Arquivo

Posts Tagged ‘Inter’

Futebol quebra a indiferença cotidiana

Merecia um estudo antropológico a forma com que as pessoas lidam com futebol. Não falo nessa coisa de ver os caras correndo atrás da bola, da torcida maluca no campo de futebol, da paixão pelo time, nada dessas coisas. Mas da sensação de pertencimento a um grupo que o futebol carrega consigo.

Quando visto minha camisa do Inter, a relação das pessoas na rua muda. A indiferença costumeira cede espaço a uma camaradagem inusitada. Especialmente em dia de grandes eventos, a comoção aumenta, a troca se dá de forma mais intensa e frequente. Ontem (18) o Inter jogava a final da Libertadores em Porto Alegre. Já de manhã cedo, vestindo a camisa do time, conversei com uma série de desconhecidos, pessoas buzinavam de seus carros, me jogavam palavras de apoio. De forma meio involuntária, eu fazia parte de uma irmandade quase.

É engraçado. O mesmo cara que um dia te xinga quando te vê atravessando a rua na faixa de pedestres na hora que ele queria passar com seu carro, no dia seguinte se torna teu melhor amigo na torcida pelo mesmo time.

O isolamento que as pessoas se impõem cotidianamente sufoca. São esses momentos de festa comum, de identificação, que as salvam um pouco de serem sempre sós. Nesses momentos elas se permitem ser mais felizes, mais humanas. Aproximam-se das outras pessoas do mundo. Conversam com desconhecidos. Sociabilizam. Rompem as barreiras da solidão.

É bonito. Pena que acontece tão pouco. De repente seria interessante se deixar tocar pelo espírito de comunidade com mais frequência. Apenas um sorriso sem motivo de vez em quando já cairia bem.

Anúncios

Saudações coloradas

Peço licença, mas hoje não vou falar de política, jornalismo ou nada do gênero. Desculpa, é que hoje meu colorado é bicampeão da América, sacomé.

Blog do Zini distorce informação sobre volta de Nilmar

Olha como as palavras enganam. Li na capa da zerohora.com que Nilmar voltaria ao Brasil em cinco anos. Dizia assim, exatamente: Exclusivo: Nilmar volta em cinco anos, linkando para o Blog do Zini. Ainda pensei que pff, grande coisa, daqui a cinco anos vai saber o que acontece. Mas entrei pra ler a tal entrevista. Lá, Nilmar diz:

“Quanto ao tempo de permanência no futebol europeu, é difícil saber, antecipar. Minha vontade é de ficar, no mínimo, cinco anos, na Europa. Mas sabe como é que é, né, Zini. Fica difícil falar do futuro. Não posso antecipar nada.”


Ou seja, não é certo que Nilmar volta em cinco anos, ele não diz isso. Em nenhum lugar da entrevista ele afirma que estará no Brasil daqui a cinco anos. Ele fala que não volta antes de meia década, o que é bem diferente. O que não permite a afirmação que Zini coloca no título, claramente para atrair leitores desavisados, causando confusão. Irresponsabilidade, é como se chama isso.

Inter é o mais popular dos brasileiros na Libertadores

E no fim das contas, apesar de o ingresso ser muito caro para os bolsos brasileiros, o Inter ainda é o time – ou um dos times – mais popular, pelo menos nos números da Libertadores dessa semana. Motivo de orgulho. Do Blog do Juca Kfouri:

O preço da Libertadores

Em números arredondados, veja como foram as presenças de público e as rendas nas estréias dos times brasileiros na Libertadores em seus estádios:

No Morumbi, 35 mil pagantes, com renda de 1 milhão de reais, ingresso médio a R$ 28;

No Beira-Rio, 39 mil pagantes, com renda de 820 mil reais, ingresso médio a R$ 21;

No Mineirão, 33 mil pagantes, com renda de 800 mil reais, ingresso médio a R$ 24;

No Pacaembu, 31 mil pagantes, com renda de 2 milhões e 180 mil reais, ingresso médio a R$ 70;

No Maracanã, 24 mil pagantes, com renda de 700 mil reais, ingresso médio a R$ 29.

De fato, parece mesmo que ninguém dá tanto valor à Libertadores como os corintianos…

Inter ganha, mas sem vontade, no sufoco

Não acreditei muito quando me disseram que o Inter não tinha chance na Libertadores esse ano. Até porque foram só gremistas que me falaram. Andei lendo os jornais, vendo as notícias a respeito do time, dos jogadores e fiquei até meio otimista.

