelo tanto que já fez e pelo que significa. E, também, pelo muito que ainda faz, pelo que constroi, interna e externamente, e pela importância da sua opinião na definição dos rumos do PT no estado, pelo que ainda constroi constantemente a partir do PT, mirando o povo gaúcho.

Assim como Lula no plano nacional, ninguém duvida que o presidente de honra do PT aqui deve ser Olívio. Pode-se concordar ou não com ele, não tem problema. A divergência enriquece o debate. Mas o fato de ser tão óbvio que só ele pode ocupar este posto é que o legitima.

Meus mais sinceros parabéns a Olívio Dutra, um homem de luta, extremamente íntegro na sua postura e nas suas ideias. Pelo que ele fez, pelo que ele representa e pelo que ele ainda constroi dentro e fora do PT.

Fotos: Em 2010, aos 69 anos, na campanha de Tarso governador. E com Sergio Buarque de Hollanda e Lula, na fundação do PT, em 1980.

13 motivos para votar em Ivar Pavan para deputado federal

Zero Hora esquece o bairrismo quando convém

Vi a capa da Zero Hora de domingo, que estampava bem grande a manchete “Espionagem eleitoral” e cheguei a acreditar que se tratava do caso gaúcho, em que um sargento da Brigada Militar, quando lotado na Casa Militar usava senhas da Secretaria de Segurança para obter informações sobre adversários da governadora Yeda Crusius (PSDB). Afinal, a Zero Hora é orgulhosamente o “jornal dos gaúchos”, foca sempre nos fatos locais e esse episódio era bastante recente. Além disso, no caso em questão, a ligação do sargento com o governo tucano era evidente.

Durou poucos segundos meu pensamento. Ele voou longe quando li as linhas menores, que diziam “Como o vazamento da Receita impacta no Planalto e na campanha de Serra”. Fora o sem-sentido de sugerir um impacto, palavra forte e que mostra não se concretizar, esse já era um assunto anterior, antigo para os padrões jornalísticos, se comparado à atualíssima espionagem gaúcha.

Mas, antes de primar pelo “que é nosso”, que norteia a atuação do jornal, vem a adoção do “dois pesos e duas medidas” na cobertura política. Quando convém, fala-se do Rio Grande do Sul. Quando não convém, há sempre coisas mais importantes acontecendo em Brasília.

O silêncio na mídia gaúcha é ensurdecedor.

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Façamos então um exercício de imaginação. É fácil. Fecha os olhos, respira fundo e acompanha. Estamos voltando ao ano 2002. Olívio Dutra é o governador do RS, primeiro petista a assumir o posto. O candidato do partido ao governo gaúcho é Tarso Genro. Principais opositores, Antônio Britto (PPS) e Germano Rigotto (PMDB). Descobre-se que um segurança de Olívio espionava adversários e cobrava propinas de donos de bingos. Prendem esse segurança.

O estado vira um caos. Não se fala em outra coisa, é capa de todos os jornais e é declarada a falta de legitimidade do PT para governar o RS e, principalmente, para concorrer nas eleições que se avizinham.

P.S.: Dá pra fazer esse mesmo exercício trocando algumas palavras: 2002 por 2010; Olívio Dutra por Lula; governador do RS por presidente do Brasil; Tarso Genro por Dilma Rousseff; e Antônio Britto e Germano Rigotto por José Serra. Funciona que é uma beleza.

Olívio e sua visão serena da política

Em entrevista ao Sul 21, Olívio Dutra fala do governo Lula, do projeto do PT, do governo do estado, da mídia. Quando foi governador, baseou a política em uma inversão de prioridades com relação ao modelo histórico de governo no RS. Aqui, um pequeno trecho. O resto no destaque de hoje do Sul 21.

“Temos que saber dialogar com os diferentes. A esquerda não é unipartidária, nunca defendemos a ideia do partido único. O limite para as alianças são os programas, a relação com a coisa pública, a visão republicana radical. A coisa pública não é propriedade dos governantes e seus amigos e muito menos dos mais influentes. Temos que representar os interesses públicos e quem estiver centrado nesta ideia já tem proximidade conosco. Quem respeita os movimentos sociais, como sujeitos no processo de mudanças e vê a questão social como um instrumento de política e não de repressão também se aproxima com nossos princípios. Os eixos do desenvolvimento sustentável, políticas públicas para o meio ambiente e cultura também são importantes. Construir programas nestes eixos pode selar coalizões com partidos diferentes.”

