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Porto Alegre comemora aniversário de costas para seus cidadãos

Esses dias um cidadão reclamava que a Prefeitura cogitava proibir o estacionamento de carros em algumas poucas vagas ainda remanescentes perto do Palácio Piratini, o coração do governo estadual, no Centro de Porto Alegre. Uma iniciativa, aliás, diferente das que a Prefeitura vem tomando nos últimos tempos.

O Centro é atrolhado. Passa muita gente a pé e, de uns tempos pra cá, também de carro na grande maioria das ruas. O governo José Fogaça (PMDB) liberou umas quantas ruas que antes eram exclusivas para pedestres para a circulação de carros. Liberou espaços históricos e culturais para estacionamento nos fins de semana, como o Largo Glênio Peres, na frente do Mercado Público. Seu vice José Fortunati (PDT) assumiu seu lugar com a mesma perspectiva.

Na imprensa, chamam a liberação dos carros de “revitalização do Centro”, que antes era, dizem, “sem vida”. As inúmeras vidas que se atropelam na correria do cotidiano, andando a pé pelas ruas apertadas não entram na conta da revitalização. Afinal, no critério desse pessoal, um lugar só tem vida se ostenta carros. Status.

Enquanto Porto Alegre esquece de seus pedestres em prol dos carros, outras grandes cidades já estão sendo obrigadas a rever a circulação nas áreas de maior movimento. São Paulo e Cidade do México fazem rodízio para que seja possível a circulação de veículos no Centro. Roma, mais radical, impede a entrada de carros em toda a área central, que abriga suas ruelas históricas. Londres cobra pedágio para que veículos circulem no Centro. Paris elimina o estacionamento gratuito em suas vias públicas. Em alguns casos, medidas emergenciais para que o trânsito não parasse de vez. Em outros, são alternativas para tentar tornar mais habitável e atraente uma área bonita, de relevância histórica e cultural, incentivando o turismo e a integração de seus moradores. Em vez de Porto Alegre olhar para esses exemplos e se prevenir para um futuro que certamente chegará, nossa administração segue no caminho contrário.

Porto Alegre anda para trás, traduzindo como progresso uma modernização equivocada que valoriza as grandes construções, que larga ao desleixo seus prédios históricos, que piora e encarece a cada ano o transporte público para que o veículo particular seja cada vez mais cobiçado e mais utilizado, atravancando nossas ruas.

Porto Alegre usa o conceito de modernização do novo rico, baseado no individualismo, no egoísmo, que resulta em uma falta de alternativas em quase todas as áreas, do transporte público ao turismo, passando pela habitação, pelo meio ambiente, pela saúde.

É uma pena ter que parabenizar Porto Alegre em seu 239º aniversário pelo retrocesso que vive.

Resta o consolo de que, apesar de algumas obras serem irreversíveis, nem tudo está perdido, e nossa linda e receptiva capital ainda tem saída. Basta boa vontade política e fiscalização cidadã. Tudo, claro, dentro de uma visão de coletividade que busque o interesse social, que privilegie o todo no lugar da parte.

Parabéns, Porto Alegre, pelo futuro de mudança que pode ter. Por ainda ter a oportunidade de reverter os erros políticos que vive. Ah, e que não demore, por favor.

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  1. Erik Bulhões
    27/03/2011 às 16:24

    Curiosa mistura de panfleto oposicionista com uma cruzada contra o automóvel.

    Só que a autora esquece que a maioria esmagadora da sociedade é favorável ao uso do automóvel, o que sinaliza que as medidas tomadas pela prefeitura estão na direção certa.

    Lamentavelmente, os sucessivos governos municipais tem se mostrado omissos e investido pouco para melhorar a infra-estrutura de transportes de nossa capital, fazendo com que, ainda que a quantidade de veículos tenha aumentado significativamente desde a estabilização da economia em 1994, tenhamos de trafegar em ruas que pouco mudaram desde os anos 80. Aliás, algumas mudaram sim, para pior, pois ganharam corredores de ônibus subutilizados, como o da Bento Gonçalves, por exemplo.

