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O buraco da Prefeitura

A situação é absurda. É daquelas coisas que a gente não consegue entender, não consegue aceitar, muito menos explicar.

Uma obra do Programa Socioambiental da Prefeitura de Porto Alegre (Pisa), que está acontecendo sete metros abaixo da terra, atingiu casas na avenida Icaraí, na metade do mês que acabou de acabar. De repente, os moradores viram rachaduras e buracos, causados pela colisão do máquina que o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) usava com uma pedra. Os técnicos, achando que dava pra passar, forçaram, o que gerou a quebradeira que está colocando em risco a vida dos moradores e a estabilidade do local (vale ler a matéria do Sul21 a respeito). Entre idas e vindas da Prefeitura no local, os moradores da casa ficaram sem água

Agora a máquina está parada lá embaixo da terra, porque os moradores não aceitaram sair de sua casa para uma lá nos confins de Porto Alegre, que era o que a Prefeitura queria, com sua tentativa irregular de despejo, que dona Elma dos Santos Rodrigues e sua família não aceitaram, apesar de terem sido coagidas. Como a máquina só sai ou pela frente (o que significa forçar a pedra e provavelmente derrubar tudo, sem garantia de sucesso) ou por cima, ela continua lá. Para sair por cima, tem que fazer um buracão enorme, que derrubaria não só a casa da dona Elma dos Santos Rodrigues como outras casas da vizinhança. Quando a máquina sair de lá, periga já nem funcionar direito. Isso não é o mais importante, claro, mas é mais um prejuízo na conta da irresponsabilidade da Prefeitura.

Mas não o último. O estrago na casa (e na vida, né, porque convenhamos…) da dona Elma não é o único problema. As obras do Pisa estão oito anos atrasadas (OITO!) e, em um acidente durante as obras, dois funcionários morreram e nove ficaram feridos em 2011.

(Alguém lembra disso? Eu não lembrava, e o fato de eu não estar no Brasil não quer dizer nada, já que acompanhava as notícias todas pela internet. Por que não foi divulgado amplamente?)

Mas não vou me alongar sobre o caso, já que tem gente tratando dele com muito mais propriedade. Deixo a recomendação para a leitura do texto do jornalista Julio Oliveira em seu blog. Lá ele fala sobre a casa da dona Elma, os trabalhadores que se acidentaram durante obras do Pisa e o gigantesco atraso do programa. Fala, em suma, sobre a sobreposição de irresponsabilidades da Prefeitura.

O caso está sendo discutido na noite de hoje (quarta-feira, 2), na plenária do Orçamento Participativo da Região Cristal, na Escola Municipal Eliseu Paglioli (Rua Butui, nº 221).

  1. 11/05/2012 às 20:01

    Cara Cristina

    Reproduzir informações sem procurar o contraponto não é jornalismo.

    A Senhora Elma dos Santos Rodrigues que mora na casa em que ocorreu o incidente, estava pedindo R$500.000,00 para desocupar a casa. Importante este valor era para cobrir somente a benfeitoria, pois o terreno era público e está dentro de uma APP.

    Agora, devemos ser contra o código florestal que não titula residências dentro de APPs? Ou os contribuintes da cidade devem pagar uma nova casa para a Senhora Elma dos Santos Rodrigues, num bairro nobre de Porto Alegre (R$500.000,00 é um bom valor!), para que seja possível completar o tratamento de esgotos da cidade de Porto Alegre?

  1. 18/09/2012 às 17:09

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