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Nós também temos o nosso News of the World

O povo por aqui tem a memória um tanto curta. Isso não é novidade, mas às vezes é engraçado. Hoje quero falar numa situação aqui do Rio Grande do Sul, lembrada pela jornalista Beatriz Fagundes no jornal O Sul. A gente vê o que acontece pelas bandas europeias e aponta o dedo, como se o nosso telhado não fosse de vidro.

É o seguinte: o News of the World, jornal centenário (na verdade são exatos 168 anos) da Grã-Bretanha, fez uma coisa bem feia, não só para os parâmetros jornalísticos, mas dentro de uma noção ética de sociedade. Repórteres inescrupulosos pegaram o celular de uma adolescente desaparecida e apagaram algumas mensagens de seus pais, que renderam notícia, mas dificultaram a investigação e levaram a crer que ela ainda estava viva.

Vale aí lembrar de Cláudio Abramo e sua ética do marceneiro, no livro “A Regra do Jogo”, em que sustenta que a ética do jornalista é a mesma de qualquer cidadão. Dentro desta perspectiva, vale pensar também nos limites da profissão, que devemos sempre respeitar. Não se coloca em risco uma vida por uma manchete. Não se quebram sigilos por uma investigação. Não se invade a privacidade por um furo. Tem até palavra pra isso: respeito.

Pois e não é que a gente também teve nosso caso de “excesso de interesse jornalístico”, em um eufemismo cretino? Alguém aí lembra das senhas do sistema de segurança do governo do estado, utilizadas impropriamente durante o governo Yeda e, pior, vazadas para não-integrantes do governo? E olha que engraçado, esses não-integrantes do governo também eram imprensa, coincidentemente todos do mesmo grupo de comunicação, aquele que de forma ilegal mantém 18 canais de TV, jornais impressos, emissoras de rádio também ilegais (além da propriedade cruzada e do monopólio, há problemas na outorga da Rádio Atlântida e ilegalidade na Gaúcha, que transmite a mesma programação em AM e FM).

Cerca de dez jornalistas do Grupo RBS tinham acesso a senhas do sistema Guardião, da Casa Militar do Estado, e sabiam detalhes de diversas investigações fechadas. Tinham acesso até a fotos do filho pequeno da então deputada estadual Stela Farias, hoje secretária de Administração (ver aqui, aqui e aqui).

É sempre bom lembrar das coisas erradas que fazemos, para que não deixemos serem repetidas.

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  1. Ainda sem comentários.
  1. 19/07/2011 às 20:17

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