11 de setembro

11 de setembro. Há 11 anos, 3 mil pessoas morriam em um ataque que virou o mundo de cabeça pra baixo, mais pelo seu caráter simbólico do que propriamente pelas vítimas. Era um ataque ao coração do sistema financeiro americano, mundial. Que traria reação dura do governo dos EUA, justificando guerras e mais mortes. Um sistema que, sete anos e quatro dias depois, mostraria sua fragilidade e sua base de mentiras, com o estopim da crise de 2008, em 15 de setembro.

11 de setembro. Há 39 anos, era dado início a um golpe que, além do presidente chileno democraticamente eleito Salvador Allende, faria cerca de 40 mil vítimas ao longo de 17 anos, além das torturas bárbaras, dos desaparecimentos, das prisões. Tudo sem julgamento, claro. E com apoio dos EUA.

E é essa última frase aí de cima que faz com que um 11 de setembro seja sempre lembrado e outro geralmente esquecido, ou apenas citado. Para que a história não nos deixe cometer de novo os mesmos erros é que precisamos lembrá-los. Mas precisamos lembrar que os erros cometidos por governos, pelos detentores do poder, são geralmente mais cruéis e mais perigosos.

 

Neste 11 de setembro de 2012, tristeza e vergonha pelos nossos tradicionalistas gaúchos, que lembram tão bem de uma data e esquecem tão fácil de outra:

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MP investiga se incêndios nas favelas de São Paulo têm relação com interesse imobiliário

Por Janaina Garcia
Do UOL, em São Paulo

O Ministério Público de São Paulo investiga se a série de incêndios ocorridos desde janeiro deste ano em favelas da capital paulista tem relação com o interesse do setor privado ou do setor público em construir nas áreas de entorno dessas comunidades.

Até agora, segundo a Defesa Civil municipal, foram 31 casos na cidade – sendo 15 desde julho. O número é 30% superior ao de todo o ano de 2011, quando 24 incêndios foram registrados. Os números dos bombeiros são maiores: segundo a corporação, a capital registrou 32 incêndios até o começo de setembro de 2012 ante 79 ocorrências durante o ano de 2011. A corporação, no entanto, contabiliza também pequenas ocorrências e comunidades com qualquer número de domicílios.

Em entrevista ao UOL, o promotor de Habitação e Urbanismo da capital, José Carlos de Freitas, afirmou que, “com ou sem incêndio”, a leitura da Promotoria para os casos remete a obras públicas ou interesse do mercado imobiliário.

“Chama atenção que os incêndios vêm acontecendo de uns bons anos para cá, e a contagem deles aumentou neste ano”, disse. “Não podemos afirmar que exista uma atitude orquestrada por trás disso, mas é muito preocupante que esses incêndios aconteçam principalmente quando temos obras públicas ou áreas nas quais o mercado imobiliário tem um interesse enorme de produzir habitação à população de alta renda”, completou.

De acordo com o promotor, os procedimentos cíveis e criminais instaurados pelo MP, além de ações civis públicas já propostas nos últimos meses, apuram ainda para onde os moradores removidos em operações urbanas da Prefeitura de São Paulo, ou por conta dos incêndios, foram encaminhados.

“Temos visto que, quando esses moradores saem das áreas atingidas, eles não retornam para sua localidade e não há ações do poder público para garantir que residam onde estavam residindo –que é onde essas pessoas não só moravam como também trabalhavam ou tinham filhos em creches ou escolas, por exemplo”, definiu o promotor. “A exceção muito grande a essa regra é o que acontece com o Jardim Edith: ali, a construção de habitação popular dentro da operação Água Espraiada só foi adiante porque existe ação da Defensoria Pública acompanhada pelo MP.

“Freitas é o responsável pelo inquérito civil do MP que apura o incêndio ocorrido na última segunda-feira (3) na comunidade do Jardim Sônia Ribeiro, conhecida como “Favela do Piolho”, no Campo Belo (zona sul). Na última nesta quarta-feira (5), ele requereu esclarecimentos da prefeitura e do governo estadual sobre as ações “de ordem habitacional, assistencial, de educação e saúde no que diz respeito a essas famílias”. A estimativa é que ao menos 1.400 pessoas tenham ficado desalojadas só nessa favela.

