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A liberdade seletiva do Instituto Millenium

Aconteceu hoje mais um Fórum da Liberdade, no Rio de Janeiro, organizado pelo neoliberal Instituto Millenium. Um bando de gente reúne-se para debater a liberdade de acordo com o seu conceito ideológico. Eles se furtam de discutir para quem é a liberdade que defendem. Quando o diretor de conteúdo do Grupo Estado ou o vice-presidente institucional e jurídico do Grupo RBS fala em liberdade de comunicação, por exemplo, ele se refere à atual liberdade de disputar comercialmente quem tem mais dinheiro para estabelecer um grande grupo de comunicação que influencie a opinião pública ou o acesso de toda e qualquer pessoa, independente de raça, credo, classe social, região, gênero, à produção de conteúdo?

Será que um escritor que critica a criação de leis por parte do Estado com base no argumento da liberdade de cada cidadão também é contra a lei que proíbe a organização sindical, aprovada semana passada pelo estado de Wisconsin, nos Estados Unidos? Esquece o dito pensador que o Estado existe com a função, entre outras, de criar leis para permitir que a liberdade seja para a maioria das pessoas. Para que os mais fortes ou poderosos não imponham suas ideias ou vontades sobre os outros cidadãos por causa do poder que detêm. Ou seja, para que o lema de que a liberdade de um termina quando começa a do outro seja respeitado.

Mas o Fórum não deixa de ser divertido. Uma mesa com a participação de Leandro Narloch, Marcelo Tas, Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino, com a mediação de Monica Waldvogel, por exemplo, deve ter sido um excelente programa de humor. Hilário é também um livro intitulado O Estado-babá, daquele pensador que critica a criação de leis. O Fórum da Liberdade é isso, uma comédia da sociedade atual. Uma reunião de ditos pensadores em defesa de uma ideologia fracassada, que, ao ser colocada em prática, gerou a maior crise mundial desde 1929. Aliás, o correto seria que nem precisássemos mencionar esse tipo de evento, se não estivéssemos presenciando um renascimento do neoliberalismo na União Europeia e nos Estados Unidos, que aplicam no doente o vírus que o acamou.

O contraponto

Nos dias 10, 11 e 12 de abril, acontece em Porto Alegre o Fórum da Igualdade, com uma agenda voltada para a inclusão social, em uma programação em torno da questão da comunicação, com protagonismo de blogueiros, chargistas e outros distantes da tal grande imprensa que participa ativamente de discussões como a que se deu hoje no Rio. Apesar de louvar a iniciativa de um contraponto, fica a ressalva de que liberdade e igualdade não se opõem, mas se complementam, como já comentei por aqui. O Fórum da Liberdade não valoriza a igualdade, mas o contraponto deve enfatizar a existência de ambas, combinadas.

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  1. Gunnar
    17/03/2011 às 9:18

    Muda pra Cuba, lá existe exatamente essa “liberdade com igualdade” que você tanto quer.

  2. Charles Goodwell
    17/03/2011 às 18:13

    “Eles se recusam a discutir para quem é a liberdade que defendem”. Nunca ouvi bobagem igual na minha vida. Eis aí a exalação do preconceito logo no primeiro parágrafo. Como se princípios gerais fossem necessariamente individuais. Dá licença moça, assim não dá. Corra para a TV Brasil. Lá sim tem capital a beça, mas não tem telespectadores. Então que magia é essa que o capital tudo pode? Parece que essa gente não se flagra nunca. O preconceito sempre fala mais alto.

  3. 17/03/2011 às 22:45

    Liberdade sem igualdade, é uma falsa liberdade. Num exemplo, se nos trancafiarmos dentro de casa por medo da violência (que tem dentre as suas causas justamente a desigualdade), isso não se dá por “livre e espontânea vontade” (embora possa parecer), logo, cadê a liberdade?

    Sem contar que essa falsa liberdade, até na ditadura se tinha: bastava não ser contra o governo.

  4. 18/03/2011 às 11:10

    Agora que reparei na presença do Rodrigo Constantino nesse evento. É o cara que certa vez foi acusado pelo Olavo de Carvalho (argh) de ter “avermelhado”!

  5. Cleberson Silva
    18/03/2011 às 23:28

    “Esquece o dito pensador que o Estado existe com a função, entre outras, de criar leis para permitir que a liberdade seja para a maioria das pessoas. Para que os mais fortes ou poderosos não imponham suas ideias ou vontades sobre os outros cidadãos por causa do poder que detêm.”

    E, com isso, o Estado, mais forte e poderoso, impõe as ideias e vontades da facção política que o controla sobre os outros cidadãos por causa do poder que detém. Qual a diferença, além do discurso?

  6. henrique
    05/04/2011 às 0:26

    “Muda para Cuba então” , Abaixo o comunismo”, As mesmas ladainhas de sempre, desde 1964 Instituto Milenium = IBAD / IPES, qual será a próxima deles? Marcha em favor da família ?

  7. Rafael
    10/04/2011 às 21:18

    A “liberdade” que a autora do post deseja é aquela controlada pelo partidão. Não são poucos os figurões que andam por aí dizendo que “liberdade tem limites” quando escutam algo que lhes soa desagradável. O muro caiu há décadas, mas essa gente finge que não viu.

  8. Gabriela Coutinho
    02/06/2011 às 20:26

    Sinceramente, ainda bem que não esperei muito deste texto, impregnado de “achismos”, falta de profissionalismo, onde prefere emitir a própria opinião infundada ( pelo menos argumento foi o que você não apresentou, além de um joguete de palavras como “liberdade não exclui igualdade e sim se complementa”), isso depende muito do que você julga igualdade e liberdade, como você é assumidamente esquerdista, você sabe que ao contrário do que temos no neoliberalismo segundo a sua opinião, uma batalha de mídias poderosas pelo controle da opinião geral, em um regime comunista, há um monopólio geral baseado no aparelhamento estatal, enfim, gerando um pensamento único.No mais, infelizmente não há nenhum argumento consistente, não sei se por má vontade né, pois acredito que uma moça graduada em jornalismo certamente deve ser dada ao hábito da leitura.
    Por isso não aconselharei você a ler mais sobre o assunto e sim a se comprometer mais com a verdade e escrever textos menos tendenciosos e parciais, se possível claro.

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