Mais um trechinho:

“A mídia não é um ente acima de tudo e de todos. A mídia é um dado da realidade e parte dela está vinculada a interesses econômicos poderosos, afinal são empresas. Fazem negócios com as notícias e escolhem, analisam quais os governos que facilitam para elas esta relação comercial. Bueno. Para essa parte da mídia não interessava um governo como o nosso, que entendia que o dinheiro público não era para facilitar negócios privados, era para qualificar a vida da maioria da população. Nós reduzimos os recursos para publicidade e entramos em choque com estes grupos. Depois, também com a renúncia fiscal, que sustentava esta parte da mídia que vivia de contas de publicidade altíssimas motivou-a a agir de forma ideológica, defendendo os seus interesses.”

Por que votar em Tarso para o governo do RS

Os motivos de votar em Tarso não estão muito distantes dos de votar em Dilma. Têm a ver com a coerência, a ética e acima de tudo com uma política voltada para a cidadania. A diferença principal é que aqui Tarso Genro não representa a continuidade de um projeto. Muito pelo contrário, o atual governo do RS afunda o nosso estado a cada dia, com uma política neoliberal, que retira investimentos das políticas públicas, dos órgãos do estado. Foi assim que Yeda criou o falso déficit zero, conseguido às custas de prejudicar o atendimento à população em serviços básicos, como saúde e educação.

As pesquisas mostram que Tarso ganha de Fogaça (PMDB) com larga vantagem na capital. Ambos foram prefeitos de Porto Alegre, o que faz com que o resultado tenha muito significado. Tarso foi ministro do governo Lula em três pastas diferentes, Educação, Relações Institucionais e Justiça. Dois grandes projetos que tomaram corpo sob sua responsabilidade se destacam, o Programa Universidade Para Todos (ProUni) e o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), com a implantação de Territórios de Paz. O detalhe pode parecer singelo, mas esse “com Cidadania” do nome do programa faz toda a diferença. Não é um programa qualquer de repressão à violência, é uma política de governo voltada para a melhoria da qualidade de vida proporcionando mais segurança.

Eleger Tarso significa redemocratizar o estado. Seu programa de governo prevê a utilização dos meios já tradicionais de participação, muitos deles criados pelo PT e praticamente desativados nos governos seguintes, como o Orçamento Participativo. Mas abrange também, de forma ampla, os meios digitais como ferramentas para proporcionar a participação e a transparência.

Tarso governador é voltar a investir os 12% constitucionais na saúde, por exemplo, com uma política inteligente de prevenção e regionalização do atendimento. É devolver aos gaúchos a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), criada pelo governo Olívio Dutra e sistematicamente sucateada durante os governos Rigotto e Yeda. É proporcionar uma educação democrática e humanizada, com valorização dos professores, para reverter o desmonte que o descaso atual causou. É investir em infraestrutura, distribuir renda, promover a agricultura familiar. Enfim, é inverter a lógica e voltar a investir no Rio Grande para que, com participação popular, seja possível atender as demandas dos gaúchos.

Seja possível olhar de fato para os gaúchos. Porque o grande diferencial está na vontade de melhorar a vida de cada cidadão, através de políticas de governo que se transformem em políticas de Estado. Que se consolidem e persistam.

Eleger Tarso é fundamental para dar alguma esperança de o Rio Grande do Sul voltar a crescer, consoante com o resto do Brasil. Durante o governo Olívio, de 1999 a 2002, a oposição foi intensa, as dificuldades de aprovação de cada projeto eram enormes. Ainda assim, o estado cresceu, se desenvolveu gerando qualidade de vida e tornando a população mais igual. Depois disso, tentou-se de toda forma destruir aquelas conquistas que não traziam lucro imediato para o RS. A UERGS, por exemplo, traz, a curto prazo, mais prejuízo. Mas, pensando no futuro, ela é uma baita oportunidade de promover o desenvolvimento regional, formando jovens especializados nas potencialidades de cada região do estado, sem precisar ir muito longe de casa. É bom para o jovem, para a família, para a comunidade e para a economia do estado.

É essa visão integrada e de futuro que faz com que Tarso Genro precise ser eleito governador do Rio Grande do Sul. É por isso que meu voto é dele.

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