Urbanistas contestam hipótese de “gatos”

Arquitetos urbanistas ouvidos pela reportagem também disseram estranhar a versão oficial de que a maior parte dos incêndios em favelas paulistanas diz respeito ao tempo seco e a ligações elétricas irregulares, os chamados “gatos”. Foi essa a versão fornecida, por exemplo, pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) e pela Defesa Civil municipal quando questionadas sobre as principais causas dos incêndios.

“Acompanhei esses casos e acho muito estranho, pois normalmente as favelas bem localizadas se incendeiam mais frequentemente do que as mal localizadas. Além disso, esses incêndios mostram despreparo total da prefeitura em atender essas pessoas”, avaliou a arquiteta Lucila Lacreta, do Movimento Defenda São Paulo.

Para a urbanista, a solução dada aos moradores removidos – cestas básicas ou aluguel social por tempo limitado – “não as atende de forma eficiente quando esses sinistros acontecem”. “Isso é uma tragédia para a cidade, porque são pessoas em geral trabalhadoras, ainda que com uma renda muito baixa. Mas não dar a elas opção de moradia faz o problema social se avolumar e afetar toda a população.”

Para o arquiteto e urbanista Leandro Medrano, professor da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, atribuir ao clima seco e aos “gatos” o grande número de incêndios nas favelas “é uma ofensa ao morador”.

“Porque esse cidadão está largado em uma área, ele tem uma importância muito aquém nas políticas públicas. Mas chama atenção, mesmo porque, todo assentamento subnormal [nome dado pelo IBGE para definir comunidades a partir de 51 domicílios] não tem nenhum tipo de estrutura adequada em luz e gás, por exemplo, e não são tantos casos assim de incêndio como em São Paulo”, avaliou.

“Favela influencia valor de imóvel”

Já o arquiteto urbanista Kazu Kakano, do Instituto Pólis, avaliou que ações criminosas nesses tipos de incêndio não são descartadas. “Favela na cidade de São Paulo não é só uma situação precária: ela influencia o valor do imóvel nos arredores. Há essa segregação socioespacial entre ricos e pobres, e creio sim que há essa possibilidade de esses incêndios terem razão criminosa, intencional. E como não temos uma investigação profunda desses casos, não sou otimista: acho que esses incêndios vão continuar acontecendo. Não vejo ação consistente nem em resolver o problema da moradia, nem ações emergenciais –aí não tem como ter outra conclusão”, avalia.

O UOL tentou saber desde a última segunda-feira (3) da Prefeitura de São Paulo para onde as famílias removidas em função de incêndios em favelas foram levadas. A informação, contudo, ainda não foi divulgada.

Sobre supostas falhas na investigação dos incêndios, a SSP reforçou conteúdo de nota oficial, segundo a qual os casos, em sua maioria, estão relacionados aos “gatos”.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Em Porto Alegre, nem todos os gatos são pardos

Baita análise sobre as eleições municipais de Porto Alegre!

Por Katarina Peixoto, publicada originalmente na Carta Maior

Em Porto Alegre, muita coisa mudou, mas uma segue a mesma: há dois grupos políticos em disputa. Quando o PT perdeu as eleições para a prefeitura de Porto Alegre, em 2004, o grupo político que hoje está coligado, majoritária, porém não exclusivamente, na aliança da candidatura Fortunati vivia um momento de ascensão na cidade e no estado.

O ponto culminante dessa formação de partidos que começou a se consolidar ainda em 1999 foi a eleição de Yeda Crusius para governadora, em 2006. A desagregação desse aglomerado de direita se deu com o desastre da gestão do PSDB, no RS. Outro fator de desagregação deste bloco gaúcho de centro-direita veio com a consolidação eleitoral do PT, no terceiro mandato no governo federal, conformando uma gestão, desta feita, diretamente vinculada ao PMDB e ao PDT.

Visto de longe, como faz o longínquo candidato do PSDB local, tudo parece a mesma coisa. Fortunati, Manuela e Villaverde seriam representações do mesmo grupo, do lulo-petismo. Esse diagnóstico é grotesco e obscurantista e aceitá-lo envolve um grande risco.

Um destes riscos contamina a candidatura Manuela D’Ávila, cuja propaganda carrega as tintas no individualismo e numa suposta predestinação da candidata ao cargo. Mais do que um pateta desavisado da extrema direita católica, mais do que a grande aliança da direita local, o discurso que embala a candidatura Manuela pode ser a expressão de uma representação um tanto conservadora, num processo eleitoral. De modo geral, a campanha da deputada está centrada nos seguintes atributos: a candidata teve muitos votos, a candidata é mulher, a candidata trouxe 380 milhões para o RS em emendas parlamentares, a candidata “ajudou a trazer a Copa e as Olimpíadas para o Brasil”.

