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Archive for the ‘Esporte’ Category

Trabalhar de graça pra Fifa?

Em algum momento decidiu-se que trabalhar de graça pro pessoal que mais ganha dinheiro no mundo e sem ajudar ninguém que precise de ajuda era legal. Daí se criou o programa de voluntariado durante grandes eventos esportivos, que virou notícia no Brasil semana passada com a seleção do grupo de desapegados do mundo material que vão contribuir para que mais dinheiro da Copa do Mundo de 2014 migre para os bolsos de quem já não tem mais bolsos para enfiar tanto dinheiro.

Virou até capa de jornal por aqui o pessoal que se inscreveu para ser voluntário da Copa em todo o Brasil, principalmente os gaúchos (claro), e que ainda nem foi selecionado. Nas redes sociais, a galera comemora o simples fato de ter feito a inscrição. A galera já está feliz só por ter se inscrito.

Juro, não consigo entender o que os motiva. Os jornais, sim, estão atrás de lucro, como sempre. Mas os inscritos, sério, não entendo. É para ver um jogador de futebol de perto? Se sim, pra quê? Se é pra conhecer gente nova, interagir, não precisava entregar tua força de trabalho de graça, convenhamos.

O grande negócio é que o pessoal vai estar trabalhando de graça pro COL (Comitê Organizador Local) e pra Fifa. É um mundo em que circula muita grana. Futebol é legal, esporte é ótimo e até nem sou radical em dizer que Copa e Olimpíadas não deveriam ter vindo pro Brasil. Mas trabalhar de graça pra esse povo?

Em quê esse trabalho voluntário vai ajudar o Brasil? Por que ele não é pago, considerando toda essa grana de que falei aí em cima?

O que eles fazem é explorar a mão de obra do trabalhador e transformar isso em uma coisa legal. Vergonhoso é os jornais esquecerem o jornalismo e o espírito crítico (será que ainda têm algum?) e aderirem a essa publicidade, comemorando junto. Sem em nenhum momento se perguntar por que isso é bom para o Brasil e para a cidadania.

Assembleia decide hoje se Inter e Grêmio levam dinheiro público

R$ 30 milhões. Muito dinheiro, certo? Em um governo, pode ser investido em educação, saúde, obras de infraestrutura, saneamento etc. etc. Ou pode ser descontado do orçamento da prefeitura em isenção de impostos para que grandes empresas façam obras que atendem seus interesses com a desculpa que vai gerar empregos. Só que são empresas privadas, que vão construir de qualquer jeito, porque o lucro que vão tirar do empreendimento é muito grande e compensa os investimentos.

Esses R$ 30 milhões são o que Inter e Grêmio estão pleiteando, cada um, para construir complexos esportivos usando como pretexto a Copa de 2014, em isenção fiscal que irá a votação hoje a tarde na Assembleia Legislativa gaúcha. A construção já está definida e, convenhamos, os projetos não vão mudar independente de se obter ou não a isenção fiscal. Os planos incluem hotéis, shoppings, bares, centro de eventos e até residências. Quem vai ficar com o retorno do empreendimento não é a prefeitura, não são os porto-alegrenses.

Ainda que sejam criados empregos, o investimento retorna melhor para a população com isenção de impostos para micro e pequenas empresas. Elas criam mais postos de trabalho e muitas vezes realmente precisam de incentivo, pois seu retorno é mais minguado e incerto. Ou seja, a criação de empregos, mais uma vez, serve de desculpa para tirar dinheiro da população e entregar para grandes empresas.

Futebol quebra a indiferença cotidiana

Merecia um estudo antropológico a forma com que as pessoas lidam com futebol. Não falo nessa coisa de ver os caras correndo atrás da bola, da torcida maluca no campo de futebol, da paixão pelo time, nada dessas coisas. Mas da sensação de pertencimento a um grupo que o futebol carrega consigo.

Quando visto minha camisa do Inter, a relação das pessoas na rua muda. A indiferença costumeira cede espaço a uma camaradagem inusitada. Especialmente em dia de grandes eventos, a comoção aumenta, a troca se dá de forma mais intensa e frequente. Ontem (18) o Inter jogava a final da Libertadores em Porto Alegre. Já de manhã cedo, vestindo a camisa do time, conversei com uma série de desconhecidos, pessoas buzinavam de seus carros, me jogavam palavras de apoio. De forma meio involuntária, eu fazia parte de uma irmandade quase.

