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Posts Tagged ‘Grêmio’

Assembleia decide hoje se Inter e Grêmio levam dinheiro público

R$ 30 milhões. Muito dinheiro, certo? Em um governo, pode ser investido em educação, saúde, obras de infraestrutura, saneamento etc. etc. Ou pode ser descontado do orçamento da prefeitura em isenção de impostos para que grandes empresas façam obras que atendem seus interesses com a desculpa que vai gerar empregos. Só que são empresas privadas, que vão construir de qualquer jeito, porque o lucro que vão tirar do empreendimento é muito grande e compensa os investimentos.

Esses R$ 30 milhões são o que Inter e Grêmio estão pleiteando, cada um, para construir complexos esportivos usando como pretexto a Copa de 2014, em isenção fiscal que irá a votação hoje a tarde na Assembleia Legislativa gaúcha. A construção já está definida e, convenhamos, os projetos não vão mudar independente de se obter ou não a isenção fiscal. Os planos incluem hotéis, shoppings, bares, centro de eventos e até residências. Quem vai ficar com o retorno do empreendimento não é a prefeitura, não são os porto-alegrenses.

Ainda que sejam criados empregos, o investimento retorna melhor para a população com isenção de impostos para micro e pequenas empresas. Elas criam mais postos de trabalho e muitas vezes realmente precisam de incentivo, pois seu retorno é mais minguado e incerto. Ou seja, a criação de empregos, mais uma vez, serve de desculpa para tirar dinheiro da população e entregar para grandes empresas.

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Porto Alegre do concreto

Amanhã, dia 1º de julho, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, recebe o secretário do Meio Ambiente (reparem que não é o de Planejamento nem nada do gênero, é o que devia zelar para que esse tipo de coisa não acontecesse), Professor Garcia, o presidente do Grêmio e representantes da OAS Empreendimentos. Está no site da Prefeitura.

O objetivo? Conceder licença para construir no espaço da Arena do Grêmio prédios residenciais, hotel, centro comercial e de eventos. Por que, afinal, preservar as famílias que moravam na área e o Meio Ambiente se é possível destruir tudo e beneficiar os endinheirados? Pra que parques se eu posso ter concreto?

Vai ver eu é que sou rançosa mesmo…

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Foto: Divulgação/PMPA.

Dunga e Ronaldinho

Lembra quando o Dunga voltou pro Brasil pra encerrar a carreira de jogador no Inter, o time do coração? Naquela época o Inter patinava. O Grêmio ia bem melhor. Até porque tinha um cara estreando que deu o que falar. Ronaldinho Gaúcho estava em início de carreira. Era um guri simpático ainda, e ainda jogava muito. Ou melhor, recém começava a jogar muito. Isso foi em 1999, há mais de uma década, mas tem coisas que não se esquece nunca…

Pois bem, naqueles tempos houve um Gre-Nal. Ninguém me convence de que há outra rivalidade maior no futebol brasileiro, quiçá mundial, do que entre Grêmio e Internacional. E Ronaldinho Gaúcho cometeu um pecado grave contra os colorados. Poucos o perdoaram por isso. Dunga, um dos ídolos do time, capitão do Tetra da Seleção Brasileira, levou um chapéu de um guri que acabava de sair das fraldas. E um chapéu feio que dói. Ou bonito, dependendo do ponto de vista, quer dizer, do time para o qual torce a pessoa. Eu achei bem feio, mas na verdade foi perfeitinho, ele dá o toque, a bola passa por cima de Dunga e Ronaldinho a recebe no peito. E a gente teve que engolir, fazer o quê?

Agora Dunga é técnico da Seleção Brasileira. Ronaldinho já teve fases bem piores do que a atual, mas está em fim de carreira. Eu acho, pelo menos. Mas enfim, ele tem renascido das cinzas e surpreendido no futebol europeu. Voltou a jogar bem o rapaz. E foi bem cotado pelos comentaristas para voltar à Seleção, embora ele não tenha voltado a jogar o seu melhor futebol (e, diga-se de passagem, não vai voltar, desculpa aí pessoal).

Mas o técnico é o Dunga. Aquele do chapéu. E não convocou Ronaldinho. O que me leva a pensar: será que na hora da decisão vem aquela sensação bem humana de uma vingancinha tardia? Será que Dunga pensa “ah, seu filho da puta, agora a situação se inverteu, quem tem a bola no pé sou eu”, e termina com aquela risadinha maléfica da madrasta da Branca de Neve?

Não sei. Só sei que o Dunga é o técnico e o Ronaldinho não está na Seleção.

Ídolos

uruguaiEmbora a Zero Hora tenha exagerado um pouco os aspectos comuns entre o Grenal e as eleições no Uruguai, ambos acontecendo hoje, a relação entre duas coisas tão díspares existe mesmo. E vou aproveitar o momento para uma pequena provocação.

Ok, não tem nada a ver uma coisa com a outra. As posições de um jogador, de um clube, de um dirigente não têm nada a ver com o amor ao time e tal. Mas me orgulho hoje de não ter como um dos heróis do meu time uma figura como Hugo de León. Mas admito, tenho até pena dos meus amigos gremistas que sofrem desse mal.

Entre um alienado total, como a maioria dos jogadores de futebol, e o candidato a vice-presidente do filho de Juan Bordaberry, o responsável pelo golpe de Estado que fez o Uruguai entrar em uma ditadura militar em 1973, prefiro ainda os que não sabem o nome do presidente do Brasil. Seu mal para o mundo é grande, mas é bem menor do que o de um cara que, segundo a Zero Hora, “condena o passado guerrilheiro do favorito” na disputa à presidência uruguaia.

José Mujica, candidato da Frente Ampla e em primeiro lugar nas pesquisas, integrou a guerrilha dos Tupamaros, que combateu justamente a ditadura de Bordaberry, pai do candidato a presidente pelo Partido Colorado. Ditadura que matou, torturou, perseguiu, censurou, tal qual no Brasil. Os Tupamaros foram um importante movimento no contexto de resistência à repressão na América Latina. Um movimento guerrilheiro que, além da luta armada, à Robin Hood, roubava dos ricos para distribuir aos pobres.

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