A campanha se desdobra em outros apelos. Inventou também de dizer que a candidata estudou em Harvard e na Universidade de Madri. Não fosse Manuela tão ligada nas redes sociais, jovem que é, esse tipo de postura seria compreensível. Fazer três dias de curso em Harvard não é estudar em Harvard, tampouco participar de seminário de mulheres, na Universidade de Madri, é estudar na Universidade de Madri.

No plano político, essa candidatura encerra um formato mais grave: o apoio de Ana Amélia Lemos. Esta senhora de triste figura, representante do latifúndio, da RBS, da monocultura agroexportadora, dos golpistas do Paraguai, da Monsanto e grande elenco de entidades antirrepublicanas, como a turma das armas e do monopólio da comunicação, é pré-candidata da oposição ao governo do Estado do RS. No mercado da falta de almas dessa política espetacular, o apoio da Ana Amélia tem um preço: derrubar o PT em 2014, no RS. Este preço, vale dizer, não é cobrado, pelo menos não ainda, da candidatura Fortunati.

A gestão Fortunati é medíocre, como é sabido e vivido.

Quando Fogaça saiu é inegável a melhora: a prefeitura passou a ter alguma existência. Fortunati tentou resolver o problema do lixo, e parece que a calamidade foi relativamente enfrentada. Mas a regressão dos avanços na coleta seletiva e nas incubadoras de cooperativas é inegável e, infelizmente, segue assim. As ruas e os parques estão mais limpos, deve-se dizer. É feio, para dizer o mínimo, ter placas da Coca-Cola e da Pepsi parasitando espaços públicos da cidade. É feio e sem justificação republicana, mas não muda voto.

Voto é uma coisa mais séria do que uma marca, uma candidatura encerrada em si mesma e do que diferenças culturais.

A candidatura Fortunati tem uma agenda, que pode ser medíocre, que pode ser, em certa medida, tão pessoal e individualista como a da Manuela.

Mas tem lastro político, partidário, tem enraizamento na experiência política da cidade, inclusive desde a época das gestões do PT, visto que o OP segue aí, as escolas não sofreram grandes mudanças e há uma certa estabilidade institucional que se conformou, sobretudo depois da saída do grupo mais ligado ao Fogaça, que parecia cultivar uma certa repulsa a compromissos mais republicanos e populares, no que concerne à administração da FASC e às políticas sociais, exemplarmente.

A grande e única inovação da gestão Fortunati é a SEDA, a Secretaria Especial dos Direitos dos Animais. É uma inovação civilizatória e ambientalmente luminosa, além de uma política pública na acepção quase plena da palavra (esta coisa de ação de gabinete de primeira dama é politicamente regressiva), porque promove e fomenta e dá exemplo de educação e bem estar.

A Porto Alegre onde se inventava de verdade e se pensava e realizava políticas públicas republicanas, democratizantes e oxigenadas, todos os dias do ano, essa Porto Alegre não existe mais. Pode ser que volte a existir, mas não se deve menosprezar os períodos históricos em que as experiências se constituem.

Hoje, o PT não é uma força política em ascensão na sociedade, cultivada na resistência ao neoliberalismo triunfante no país, num período recente pós ditadura. Não, o PT está no terceiro mandato no governo federal, não governa a cidade há quase dez anos e parte importante da atual gestão da prefeitura é formada por quadros de partidos que estão, tanto no governo federal, como no estadual, também do PT.

A candidatura Villaverde tem como principal adversário, paradoxalmente, o seu maior aliado: o poder de que já dispõe o seu partido, a experiência consolidada de uma mudança epocal no país, protagonizada por Lula e a que Dilma dá continuidade, e a consistência de suas possibilidades, na cidade.

Só que as coisas não são tão fáceis quando se tem poder, mesmo que em bons governos. Mais uma vez, é preciso aprender a olhar sem perspectivas grotescas e obscurantistas.

Tudo se passa como se o PT, no governo federal, tivesse consolidado um certo projeto peemedebista dos anos 80, e o país inteiro esteja numa grande onda “centrista”.

