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Brasil recebe blogueiros do mundo

Há pouco mais de sete anos eu deparava com o formulário de inscrição para o vestibular. Ele fazia uma das perguntas mais difíceis que já respondi, mas acabei marcando o quadradinho do Jornalismo. Não foi por acaso, não foi sem pensar (embora eu ainda não tenha certeza se tomei a decisão certa). Um das maiores motivações, além da promessa de altas emoções da vida de repórter e da possibilidade de aprender muito a cada dia, foi a péssima qualidade do jornalismo que eu via na TV, no jornal, no rádio (que naquela época eu nem ouvia muito), na internet (que ainda não era nem perto do que é hoje, embora já estivéssemos na metade da primeira década dos anos 2000).

Três anos depois, tomei uma outra decisão. Nessa eu nem pensei tanto, não imaginava que ela me levaria aonde levou e aonde espero ainda vá levar. Comecei o primeiro blog ao qual me dediquei de verdade. Não estava sozinha, é verdade, mas ele me tirou o sono em diversas ocasiões, deu um baita trabalho em alguns momentos e causou alguma dor em outros, mas as recompensas foram extremamente gratificantes. Tanto que me fizeram criar um outro blog, ainda mais recompensador.

Foi já como autora do Somos Andando que participei do I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, em agosto de 2010, em São Paulo. Apesar de ter registrado na memória o que considero um elogio da Maria Frô, ao comentar a minha visão política, eu ainda não tinha muita noção da importância do momento que eu estava vivendo ao lado daquelas 300 outras pessoas e do que nós seríamos capazes poucos meses depois.

Nas eleições de outubro daquele ano (faz recém um ano, mas parece tão longe), os blogs mostraram definitivamente que não estão para brincadeira. Assumiram um papel que outrora era ainda mais difícil e com menos capacidade de disseminação, porque dependia de muito mais dinheiro para imprimir conteúdo. A imprensa alternativa de hoje já não ganha mais esse mesmo nome. Os blogs não são mais uma forma meramente “alternativa” de fazer comunicação. Eles representam um contraponto à hegemonia do pensamento único que a gente lê em todos os grandes jornais do Brasil. Eles já influenciam no debate político, na agenda de discussões, embora não tenham o poder econômico das mídias tradicionais, centradas nas dez famílias que acham que mandam no jornalismo do Brasil.

Esse foi um momento marcante por mostrar na prática o que os blogueiros já discutiam na teoria. Escancarar que o jornalismo praticado no Brasil é em geral um lixo e que é preciso democratizar a comunicação, ampliando o acesso aos meios de produção de conteúdo e pluralizando a mídia.

Pois o movimento cresceu. Em 2011, já contava com a presença do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e do ex-presidente e estrela da política mundial, Lula, além de diversos outros nomes de peso no debate da comunicação no Brasil.

Chegou a hora, pois, de levar o debate pro mundo. Os blogueiros brasileiros encabeçam o movimento que agora leva ao I Encontro Mundial de Blogueiros. Isso acontece na primeira vez em que moro fora do país, que me sinto um pouco mais do mundo e um pouco menos de Porto Alegre, do Rio Grande, do Brasil. Mas o encontro acontece no Brasil, e infelizmente não vou poder participar. Mas tenho um orgulho tremendo de dizer que ele vai acontecer, que vai contar com a presença de gente como Ignácio Ramonet, Pepe Escobar e tanta gente boa da América Latina e do mundo e que tudo começou naquele agosto de 2010 (e eu estava lá!). A programação completa está aqui.

O lugar é a tríplice fronteira da América Latina. Onde Brasil encontra Argentina e Paraguai. Foz do Iguaçu.

O evento é promovido pelo Instituto Barão Itararé e AlterCOM, com o patrocínio da Itaipu Binacional e da Sanepar, e apoio da UNILA; da Fundação Banco do Brasil; Loumar Turismo; Cataratas do Iguaçu S/A; portal Click Foz do Iguaçu; e TAM. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pela internet, com taxa no valor de 100 reais – estudantes pagam meia (parágrafo colado do site do encontro).

Estando longe ou perto, tendo a oportunidade, vale acompanhar. Eu não perderia.

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Categorias:Comunicação
  1. Luiz Monteiro de Barros
    25/10/2011 às 21:03

    Sabe Cris o que diz a ideologia do
    Segredo que o segredo é parar de remar contra a corrente do novo ciclo, como fazemos aqui pois Somos andando. É só deixar se levar por esta intuição. Afirmo como um mantra; America Latina, berço de uma nova civilização” Agora o esplendor da raça ibero americana. Esse deixar se levar, aceitar com volúpia cidadã é como disse Immanuel Walerstein antecipando a derrocada do capitalismo, quando no fim ele nos provoca

    “o que surgirá em seu lugar pode ser melhor (mais igualitário e democrático) ou pior (mais polarizado e explorador) do que temos hoje em dia.

    OU SEJA, NOSSAS ESCOLHAS REALMENTE IMPORTAM. “QUANDO O SISTEMA ESTÁ ESTÁVEL, É RELATIVAMENTE DETERMINISTA. MAS, QUANDO PASSA POR CRISE ESTRUTURAL, O LIVRE-ARBÍTRIO TORNA-SE IMPORTANTE.”

  2. 27/10/2011 às 0:54

    Tríplice Fronteira Brasil-Paraguai-Argentina, onde a América do Sul se encontra. Lugar mais emblemático para o evento não haveria. Não poderei ir, mas, à distância, estarei a acompanhar.

  1. 26/10/2011 às 3:27

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