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No Dia do Meio Ambiente… o que estamos fazendo?

No Dia Mundial do Meio Ambiente, convém uma breve reflexão, sem ranços e preconceitos, sobre o que estamos fazendo. De bom e de ruim.

Vale pensar sobre a nossa relação com a natureza, como se a víssemos de fora e não interagíssemos com ela. Como se não fôssemos parte, mas por outro lado tivéssemos o poder de decidir sobre ela. E sem consequências.

Quando entrei no debate do código florestal, não vim defender uma posição estritamente política. Eu sentia a necessidade de alertar meus poucos leitores para uma preocupação muito grande com as mudanças que decorreriam da aprovação do substitutivo que estava sendo proposto. E pelo fato de que a maioria dessas mudanças não tem volta.

O que me assusta é a extrema contradição do discurso empedernido e enfático, muito bonito, de que se não fizermos nada teremos graves consequências climáticas, ficaremos sem água, sem energia, teremos enormes enchentes, secas devastadoras etc. Um discurso que sai da boca dos grandes líderes mundiais, os mesmos que depois aceitam o lobby das grandes empresas e colocam o lucro à frente da vida.

Vale sempre lembrar que é da vida que se trata.

Convém comentar o que nossos meios de comunicação fazem pelo meio ambiente, ao discutir o tema de forma aparentemente bem intencionada e “ecológica”, mas superficial. Vale observar que a dedicação individual pela preservação ambiental que os jornais defendem parece isentá-los de cobrar das grandes empresas – justamente as mais poluentes – ou dos grandes fazendeiros – os que mais exploram os recursos naturais – sua dose de responsabilidade.

Cíntia Barenho levanta uma questão no blog do CEA que também fui obrigada a comentar quando vi acontecer. Na Zero Hora, os debates sobre o código florestal eram levantados pelo caderno Dinheiro, como se a única coisa em jogo fosse a produção. E como se produção de alimentos fosse dinheiro.

E assim costuma ser em quase todos os grandes veículos de comunicação, sobre quase todas as questões que envolvem meio ambiente. Dificilmente é lembrada a nossa relação cultural também com a natureza. As árvores que marcam cada local, os animais com os quais as crianças de cada região aprenderam a conviver… Fica difícil pensar no “Tempo e o Vento” de Erico Verissimo sem o angico, por exemplo.

Ao mesmo tempo, vem-se sentindo a força dos efeitos climáticos, o que alerta muita gente. Muitos são os que lutam na defesa do meio ambiente, ainda que alguns sejam tachados de radicais. A queda de braço não é fácil, porque do outro lado estão interesses muito poderosos, mas ela existe. Nem tudo, pois, está perdido.

Até porque é possível manter uma relação equilibrada com o meio ambiente. Não defendo que qualquer plantinha seja intocável, mas que cuidemos daquilo que é de fato importante para a preservação da vida. E isso inclui a preservação de nossos ecossistemas, em nome do equilíbrio ambiental.

Deixo estas linhas para que ampliemos o debate, para que pensemos um pouco. Sem ranço. Sem preconceito.

Foto: Adriano Becker – Pedras Altas, RS, 2008

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  1. 05/06/2011 às 19:29

    “…Somos parte sim senhor, somos filhos da mãe da terra…

    …tudo, tudo terminando, o ronco da moto-serra, quando menos se coopera, muito mais destruidor….

    …adonaram-se das mentes, botaram marca no mundo, transgenicamente tudo, envenenaram sementes…”

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