O custo político desse tipo de situação pode ser alto, mas o fato de que, no Brasil, essa onda tem se dado num marco democrático, que inclui e abarca a esquerda não tem interditado, a esta, as suas possibilidades. Em todo o país os movimentos sociais estão muito mais vivos e autônomos, seguem produzindo, criticando e mobilizando. Com todas as inflexões e mudanças localizadas de orientação do governo federal, não se pode dizer que há regressão alguma ou que a esquerda esteja em situação mais difícil, hoje.

O que a estabilidade centrista das gestões do PT produziu, no país, tem a consequência peculiar de não interditar as possibilidades da esquerda, mas de assegurar a gestação de suas agendas. Hoje, temos mais democracia e mais república, menos desigualdade e menos barbárie. O país incluiu uma França em oito anos e o PT é responsável por isso.

A candidatura Villaverde tem consistência, trajetória e presente. A sua dificuldade parece ser uma dificuldade do próprio PT, de manter-se como partido vivo, oxigenado, que não sucumba ao jogo eleitoral. É como se o partido tivesse perdido a perspectiva de tal maneira que se tenta apresentar o Villa como um despachante do governo federal.

Uma agenda para uma prefeitura, para uma cidade que tem na democracia um valor cultivado, pode e deve falar da vida, antes e além das obras das grandes empreiteiras e daquilo que é prerrogativa principal do governo federal.

Mobilidade, urbanidade, responsabilidade ambiental, assistência social, políticas e espaços para a juventude, políticas de gênero, políticas para os animais domésticos, política para o lixo. Um horizonte muito maior e mais civilizatório que a Copa do Mundo, que os despachos de ministros, que as figuras e imagens de grandes líderes. Nada impede o PT de fazer a campanha mais pé no chão e a mais promissora de todas. Nada impede o PT de falar em disputa civilizatória. Bem ao contrário.

O centrismo triunfante neste momento produz uma ilusão que pode custar muito caro, tanto à cidade como à esquerda e ao PT.

O risco é entregar a cidade a um acordo espetacular mercantil, sem lastro e sem agenda, cujo horizonte , em termos de consistência programática, é a derrocada do PT no Estado e a retomada, pela direita, do terreno recentemente perdido.

A perspectiva grotesca e obscurantista não pode obnubilar a democracia e o debate altivo sobre os destinos das forças vivas da política da cidade.

Eleição não é uma feira de trocas de votos e de disfarces, e enxergá-la assim é renunciar à democracia.

Instituto Lula denuncia mentira da Folha de S.Paulo

 

NOTA À IMPRENSA

 Folha de S.Paulo mente ao publicar que Lula teve reunião com governadores durante a Rio+20

Ao contrário do que publicou hoje o jornal “Folha de S.Paulo”, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não teve nenhuma reunião com governadores durante a Rio+20.

O ex-presidente esteve no Rio de Janeiro nos dias 20 e 21 de junho de 2012, partindo no dia 22 de manhã. Na época, por recomendação médica após um exame de biópsia na laringe, foi orientado a poupar sua voz. A nota sobre isso pode ser lida aqui http://www.institutolula.org/2012/06/apos-retirada-de-cateter-e-exames-lula-devera-poupar-a-voz-nos-proximos-dias

Lula durante o evento teve encontros com os presidentes da França e Cuba. Assistiu a abertura da conferência na quarta-feira, dia 20, e participou, junto com a presidenta Dilma Rousseff, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, de um jantar oferecido pela prefeitura do Rio de Janeiro para chefes de Estado africanos na quinta-feira, dia 21.

A agenda do ex-presidente na Rio+20 foi reduzida por razões médicas, mas nunca previu nenhuma reunião com governadores, como pode ser visto nesse comunicado do dia 15 de junho http://www.institutolula.org/2012/06/por-recomendacao-medica-lula-reduz-agenda-na-rio-20 .

As atividades do ex-presidente e das autoridades presentes na Rio+20 foram acompanhadas pela imprensa e amplamente noticiadas na época.

Por isso a “Folha de S.Paulo” mente ao publicar meses depois que Lula teve uma reunião com governadores durante a Rio+20.

Nota divulgada pelo Instituto Lula.

Incêndios em favelas: a política de higienização do PSDB

Aparentemente, só favela paulistana faz gato de energia elétrica. Afinal, esse é o motivo atribuído a 70% dos incêndios que vêm acontecendo, segundo a GloboNews. Essa foi a 32ª ocorrência na capital paulista este ano. Em 2011, foram 79 e, em 2008, ano que mais sacrificou moradores pobres, foram 130.

