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Transformações e desafios na luta pela terra

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) vive um momento de impasse. Paradoxalmente, a pressão pela reforma agrária diminuiu na mesma medida em que caíram as desapropriações. No lugar de intensificar a luta para pressionar para que a reforma aconteça, o movimento encolheu em número de ocupações, de acampamentos, de manifestações, de gente diretamente envolvida na luta cotidiana.

Independente das motivações da Zero Hora para falar nisso – sabe-se que o jornal é um histórico agente pela criminalização do movimento –, uma matéria publicada neste domingo (03) retrata esse cenário de forma honesta. A melhoria da vida da classe trabalhadora, com mais empregos formais, melhor renda, programas de assistência social etc., fez com que muitos pequenos agricultores achassem mais atraente a vida na cidade do que no campo.

A vida no campo

De fato, a vida no campo é muito sofrida. O sacrifício, especialmente de quem não tem condições de investir em muita tecnologia, é enorme. E, muitas vezes, não é recompensado, já que um fenômeno climático fora de hora pode colocar toda a lavoura a perder. A falta de garantia de renda no campo, aliada às dificuldades de acesso a produtos e serviços da vida no meio rural desanimam o pequeno produtor e desmotivam sua permanência na roça.

A luta pela reforma agrária

O MST sofre dessas dificuldades e encolhe. Não porque a reforma agrária não seja mais necessária ou porque ela esteja acontecendo às mil maravilhas. Muito pelo contrário. A agricultura familiar produz 70% de todo o alimento consumido no Brasil. Por outro lado, o governo Lula quase nada fez pela redução das desigualdades no campo. O êxodo rural só faz se acentuar.

Lutar contra isso é muito difícil. Ninguém fica acampado meses ou anos porque quer. Os acampamentos e as ocupações são formas de fazer pressão política que exigem muito sacrifício – e que já sofreram muita repressão, vide o assassinato do sem terra Elton Brum, em 2009, em uma ocupação em São Gabriel, durante o governo Yeda. Apesar disso, a dedicação dos sem terra em exigir a reforma agrária fez com que esse tipo de mobilização se multiplicasse pelo Brasil e tornasse o MST o maior movimento popular da América Latina.

Depois de tanto tempo de luta, o desgaste é natural. Juntem-se a ele as novas condições de vida proporcionadas pelo governo Lula, que melhoram principalmente a vida na cidade, e está feito o cenário de esvaziamento.

Continua aqui.

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  1. 04/04/2011 às 10:31

    Existem interesses convergentes na sociedade, a inclusão social é um deles. Alguém pode ser contra isso? Por isso digo e repito, a boa luta não é ideológica.

  1. 04/04/2011 às 2:33
  2. 04/04/2011 às 20:34

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