    • 08/07/2012 às 16:01

      Vejo a sequência da opinião do “mais fácil” neste comentário. É claro que muito pouco foi feito e que muito há de se fazer, mas posso começar pensando em minhas próprias pernas, e não na “comodidade” de andar de carro. Ontem li uma notícia que jurei ser fictícia, ou a chamada de algum filme sobre nossa idiotização: carros do futuro terão piloto automático para lentidão. Isso é mesmo muito engraçado.

  2. luizmullerpt
    27/03/2011 às 19:23

    Cris

    Tens razão em tudo que dizes. E esta errado o Erik em tudo que diz. Não é só um problema da quantidade de veículos. É também o problema da poluição que contamina o ar. corroendo pulmões das pessoas e os prédios históricos pelo acúmulo de produtos quimicos exalados pelos carros. É por isto que Roma e Florença proibem a circulação de carros pelo centro histórico e suas adjacências nestas cidades. A Prefeitura deveria estar preocupada em oferecer um transporte público de qualidade e abrir espaço para os ônibus, lotação e taxis. Por outro lado, a mentalidade retrógrada que faz acreditar que é necessário alargar ruas para os carros e limitar cada vez mais o fluxo de pessoas a pé, existe de fato, como bem o expressa a opinião do sr. Erik. Mas esta tem a ver com o senso comum, que coloca o imediato na frente do estratégico. Governantes não podem pensar só no imediato. Tem que pensar no longo prazo. E não há como alargar ruas e mais ruas, construir viadutos e mais viadutos, só por que os individuos querem andar de carro e deixá-lo estacionado o cia todo em uma rua ou em uma garagem do centro, por que isto representa “status”. Eu não tenho carro. Ando de bicicleta, de ônibus, de lotação, de trem e até de taxi. Gasto menos e não me estresso como os doidos motoristas, que vem pela manhã ao centro, estacinam seu automóvel, deixam ele estacionado o dia inteiro, e só vão pegá-lo a noite para ir para casa. Aí provocam o congestionamento que odeiam e que os estressa, demoram pra chegar em casa…e culpam as ruas estreitas. Deviam pegar ônibus. Os ônibus chegariam mais rápido, pois não haveria o enagrrafamento dos carros com uma só pessoa em cada um. Este é pois um problema que só é solucionado integralmente, juntando a consciência dos cidadãos com a gestão estratégica de toda a cidade, e não com as paliativas soluções que hora são oferecidas à sociedade.

  3. Daniel Kieling
    27/03/2011 às 19:27

    Que texto bem ruim, EU ADORO CARROS, GOSTO DE CARROS E QUE BOM ANDAR DE CARRO NO CENTRO!

  4. 27/03/2011 às 22:37

    Concordo com os argumentos do Luiz e com a Cris. Precisamos de um progresso verdadeiro, inteligente e sustentável dos pontos de vistas social e ambiental.
    Quando o Erik diz que “a maioria esmagadora da sociedade é favorável ao uso do automóvel”, vale lembrar, também, que a mesma parcela da sociedade é teleguiada pelo marketing das empresas que lucram oferecendo aos consumidores objetos de desejos consumistas. Estas empresas não estão, inclui-se aqui as mídias tradicionais conservadoras (PIG), nem um pouco preocupadas com o futuro da nossa cidade. Diferente disso, espera-se que nossos administradores públicos pensem estratégicamente o futuro da nossa cidade.

    • Cleberson Silva
      28/03/2011 às 0:26

      Teoria interessante essa sua, algo como: “todos que não concordam com minhas opiniões hippies são idiotas consumistas manipulados pela imprensa conservadora a mando das grandes corporações”.
      Convenhamos, é um pensamento pra lá de delirante, e, por que não, paranóico.