Na matéria da Agência Brasil, aparece ainda o “tempo bastante seco e o vento” como causas do incêndio, relatadas por um coronel do Corpo de Bombeiros. O engraçado é que os dias não têm estado muito secos em São Paulo, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ontem à noite, a umidade relativa do ar era de 76%, parecida com a de Porto Alegre. Há regiões no país bem mais secas e que não chamam a atenção pela quantidade de incêndios. Brasília, com seus mais de 2,5 milhões de habitantes, é sempre lembrada pela baixa umidade do ar. Hoje à tarde, estava em 20%. São Paulo, ao contrário, registrava 67%, ainda mais que a geralmente úmida Porto Alegre, com 49%.

Qual é a explicação então?

Ao contrário de um post que publiquei aqui em dezembro de 2009, preocupada com a disseminação de incêndios nas áreas mais pobres da capital paulista, mas contida em meus comentários, agora falo, sim, na execução de uma política de higienização. Qual a forma mais fácil e rápida de diminuir os pobres de uma cidade? Não é incomum ouvir comentários conservadores de que “tem que pôr fogo em tudo mesmo”. Vale pra morador de rua, maconheiro, marginalizados em geral. Uma política simplista, tão elitista e preconceituosa que é feita na surdina em São Paulo.

Prova de que a coisa é feia mesmo é que já tem até CPI pra investigar os suspeitíssimos casos recorrentes de destruição de favelas pelo fogo, embora ela não seja muito ativa.

Em história tão cheia de fatos inquietantes, outra coisa me chamou a atenção. Em todas as matérias sobre o último incêndio, na Zona Sul paulistana, a Folha.com não dá as razões do desastre, mas se preocupa em dizer repetidamente que o número de ocorrências de 2011 é o mais baixo desde 2008, como se isso fosse bom. Se 79 incêndios em um ano é um número baixo, o que sobra para os 130 de três anos antes?

O importante é observar que há uma sequência no processo de higienização de favelas em São Paulo, que ele é contínuo e que é devastador. É o resultado de uma história de conservadorismo extremo no comando da capital, só interrompido em dois momentos e aprofundado nos últimos sete anos, com a sucessão de governos do PSDB.

Déficit o quê mesmo?

Deixa ver se eu entendi… O governo Yeda não fez nada pelo RS, cortou investimentos, não fez concurso, ajudou a deteriorar os nossos serviços públicos, tudo em nome de um suposto déficit zero, e entregou o estado com uma dívida maior?

O que está escrito aí em cima:

Uma conta nefasta

Se nada mudar nos contratos de renegociação das dívidas dos Estados com a União, o Rio Grande do Sul seguirá cambaleando economicamente e, em 2028, ainda deverá o montante de R$ 26,4 bilhões ao Planalto.

A situação é alarmante porque em 1998, ano em que foram firmados os acordos, o passivo financiado pelo governo gaúcho era de R$ 11 bilhões. Mesmo pagando cerca de R$ 2,5 bilhões por ano ao governo federal, o Piratini viu a bola de neve aumentar devido à incidência de juros que retiram a capacidade de investimento e só fazem crescer a dívida. Essas informações constam no relatório final dos trabalhos da Comissão Especial da Dívida Pública, que será votado às 11h de amanhã, na Assembleia. Em tempos de queda da taxa Selic, os contratos se mostram um profundo contrassenso se considerarmos que o Estado precisa enviar aos cofres federais 13% da sua receita líquida real. O juro é de 6% ao ano, acrescido da correção do IGP-DI. Desde a renegociação, em 1998, o contribuinte gaúcho já bancou R$ 30 bilhões em pagamentos. O ano de 2011 foi fechado com um valor residual a ser quitado de R$ 38,7 bilhões. Estrangulado pela dívida, o governo estadual se torna um mero administrador de folha de pagamento. Esmagado pelo acordo, o Rio Grande do Sul não paga o piso dos professores, não investe os 12% previstos por lei em saúde, não soluciona o colapso do sistema prisional.

Os governadores que se sucedem têm, basicamente, três alternativas. A primeira é cruzar os braços e esperar o tempo passar. A segunda é apostar na austeridade, com cortes de gastos em todos os setores, promovendo alguma economia que possa se transformar em investimento. Esse foi o caminho seguido por Yeda Crusius. A terceira e última é a aquisição de empréstimos no BNDES e em organismos internacionais para investir em obras. Esse é o caminho seguido por Tarso Genro, que ainda tenta se livrar das amarras da burocracia para aplicar adequadamente os cerca de R$ 5 bilhões tomados em financiamentos.

