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Paulo Bernardo no #2BlogProg

Paulo Bernardo, o ministro das Comunicações, reconheceu a existência e a relevância da comunicação digital ao participar da abertura do II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, na sexta-feira (17). Mostrou, pelo menos, que sabe que algo está acontecendo por essas bandas e que é alguma coisa que merece atenção. Ele sabe que sua presença é altamente significativa, pela representatividade. Foi, aliás, justamente o fato de ele ter ido a parte mais importante de sua participação. Até porque não fez muito mais que isso.

Paulo Bernardo prestigiou o encontro, é verdade. Chegou, disse o que queria e foi embora. O ministro respondeu algumas perguntas – foram várias até –, mas isso não significa que ele tenha dialogado. Disse meia dúzia de coisas, mas não ouviu.

Um encontro de blogueiros não tem como finalidade principal fazer palestras. Por mais que elas sejam parte da construção, a importância do encontro está no fortalecimento da blogosfera e na elaboração coletiva de uma pauta de luta. Muito além do Plano Nacional de Banda Larga – extremamente importante, mas insuficiente se vier sozinho e na proposta que está sendo apresentada –, o que se pede é democratização da comunicação. Por isso, dos temas que o ministro poderia tratar, o fundamental, para que tenhamos pluralidade, é o marco regulatório, uma lei de meios.

Paulo Bernardo tocou no assunto – impossível não falar. Mas daquele jeito genérico, sem dizer nem quando nem como vai acontecer e, em boa medida, transferindo a responsabilidade para o Congresso.

Ele não ouviu o que querem os blogueiros. Não aproveitou o encontro para dialogar. Isso ficou muito claro quando Renato Rovai perguntou sobre a formalização da atividade de blogueiro, incluindo-a no Super Simples ou no programa Micro Empreendedor Individual. É um tema que vem nos preocupando e cujas soluções temos procurado. É uma questão urgente, e aquela pergunta do Rovai diretamente ao ministro soou como a possibilidade de alguma coisa acontecer. Mas Paulo Bernardo comentou por alto que era difícil, que tinha que ser algo mais genérico e que ia ver. E passou adiante. Se antes parecia difícil ver algo mudar no curto prazo, agora parece impossível até no longo.

O ministro não só não ouviu como tratou, em sua fala, de temas sobre os quais não parecia ter total conhecimento. Ainda que não dominasse as questões técnicas da qualidade de banda, como a necessidade de velocidade igual para download e upload como estímulo à produção – e não só ao consumo – de conteúdo, ele tinha que ter consciência política do que está tratando. Tinha que saber da importância estratégica da comunicação.

Não tem. Ele não vê que levar internet à população é mais que uma questão de igualdade de acesso, como acontece com água e luz. Que é, antes disso, uma alternativa para dar voz às pessoas e tornar a sociedade mais plural. É diminuir o poder de influência dos grandes meios de comunicação empresariais na elaboração da agenda de discussões. Paulo Bernardo em momento algum pareceu reconhecer a necessidade de ampliar a inclusão digital incluindo conteúdo pedagógico, garantindo a formação e a capacitação de comunicadores. Empoderando a rede.

Mas não estamos no pior dos mundos. Se a fala de Paulo Bernardo não foi satisfatória, ao menos ele esteve lá. Ainda que possa parecer, não é pouco. Sua presença reforça a importância política do encontro. E, bem, sempre poderia ser pior. Poderia ser um Hélio Costa, por exemplo.

Temos um ministro que pode não compreender do que estamos falando e principalmente por que estamos falando. Reconhece, porém, que nós existimos. Não é o suficiente, mas é um começo.

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  1. pperez
    19/06/2011 às 19:50

    É.De fato foi, mas foi como se não tivesse ido.
    Paulo Bernardo não quer enfrentar os grandes caciques da comunicações deste País.
    Algo que Brizola fazia com desenvoltura a um bom tempo atrás, cara a cara com as cameras da Globo, Paulo Bernardo sequer quer comentar!
    é lamentavel que um ministro das comunicações, ciente do poder destruidor que a midia detem neste País, ciente que uma estrategia para montar as politicas de governo podem ser destruida em minutos pelo poder das informações, resiste a trabalhar mais rapidamente para dotar o País de uma legislação para regulamentar as comunicações.
    De repente isto agora sairá pela casa civil com sua esposa, mais afinada e mais guerreira!

  1. 23/06/2011 às 12:34

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