Mas ontem fui assistir Inter X Emelec no Beira-Rio. Digamos que ainda não sou completamente cética à possibilidade de o Inter se dar bem. Mas isso porque eu sou colorada e porque o time em 2006 também não era bom. Tchê, que jogo ruim! Meu time ganhou no sufoco de um timeco xumbrega (ou “chumbrega”, segundo o Houaiss).

O Emelec não fez nada, o que foi a sorte. No primeiro tempo, parecia que o Fossati tinha marcado um X no campo e dito pro Alecsandro ficar em cima dele. O cara não disputava as bolas que estavam a uns dois metros de distância, não se esforçava em um passe um pouco mais longo, não se mexia. E quando recebia a bola nos pés, perdia inevitavelmente.

O Giuliano perdia todas também. Edu nem se fala. Quando a bola chegava perto do gol, nunca chegava outro jogador pra ajudar no ataque. O Guiñazu, mais uma vez, tinha que aparecer pra roubar a bola em todos os lugares. O Nei estava bem esforçado, pelo menos. E assim foi indo… Faltava garra, sabe (a Globo.com diz que sobrou garra – admito que teve no segundo tempo). Faltava se dar conta que era Libertadores, pô. Cruzamento é um negócio que o Inter não descobriu ainda o que é. Ou pelo menos como fazer. Errou todos, mais ou menos.

Depois de levar o gol (como sempre me disse meu avô, “quem não faz leva”), alguém comentou que agora eles iam todos sair correndo desesperados e perdidos. Mas daí pareceu que alguém tinha pego um cara dormindo, sacudido e dito “acorda, tchê”. Aliás, a metáfora funciona às maravilhas, porque antes estavam todos bastante entediados, quase dormindo. E no fim as coisas melhoraram com o gol, até porque logo saiu o do Inter (bem bonito, por sinal, do Nei). E com a chuva, que parece que despertou o pessoal.

Com a entrada do Taison, no segundo tempo, aumentou o ânimo. O guri é meio afobado, mas disputa as bolas, corre muito, tem potencial pra fazer a diferença de vez em quando. O Walter também foi bem melhor que o Edu. O Andrezinho deu o toque final pra melhorar as coisas. E no fim, os 2 a 0 garantiram a primeira vitória. Mas em casa, com o Beira-Rio lotado e a torcida apoiando (quase 40 mil pessoas), de um time fraco, que não ousou. Vai ter que melhorar bastante pra ir mais longe (de repente com a volta do D’alessandro…). Vai ter que pelo menos querer.

Dunga e Ronaldinho

Lembra quando o Dunga voltou pro Brasil pra encerrar a carreira de jogador no Inter, o time do coração? Naquela época o Inter patinava. O Grêmio ia bem melhor. Até porque tinha um cara estreando que deu o que falar. Ronaldinho Gaúcho estava em início de carreira. Era um guri simpático ainda, e ainda jogava muito. Ou melhor, recém começava a jogar muito. Isso foi em 1999, há mais de uma década, mas tem coisas que não se esquece nunca…

Pois bem, naqueles tempos houve um Gre-Nal. Ninguém me convence de que há outra rivalidade maior no futebol brasileiro, quiçá mundial, do que entre Grêmio e Internacional. E Ronaldinho Gaúcho cometeu um pecado grave contra os colorados. Poucos o perdoaram por isso. Dunga, um dos ídolos do time, capitão do Tetra da Seleção Brasileira, levou um chapéu de um guri que acabava de sair das fraldas. E um chapéu feio que dói. Ou bonito, dependendo do ponto de vista, quer dizer, do time para o qual torce a pessoa. Eu achei bem feio, mas na verdade foi perfeitinho, ele dá o toque, a bola passa por cima de Dunga e Ronaldinho a recebe no peito. E a gente teve que engolir, fazer o quê?

Agora Dunga é técnico da Seleção Brasileira. Ronaldinho já teve fases bem piores do que a atual, mas está em fim de carreira. Eu acho, pelo menos. Mas enfim, ele tem renascido das cinzas e surpreendido no futebol europeu. Voltou a jogar bem o rapaz. E foi bem cotado pelos comentaristas para voltar à Seleção, embora ele não tenha voltado a jogar o seu melhor futebol (e, diga-se de passagem, não vai voltar, desculpa aí pessoal).

Mas o técnico é o Dunga. Aquele do chapéu. E não convocou Ronaldinho. O que me leva a pensar: será que na hora da decisão vem aquela sensação bem humana de uma vingancinha tardia? Será que Dunga pensa “ah, seu filho da puta, agora a situação se inverteu, quem tem a bola no pé sou eu”, e termina com aquela risadinha maléfica da madrasta da Branca de Neve?

Não sei. Só sei que o Dunga é o técnico e o Ronaldinho não está na Seleção.

%d bloggers like this: