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A cobertura da primeira cerimônia da Copa

O primeiro evento oficial da Copa do Mundo de 2014 no Brasil aconteceu ontem, com o sorteio dos times para as eliminatórias. A Zero Hora.com destacou as atrações que comandariam o megashow, a pirotecnia acompanhada de um forte esquema de segurança, o grande “feito” de Ronaldo ao deixar Espanha e França no mesmo grupo e até a fala da presidenta Dilma Rousseff durante a cerimônia, claro que ressaltando como é bom receber um evento desse porte. Inclusive transmitiu ao vivo o fuzuê no site. Tudo extremamente positivo. Encontrei quatro matérias neste sábado, duas antes do evento e duas depois. Não há absolutamente nenhuma menção ao protesto contra o excesso de poder de Ricardo Teixeira e suas arbitrariedades à frente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A manifestação aconteceu durante o sorteio, e foi amplamente divulgada nas redes sociais, sendo inclusive o assunto mais comentado do Twitter durante um bom tempo. Mas Zero Hora optou pelo show e não pelo interesse social.

Já o Jornal Sul21, por exemplo, focou apenas nas manifestações. O sorteio em si teria como única consequência, a rigor, a definição da grade das eliminatórias. A divulgação desse fato é simples, basta dar os dados. Interessa muito mais o que está por trás deles e como eles vão chegar às pessoas. A diferença de abordagem, como fica muito claro neste caso, demonstra a diferença na forma de se fazer e de se pensar o jornalismo. O óbvio e raso show ou as consequências de cada fato para a vida dos cidadãos e cidadãs?

O Luiz Carlos Azenha informa no Viomundo que pela TV a cobertura não foi muito diferente da feita pela Zero Hora. Segundo ele, o sorteio para as eliminatórias da Copa foi apresentado em uma “versão higienizada do Brasil para consumo da ‘família FIFA’”.

A Copa, nos grandes meios de comunicação tradicionais, é só futebol e espetáculo. Embora o argumento da competição seja futebol, ela envolve muito dinheiro e grandes implicações sociais, estes sim verdadeiramente relevantes para a vida das pessoas. Se futebol é importante para o brasileiro – e não nego que é –, ele ainda é lazer. Já a casa de tanta gente que está sendo removida é questão básica de sobrevivência e qualidade de vida. E a concentração de poder em torno de uma figura extremamente polêmica e antidemocrática como Ricardo Teixeira implica em decisões verticais sobre a organização de um evento que, sabemos, não é atividade exclusivamente privada, como uma empresa qualquer. A Copa do Mundo envolve dinheiro público e obras que vão mudar a vida das pessoas para melhor ou para pior. Não é possível que uma única e superpoderosa pessoa tenha o controle de como isso vai ser feito. E que ainda conte com o silêncio complacente da grande mídia em função de negociatas escusas.

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Foto: Adilson Filho, no Viomundo

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