Arquivo

Posts Tagged ‘corpo’

O que será das próximas gerações

Me preocupa o futuro da humanidade. Ok, peguei pesado agora na frase de boteco, mas, apesar do exagero, carrega um tanto de verdade. Como se estivesse com 80 anos, penso com apreensão nas próximas gerações, por dois fatos bem específicos, mas representativos.

Banalização do corpo

O primeiro aconteceu em São Paulo, mas a única diferença que carrega para tantos outros lugares é que lá parei para pensar no que via. Como em Porto Alegre, no Rio de Janeiro, em cidades do interior, em qualquer lugar do Brasil, adolescentes de uns 15 anos caminhavam em uma festa de rua com roupas justas que mais mostravam do que escondiam e adotavam posturas extremamente libidinosas. Não quero ser moralista, muito menos do tipo falso, longe de mim.

Ao contrário, acho que lidar bem com o corpo é saudável e o sexo faz bem. Mas o que está acontecendo hoje é a banalização, que diminui o prazer de tudo que envolve a libido na medida em que vulgariza o corpo, os sentimentos. Sexo pelo sexo não faz sentido. Exibir o corpo logo de cara tira boa parte da sedução da coisa. Faz com que meninas se tornem objetos. Ao contrário de libertar, aprisiona.

Geração pixelada

O segundo episódio é de natureza diferente, mas igualmente – ou mais – preocupante. Aconteceu em um restaurante de Porto Alegre, no meio da semana, no horário de almoço. O foco da história é uma criança de entre dois e três anos de idade. Um menino.

A mesa tinha umas quatro pessoas, mais o guri, sentado numa cadeirinha mais alta, daquelas com aparador para o prato. Em vez do prato, ele tinha um minicomputador de umas 10 polegadas. Não bastasse os pais colocarem seus rebentos em frente à TV em casa, porque é mais fácil do que educar, levaram a TV para o restaurante. Ele assistia A Era do Gelo.

Além de nunca socializar com ninguém, o moleque não aprende nada na vida. Sério mesmo, acredito que o futuro dele seja ser uma criança mais devagar que as outras. Ele deixa de aprender com a convivência, de desenvolver o raciocínio, de dividir, de lidar com outras pessoas, de trocar. A situação prejudica até sua coordenação motora. O guri não tomava nem o refri sozinho. Tudo lhe era servido na boca.

Que geração é essa que não pensa mais sozinha, que não brinca mais, que tudo que enxerga são pixels ou cristal líquido? Que enxerga na telinha e reproduz situações de vulgaridade. Ao contrário do que pensam, não estão dividindo mais, estão é se isolando. No fim das contas, o que me preocupa nas próximas gerações é a solidão.

%d bloggers like this: