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Estudantes pedem democracia na PUCRS

Estudantes protestam na PUCRS há quase uma semana contra a recorrente falta de democracia no DCE, presente mais uma vez nas eleições do Conune. Três chapas não foram homologadas pela gestão atual do DCE e há denúncias de agressão, ao que tudo indica, por parte de membros do DCE.

Diz o Sul 21 em uma matéria que contextualiza direitinho o que acontece na tal universidade católica: “As manifestações chegaram a reunir centenas de pessoas nas noites de quarta e quinta-feira. Os mais engajados acamparam em frente à sede do DCE. O estopim foi a eleição para enviar representantes da universidade ao Congresso Nacional da UNE (Conune), que será realizada no mês de julho, em Goiânia. Os manifestantes querem saber por que foi negada a participação de chapas de oposição no pleito e dizem ter sofrido agressões ao pedirem explicações. Mas o enredo principal é outro, que remete a várias gerações de estudantes: desde meados dos anos 1990, alunos da PUCRS denunciam que um mesmo grupo político domina a direção do DCE e se perpetua com pouca transparência na condução das eleições.”

Faz cerca de 20 anos que não há eleições democráticas no DCE da PUC. Um grupo político, ligado ao vereador Mauro Zacher (PDT), ex-presidente do DCE), toma conta do diretório e impede as eleições livres. Já houve até uma subcomissão formada na Assembleia Legislativa para investigar a situação, que constatou a ausência de democracia.

A seguir, carta divulgada pelo Movimento Atitude:

Carta Aberta às/aos Estudantes da PUCRS

Nos últimos dias diversas mobilizações aconteceram no campus envolvendo muitos estudantes. Foram três dias e duas noites de manifestação e acampamento em frente ao DCE para denunciar o processo eleitoral fraudulento, agressões físicas, às mulheres, e verbais de membros do DCE contra estudantes. O processo eleitoral de tiragem de delegadas/os para o Congresso da UNE (União Nacional de Estudantes) foi fraudado pelo DCE desde o seu início. A comissão eleitoral, composta por três membros do DCE, não homologou nenhuma das chapas de oposição e não apresentou as devidas razões. Pelo contrário, reagiram agressivamente gerando nos estudantes forte indignação. Nosso ato, portanto, vai contra esse poder centralizado já que diálogo não existe. E resistimos! Realizamos na noite fria do dia 9 de junho uma Assembleia Geral onde reunimos centenas de estudantes ansiosos por mudanças no DCE.

Sabemos que todos esses fatos não se dão de maneira isolada, sem vínculos com o passado. São, na verdade, parte de uma história de mais de duas décadas de crimes, violações e impunidade no nosso Diretório Central e em outros centros acadêmicos, como é o caso do CAMC, CAVM, CAENG e CAAP. Nesses espaços não acontecem eleições democráticas nem prestações de contas, além de haver uma clara ligação com um grupo do PDT, identificado com o vereador Mauro Zacher, envolvido em grandes esquemas de corrupção na cidade. Desse modo, entendemos que poucos são os espaços de representação discente na universidade, limitados a alguns Centros Acadêmicos que resistem.

Temos a clareza de que projeto de DCE defendemos. Sabemos que o pressuposto maior para a legitimidade de um espaço como esse é a democracia, a participação do maior número de estudantes. O DCE que defendemos deve estar em permanente diálogo, escutando nossos anseios em um espaço que é de todas/os nós e que deve ter a nossa cara! Defendemos uma universidade que permita e valorize a liberdade de expressão, que favoreça o encontro, a troca de saberes e que reconheça a diversidade como uma virtude. Desejamos que a universidade seja um espaço de debate de ideias e construções, comprometida com a liberdade e com a justiça social.

Continuaremos lutando por um novo processo eleitoral, para o DCE e para o CONUNE, livre da velha máfia e com ampla participação estudantil. Propomos à PRAC a realização de uma audiência estudantil para que todas/os estudantes tenham voz. Exigiremos ainda a devolução dos documentos que foram entregues para a inscrição das chapas e que foram utilizados pelos membros do DCE para que movessem ações improcedentes contra diversos integrantes do movimento estudantil. Acreditamos que se estivermos unidos chegaremos muito mais longe, contrariando o medo e a falsa idéia de que é impossível mudar. Com a participação de todas/os que se identificam com essa luta chegaremos cada vez mais perto da democracia na nossa universidade!

Boa luta pra todas/os nós que acreditamos que é possível mudar!

Porto Alegre, 10 de junho. Inverno de 2011.

Movimento Atitude

Fotos: Ramiro Furquim/Sul21 e Teia Livre, via @maikonkramer

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