      Mas ainda que sua brilhante teoria fosse verdade e todos que gostam de carros fossem realmente abobados, como defendes, isso pouco importa, pois estamos em uma democracia, e nela a vontade da maioria é a que prevalece.

      E a maioria (esmagadora) prefere carro a transporte coletivo/alternativo. Só usa transporte coletivo quem não tem condições de ter um carro.

      Qual a solução, então? Possibilitar que todos que quiserem tinha seu carro, ora bolas.
      Se metade do preço de um carro novo é imposto, basta desonerá-lo de IPI, ICMS, PIS e COFINS que o preço cairá pela metade, acarretando, consequentemente, a redução do preço dos carros usados, e assim toda a classe C e até mesmo a D poderia comprar seu carro. Simples assim.

      Aí vai um discurso do ex-presidente Lula que retrata bem os desejos da sociedade:

      “Eu quero que os pobres também tenham carros. Então, nós, prefeitos e governadores temos que construir mais ruas. Nós temos que fazer metrô, temos que fazer o trem, mas temos que parar com essa ilusão de que fazendo metrô vai tirar o apetite de um pobre ter um carro”, afirmou, levantando aplausos de operários que trabalham no complexo e lotaram o espaço preparado para o evento.

      “Aqueles que pensam isso têm o seu próprio carro. Eles querem que os pobres deixem a rua livre para eles. Nós queremos ter o direito, nem se for para quando chegar no sábado, de colocar o carro na porta de casa e ficar a família inteira lavando a calota e passando a mão no carro’, completou, arrancando gargalhadas da plateia.

      • Cleberson Silva
        28/03/2011 às 0:28

        Saiu com erro de digitação: “possibilitar que todos que quiserem TENHAM seu carro”

  5. 29/03/2011 às 14:30

    Porto Alegre tem de abrir suas portas e comportas para o rio ou lago Guaíba. Tem de se fazer o projeto do Cais Mauá, tem de fazer metrô, tem de melhorar o transporte público para que a classe média, cada vez maior, utilize esse tipo de transporte, tal como ocorre nas grandes cidades européias e americanas. Mas preferimos, infelizmente, ingressar na discussão burra e idiota de valores ideológicos. Como diz o filósofo francês Luc Ferry: o maior atraso que existe no mundo contemporâneo é a discussão religiosa e ideológica.

    • 29/03/2011 às 16:29

      Que discussão não é ideológica?

      • 31/03/2011 às 14:01

        As discussões produtivas e inteligentes não são ideológicas. Tudo que é mediocre faz parte ou de uma discussão ideológica ou religiosa. Existem pontos convergentes (e portanto longe da divergência ideológica) na discussão social: a geração de empregos, a inclusão social, a melhora da qualidade de vida, o respeito ao meio ambiente. Alguém pode ser contra isso? Muitas vezes se torce o nariz porque o empreendedor, o capitalista, vai colocar dinheiro em parcerias públicas, como é o caso do Cais Mauá. E ficamos no lero lero da discussão ideológica. E o tempo passa e nada se faz. Isso é burrice, isso é mediocridade, isso é discussão ideológica.

        • 31/03/2011 às 16:23

          Essa tua posição é ideológica, Carlos.

  6. 01/04/2011 às 12:00

    Então minha ideologia é contra o atraso e contra a burrice.

  7. rODRIGO fERNANDES
    24/06/2011 às 5:17

    Eu acho que deveria construir grandes estacionamentos subterranios em torno do centro e proibir carros no centro de porto alegre, somente bicicletas, no caso esses bicicletas poderiam ser alugadas pelos motoristas nos prprios estacionamentos.

    • Felipe
      15/07/2011 às 11:56

      SUBTERRANEOS OU SUBTERRAQUEOS OU SUBHUMANOS?

  1. 27/03/2011 às 19:36

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