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e-Books são “um passo atrás na história dos livros”, diz Stallman

Para o fundador do projeto GNU, livrarias virtuais restringem o uso das obras digitais e os usuários não são donos de seus arquivos.

À primeira vista, ebooks e e-readers parecem um bom avanço para clientes e empresas. Afinal, aumentam a quantidade de leitores e os preços dos dispositivos estão baixando, tornando-os acessíveis para mais gente.

E-books não são baratos, mas as vendas estão crescendo. Entre janeiro e fevereiro deste ano, o mercado vendeu mais de 164 milhões em livros digitais, de acordo com a Associação de Editores dos EUA. O crescimento foi de quase 170% comparado ao mesmo período em 2010. Mas as ferramentas de leitura atuais ainda não são boas para o público, afirma Richard Stallman, fundador do movimento software livre e do projeto GNU. Em um artigo chamado “The danger of e-books”, Stallman descreve a situação atual como “um passo atrás na história dos livros”. “Mais restritivos que a lei de direitos autorais”.

Livros podem ser comprados anonimamente, sem a necessidade de assinar qualquer tipo de licença de restrição de uso, declarou Satallman. Não é requerida nenhuma tecnologia do usuário e às vezes é mais adequado à lei de escaneamento e cópias.

Uma vez pago, o comprador é dono do livro e nem a editora, nem a livraria tem o poder de destruí-lo.

É um grande contraste em relação aos arquivos da Amazon, onde não apenas o usuário precisa se identificar, como também aceitar a “licença restritiva” de uso, acrescenta Stallman.“Em alguns países, a Amazon diz que o usuário não é dono do e-book. O formato é secreto e apenas o usuário que comprou o livro tem acesso a ele”.

Copiar livros digitais é “impossível devido ao recurso DRM (Digital Restrictions Management) presente no e-reader, o que é mais restritivo que os direitos autorais”, disse Stallman.

Além disso, a Amazon também pode deletar livros comprados, da mesma forma que fez em 2009 com “milhares de cópias da obra ‘1984’, de George Orwell. Devemos rejeitar e-books”, afirmou Stallman.

O argumento de Stallman é que “devemos rejeitar os e-books até que eles respeitem a nossa liberdade”.

Ele sugere que melhores formas de apoiar os autores seriam ” distribuir os fundos fiscais aos autores com base na raiz cúbica de popularidade de cada um, e também “projetar os e-readers com um recurso para que usuários possam enviar doações aos autores”.

Fonte: FNDC

  1. Ismael
    13/06/2011 às 16:43

    Para contextualizar um pouco melhor… Stallman ajudou a criar o Linux. “Linux” na verdade é o núcleo do sistema, o GNU, é o projeto que criou várias ferramentas que complementam o sistema. Além disso ele criou as licenças e o movimento de software livre, que inspiram por exemplo o Creative Commons .

    Tem muita gente que não gosta do Stallman, o considerando um “louco que não pragmático”.

    Só que a conta dessa versão do tal “pragmatismo” costuma ser sempre paga pelo povão, empresa não costuma ter problema.

    Ele nunca é contra tecnologia, o que ele é contra é a restrição de liberdade que vem embutida. E como no exemplo dos e-readers, nos induzem que é uma restrição intrínseca ao formato. Quando isso é uma deslavada mentira. Se tratam de restrições criadas artificialmente.

    O mesmo se dá com as músicas. Mais do que provado que é simples de compartilhar ou vender conteúdo sem restrições que não permitam rodar a música em número limitado de aparelhos.

    E as relações do artigo com as músicas continuam. Eu posso comprar um CD e emprestar para quantos amigos quiserem. O mesmo com o livro.

    As empresas tentam aproveitar o avanço da tecnologia, que barateia desde a produção até a distribuição e não repassar a economia ao público, já que os preços nunca baixaram. E pior, tentam usar a tecnologia para restringir o que se pode fazer com um produto pago, restrição maior do que tudo que já existiu.

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