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Para Veja, quem cuida de casa, claro, é a mulher

Esgotaram as almofadas no mercado. Os consumidores, loucos pelo conforto, disputam a única que sobrou na loja aos tapas.

Almofada. Um objeto. Podia ser caneta, relógio, espelho, bolsa.

Mas na verdade são domésticas. Um objeto.

Na visão da Veja, um objeto. Exatamente isso. O preconceito de classe estampa a capa da Veja São Paulo, com a qual tive o desprazer de topar no aeroporto de Congonhas.

A matéria era a diminuição no número de empregadas domésticas. Pauta: trabalho. Em tantas matérias que tratam de questões trabalhistas, avalia-se o que muda na vida do trabalhador. Aqui não. Aqui, trata-se única e exclusivamente do conforto das donas de casa.

Repara ainda em outro detalhe: todas as personagens da capa são mulheres. Ou donos de casa ou dondocas ou domésticas. Porque quem cuida das coisas da casa, claro, são as mulheres, não importa se mandando ou obedecendo. Os homens nem tomam conhecimento a respeito, é assunto de mulher. Pff.

Os termos são sempre no feminino também, explicitando que quem trabalha nessas funções são sempre mulheres.

Preconceito de classe e de gênero em uma só capa de revista. Bingo.

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  1. 10/05/2011 às 21:04

    O meu grande receio do chamado “controle social da mídia” é exatamente esse. SE a Veja vai fazer uma matéria para a classe média paulistana, a patrulha ideológica vai considerar “preconceito de classe e gênero”. Tudo vai ser pautado pelo discurso simplista do “politicamente correto”.

    • Caio
      10/05/2011 às 23:37

      Mas realmente é simplista assim. Eles ofendem as mulheres pobres e a sociedade objetificando elas, e tratando elas como escravas. A sociedade deveria ter um meio para denunciar isso e cobrar providências.
      Se isso é simplista, talvez seja porque o próprio preconceito é algo que se faz através de simplificações, e por seu caráter ofensivo deve ser combatido. Com orgulho de ser politicamente correto.

      • 11/05/2011 às 16:45

        Caio, a matéria diz que está dificil contratar empregadas domésticas (babás, diaristas etc..), porque o número de pessoas diminuiu e o salário aumentou. Com todo o respeito, ninguém está a dizer que estão coisificando as domésticas ou de que esse é um trabalho escravo. O problema do pensamento políticamente correto é exatamente esse, se pega o específico e se generaliza. Ou seja algum patrão ou patroa trata mal uma empregada se generaliza de que esse é um serviço escravo, como você fez.

  2. 11/05/2011 às 7:50

    Paz e bem!

    “O número de mulheres que atuam nessas funções diminuiu, enquanto o salário aumentou”

    Será que a inVeja já ouviu falar em
    Lei da Oferta e da Procura?

  3. 11/05/2011 às 8:10

    Cris, aposto que tu estava de Allstar no dia que tirou essa foto. KKK

  4. Cleberson Silva
    14/05/2011 às 21:46

    A maioria esmagadora das empregadas domésticas são mulheres. Tanto é que o nome da profissão já vem no feminino.
    E na maioria esmagadora dos lares é a mulher que cuida da casa. Então, em uma capa que trata das domésticas planejada para ser várias pessoas puxando uma doméstica (indicando a falta delas no mercado), o que é normal colocar? Várias mulheres. óbvio.
    Qual o problema disso? É pura estatística.

    Mas não adianta, sempre tem uma patrulha ideológica de plantão para tentar desqualificar a revista por qualquer coisa que ela publicar, ainda que a argumentação dos patrulheiros seja puro sofisma. Lamentável.

  5. Ney Sá
    30/09/2011 às 20:59

    Parabéns pelo olhar atento, Cris. O foco no subliminar jornalístico é fundamental para quem reflete sobre o ofício e sua responsabilidade social. Não é uma questão de discutir o politicamente correto ou incorreto, é preciso superar esse maniqueísmo. A imagem certamente conduz o pensamento porque sua velocidade no cérebro é maior do que a das palavras (pura semiótica). Reflexão oportuna e que contribui para o nosso jornalismo. Abraço.

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