É um escolha audaciosa, se propõe a aquecer a economia, mas também arriscada, pois eleva o endividamento em período de crise. O Piratini espera que os investimentos decorrentes dos empréstimos atraiam novos empreendimentos que incrementem a economia. Assim, poderão ser geradas mais riqueza e arrecadação, garantindo o pagamento dos financiamentos em longo prazo. Pode soar otimista demais, sobretudo em tempos de recessão e timidez do PIB. O fato é que já passou do momento de o governo federal repactuar os contratos e adotar juros compatíveis com a realidade. Os gaúchos seguem pagando uma dívida já quitada.

– Atualmente, o próprio governo federal disponibiliza financiamentos com pouco mais de 1% ao ano. Do jeito que estão os contratos, virou agiotagem, uma afronta ao pacto federativo – afirma o deputado estadual Giovani Feltes (PMDB), presidente da comissão.

Antes que os governos estaduais decretem falência, alguma coisa precisa mudar.

Caminhada do “Basta de Violência contra a Mulher” vai ser domingo

Informações do CDES-RS

Marcha é uma reação ao grande número de assassinatos ocorridos neste ano, que já superaram os índices de 2011

A gente geralmente vê estatísticas e não enxerga as pessoas por trás, mas a violência contra a mulher é um problema bem sério da sociedade. O Brasil é o sétimo país do mundo onde mais ocorrem assassinatos de mulheres. Não dá, né? Por isso, domingo (2), vai ter uma caminhada na Redenção, em Porto Alegre, com o lema “Basta de Violência contra a Mulher”, dando início a um conjunto de ações para reduzir as agressões e mortes e promover a igualdade de gênero. A concentração vai ser na frente do Monumento ao Expedicionário, às 10h30.

Durante a caminhada será divulgada uma carta de recomendação contendo sugestões destinadas a diversos órgãos ligados ao Poder Público ou à sociedade civil.

“É inaceitável conviver com estes atos de agressão e morte de mulheres. Convidamos toda a sociedade a somar-se a este movimento”, convoca o  secretário do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES-RS), Marcelo Danéris.

A secretária de Políticas para as Mulheres, Márcia Santana, sugere que os participantes vistam alguma peça de roupa lilás ou branca.

Estatística dolorosa 

Seis em cada dez brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de violência doméstica. Somente na última década, 43 mil delas foram assassinadas, sendo 70% dessas mortes dentro de casa.  O machismo (46%) e alcoolismo (31%) são apontados como os principais fatores que contribuem para a violência e, segundo a ONU, a violência doméstica custa R$ 10,5% do PIB.

Femicídios neste ano já superam 2011

Em todo o ano de 2011 foram assassinadas 46 mulheres no Rio Grande do Sul. De janeiro a agosto deste ano o número chega a 50, revelou a coordenadora das Delegacias de Atendimento à Mulher,  Nadine Anflor. Um diagnóstico realizado pela Secretaria de Segurança Pública nos primeiros cinco anos da Lei Maria da Penha (agosto de 2006 a agosto de 2011) apontou o assassinato de 327 mulheres, enquadrado como femicídio pela terminologia da nova lei.

“É mentira que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher. É preciso envolver a família, amigos, colegas de trabalho, parentes e toda a rede de relações das pessoas que sofrem violência para monitorar e denunciar situações de abuso e violência doméstica para alterar este quadro que machuca toda a sociedade”, disse Danéris.

Onde procurar ajuda em caso de violência

Em caso flagrante, primeiro acione a Brigada Militar (Disque 190). Entre em contato com a Rede de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, através do Escuta Lilás – Ligue 0800 5410803, que é o número de utilidade pública do Centro de Referência da Mulher do RS (CRM/RS), ligado à SPM. Você também pode ligar para o 180.

Por telefone ou presencialmente, assistentes sociais, psicólogas/os e advogadas/os do CRM/RS orientam as mulheres em situação de violência sobre seus direitos e sobre os serviços disponíveis para o atendimento de suas demandas. A rede é composta por delegacias, casas-abrigo, Defensoria Pública, Ministério Público, juizados, postos de saúde, centros de perícia, centros de educação, reabilitação e responsabilização dos agressores, organismos de políticas para as mulheres, Núcleos de enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, movimento de mulheres e Centrais de Atendimento à Mulher, como o “Ligue 180”.

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