É engraçado. O mesmo cara que um dia te xinga quando te vê atravessando a rua na faixa de pedestres na hora que ele queria passar com seu carro, no dia seguinte se torna teu melhor amigo na torcida pelo mesmo time.

O isolamento que as pessoas se impõem cotidianamente sufoca. São esses momentos de festa comum, de identificação, que as salvam um pouco de serem sempre sós. Nesses momentos elas se permitem ser mais felizes, mais humanas. Aproximam-se das outras pessoas do mundo. Conversam com desconhecidos. Sociabilizam. Rompem as barreiras da solidão.

É bonito. Pena que acontece tão pouco. De repente seria interessante se deixar tocar pelo espírito de comunidade com mais frequência. Apenas um sorriso sem motivo de vez em quando já cairia bem.

Saudações coloradas

Peço licença, mas hoje não vou falar de política, jornalismo ou nada do gênero. Desculpa, é que hoje meu colorado é bicampeão da América, sacomé.

Nasce o movimento #TT: Tira Teixeira da CBF!

Faz mais de 20 anos que Ricardo Teixeira grudou na cadeira da CBF, que vai organizar a Copa do Mundo de 2014 e ganhar uma bela grana em cima. Além dele, ocupam o comitê da Copa sua filha, Joana Havelange, e outros quatro nomes ligados intimamente à família.

Mas, pela primeira vez, o herdeiro de João Havelange no trono do futebol brasileiro – esse pessoal está lá há 50 anos – sofre alguma resistência. Ela vem através da movimentação de Rocha Azevedo, ex-presidente da Bovespa, entrevistado por Carta Capital.

E a ideia é justamente organizar um movimento horizontal, espontâneo, pela rede. Tira Teixeira é a chamada. Então vamos lá. Todo o mundo usando a tag #TT no Twitter. É fácil, não ocupa quase nada dos 140 caracteres e pode ajudar. Mesmo que Teixeira não caia, se abalar ligeiramente seu poder, já é bom para o Brasil. Afinal, no comitê da Copa, o que mais entra é dinheiro público. Dinheiro nosso.

Lula defende rotatividade na presidência da CBF

Quer saber por que a elite brasileira não gosta do Lula, mesmo tendo mantido seu alto padrão, saído bem da crise, melhorado ainda mais de vida durante seu governo? Porque alguns privilégios são combatidos, sim. Mesmo que muitos desses combates não deem resultado, incomodam, fazem ver que tem coisa errada.

A Confederação Brasileira de Futebol é filhote da Fifa, uma das maiores máfias do mundo, uma verdadeira organização criminosa, que lida com quantias que reles mortais como nós somos incapazes de absorver. Seu presidente, Ricardo Teixeira, está no posto desde que me conheço por gente, mais ou menos – para ser exata, desde 1989. É sabido que ele coordena a maracutaia do futebol brasileiro, que passa por vários aspectos, inclusive as negociações com a Globo de horários de jogos, os patrocínios e tantos interesses financeiros graúdos.

Pois Lula defendeu uma rotatividade nas organizações de um modo geral, no dia seguinte em que Ricardo Teixeira, o cara que só quer deixar o cargo se for para assumir a presidência da Fifa, propôs uma renovação na Seleção Brasileira. É pra renovar? Então oito anos e tchau. Não tem sentido um dirigente ficar mais tempo em um alto posto, perpetuando seu poder, ainda mais da forma como acontece na CBF. Quem decide qual cara senta na cadeira? E os que decidem, têm rabo preso?

Seria um exercício bacana de democracia. Falta apenas explicar a Ricardo Teixeira o que é democracia.

SporTV pede desculpas aos paraguaios

A SporTV teve que se retratar. Pediu desculpas ao Paraguai pela matéria preconceituosa exibida essa semana. O link para o vídeo em que é feito o pedido está aqui. A matéria que gerou o bafafá, com meu comentário, aqui.

A fala do apresentador e o VT não anulam a matéria e são bem mais discretos que ela. E a SporTV não pede desculpas às mulheres. Ainda assim, há que se respeitar a postura da SporTV ao pedir desculpas ao país. Foi, sim, uma demonstração de humildade ao reconhecer o erro. Ganha um ponto.

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