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Chafariz no comício é consequência da privatização do espaço público

Hoje, 27 de setembro, a dez dias das eleições municipais de 2012, tivemos comício da Frente Popular no Largo Glênio Peres, Centro de Porto Alegre. Para quem não é daqui, o Glênio Peres é aquele espaço público que serve, no dia a dia, de passagem para milhares de pessoas, mas que também é palco de manifestações populares, de feiras de agricultura familiar, de ocupação. Um espaço do povo.

Nem tanto.

No meio do comício, enquanto falava a ministra da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, militantes receberam uma visita inesperada. Água. E ela não vinha do céu, mas do chão. A novidade anunciada tempos atrás pela Prefeitura, ocupada por José Fortunati desde que José Fogaça renunciou para se candidatar sem sucesso ao governo do estado, mostrou pela primeira vez claramente o prejuízo que causa.

O chafariz – pontos de água espalhados em uma linha quase reta – está em espaço público, mas foi colocado pela Coca-Cola. A privatização do espaço tem consequências bem graves, e diz muito da forma de administrar a cidade – bem diferente da administração popular. Consequências que vão bem além dos militantes molhados, do outro que caiu ao tropeçar tentando escapar da água e do material de campanha encharcado.

Prefiro não apostar na possibilidade de os correligionários do prefeito Fortunati serem tão contra o espírito democrático a ponto de ligar os chafarizes de propósito. E na verdade não importam muito as desculpas que a Prefeitura possa dar (segundo a Rádio Guaíba, o coordenador do programa Viva o Centro, Glênio Bohrer, disse haver um acordo para que não fossem ligados durante o comício e que desconfia de sabotagem, mas poderiam dizer que ligava automático, sabotagem, acidente, responsabilidade da empresa, não importa). Não importa, porque só têm duas opções: ou o chafariz é responsabilidade da Prefeitura ou da Coca-Cola. O fato é que estamos falando de um espaço público, que deixou de ser.

No momento em que a Prefeitura entrega nas mãos de empresas privadas a recuperação e a administração de lugares do povo, ela está dando um recado claro: esse espaço deixou de ser do cidadão. Ela sujeita os habitantes do município às vontades de uma entidade que se move em função do lucro. E isso não é uma ofensa, é o pressuposto básico do capitalismo, cujo espírito, segundo Max Weber, é não simplesmente o lucro, mas a acumulação de dinheiro. Exatamente o oposto do que deveria ser o pressuposto de uma administração pública, que seria o de prover o bem estar da comunidade.

É esse modelo que vamos deixar ocupar o Paço Municipal mais uma vez?

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Os comícios acompanham as mudanças do PT

Nos comícios do PT em Porto Alegre alguns anos atrás eu ia com mãe e pai, que, apesar de separados, sempre se deram bem e continuaram petistas tantos anos depois de terem fundado o partido em Caxias do Sul. Eram no Largo da Epatur, hoje Largo Zumbi dos Palmares, na esquina da Perimetral com a República. Ficávamos na ruazinha do outro lado do largo, junto aos prédios, do lado esquerdo do palco (para quem está nele olhando para o público). Ali sempre encontrávamos gente. Muita gente. Alguns, em todos os comícios, figura carimbada. Mesmo antes de todos andarmos por aí com celulares, sempre nos encontrávamos, sem precisar marcar. E isso que os comícios sempre encheram de gente.

Depois passaram para o Largo Glênio Peres. O ponto de encontro, não determinado, mas que sempre acontecia por acaso, era perto da entrada do Mercado Público, do mesmo lado do palco que ficávamos na Epatur. Nunca combinamos isso, acontecia.

Multidão

Ontem não consegui chegar até lá. A quantidade de gente era tanta que no outro lado do palco, teoricamente mais livre, eu fui esmagada. O resultado foi que, pela primeira vez, assisti ao comício por um telão.

Assim como o PT, os comícios do PT mudaram com o tempo. Isso não é ruim. Veja bem, um partido que não tem a capacidade de se adaptar às transformações que a sociedade sofre é um partido estagnado. Mesmo com ideias revolucionárias, torna-se conservador.

As mudanças no comício decorrem também de uma mudança na sociedade. Uma mudança boa.

O perfil da militância

Anos 90

Não é só a quantidade de gente que foi multiplicada, mas mudou também o seu perfil. Nos anos 90 (não me atrevo a falar dos 80 porque meu primeiro comício foi em 89), via-se nos comícios um pessoal de esquerda por ideologia, esclarecido. Não era gente com grana, era classe média que entendia a importância de um partido dos trabalhadores. Não simplesmente PARA os trabalhadores, mas composto por eles.

2006

Na última eleição presidencial, quando o Lula já era presidente e tentava a reeleição, o comício já foi outro. Naquele ano podia haver showmício, e um show de uma dupla sertaneja (acho que Zezé de Camargo e Luciano) estava programado para depois das falas. O resultado foi que lotou, como sempre, mas o público era diferente. A oportunidade de assistir um show gratuito levou ao Glênio Peres muita gente que não queria saber de PT, mal sabia do que se tratava a conversa, não queria saber de comício. Era um pessoal que queria que o Lula parasse logo de falar para começar a cantoria. Notou-se claramente a divisão dos públicos quando o show começou e a parte que sempre foi aos comícios deixou o local.

Nesse ano, já se sentia diferença também pela ausência de algumas pessoas. Depois de crises no governo e a criação do PSOL, muitos antigos companheiros já não eram mais petistas.

2010

Mas a transformação mesmo veio agora. Os showmícios são proibidos, e o Largo Glênio Peres nunca encheu tanto de gente. Uma gente mais pobre, sim, uma gente que não ia a comícios antes. Mas que estava lá PARA ver o Lula, e não apesar dele. Encontrei pouca gente, mas isso porque a multidão era grande demais. Além dos petistas históricos, daqueles que apoiam algum candidato a proporcional, que fazem campanha, havia povo, simplesmente (não quero dizer que petista não é povo ou que povo não pode ser politizado, uso esses termos na falta de outros mais adequados, só para ilustrar melhor).

Eram pessoas que ingressaram na classe média, que saíram da pobreza. Que ganharam luz em sua casa, conseguiram emprego, financiaram a casa nova. Que colocaram o filho na universidade. Que melhoraram de vida e que enxergam no PT, mas principalmente em Lula as razões para essas mudanças terem acontecido.

Grande comício em Porto Alegre

Para eleger Tarso e Dilma no primeiro turno.

É hoje o comício com Lula, Dilma e Tarso em Porto Alegre

Desde criança que não perco um. Fui a todos os comícios do PT em Porto Alegre, se não me falha a memória. Dessa vez, não vai dar. Não estou na minha querida capital, então deixo apenas a torcida para que seja uma grande festa.

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