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Reforma Política: Propostas

Por Demétrio Valentini, no Correio do Brasil

Tendo presente que a reforma política tem por objetivo melhorar o relacionamento entre o Estado e a Sociedade, diversos pontos se apresentam como urgentes.

É preciso regulamentar o Artigo 14 da Constituição, que prevê os diversos estatutos de exercício da democracia direta, como Plebiscito, Referendo e Iniciativa Popular de Lei. 

Uma primeira tarefa, muito clara, é regulamentar o Artigo 14 da Constituição, que prevê os diversos estatutos de exercício da democracia direta, como Plebiscito, Referendo e Iniciativa Popular de Lei.

Para esta, existe a sugestão de diminuir a porcentagem de assinaturas, requeridas até agora, de um por cento dos eleitores. Esta diminuição teria por finalidade facilitar o encaminhamento de iniciativas populares de lei, incentivando a participação dos cidadãos.

Diante de fatos como os ocorridos nestes dias em países árabes, de massivas e confusas manifestações populares, salta aos olhos a conveniência de dispor de estatutos seguros, bem ponderados e realistas, de expressão da vontade popular diante de situações que requerem um posicionamento da nação. Está mais do que na hora de regulamentar esses estatutos de democracia direta, de modo que se tornem facilmente viáveis, e ao mesmo tempo se enquadrem dentro de normas que garantam o seu uso de maneira responsável.

Outra evidência, que aponta para providências claras e urgentes, é a Reforma Eleitoral.

Lembrando as tristes manipulações acontecidas nas últimas eleições, é mais do que urgente a regulamentação do uso da Internet nas campanhas eleitorais, de modo a identificar os responsáveis por difusão de matérias, e coibir os abusos que possa haver.

Ainda dentro do âmbito da reforma eleitoral, está a proposta do financiamento público das campanhas eleitorais, em vista do claro objetivo de proporcionar igualdade de condições entre os candidatos.

Este ponto precisa ser inserido dentro de outras providências, que garantam o exercício da política de forma transparente e ética.

Entre estes pontos, um imprescindível é a remodelação da legislação dos partidos, contemplando sobretudo a fidelidade partidária, de modo a garantir a importância dos partidos políticos como instâncias de formulação das políticas a serem implementadas. Entre as conseqüências da nova lei de fidelidade partidária, deve resultar muito claro que os mandatos decorrentes das eleições, são dos partidos, e não primordialmente dos parlamentares. Quem sai do partido, perde o mandato. .

Uma providência que se apresenta útil, é o aumento da “cláusula de barreira”, para dificultar o surgimento de novas siglas, evitando a proliferação interesseira de instrumentos políticos que depois acabam sendo mercadorias negociáveis. A reforma política precisa estar atenta às degradações, sempre possíveis, sobretudo em tempos de campanha eleitoral.

Do jeito como está agora o Parlamento, fica evidente a distância dos parlamentares com as bases, e a fácil desvinculação com os eleitores. Para que o parlamentar se sinta de fato representante de um grupo de eleitores, será necessário chegarmos a alguma forma de “distrito eleitoral”, não só em função das eleições, mas sobretudo para o exercício responsável do mandato parlamentar. Com o Distrito Eleitoral seria possível superar o atual estatuto das “emendas parlamentares”, para que verbas do orçamento federal não sejam distribuídas aleatoriamente, mas aplicadas estrategicamente em função do desenvolvimento local, racionalizando os investimentos públicos. Poderia ser constituído, em cada distrito, uma espécie de conselho de desenvolvimento, presidido pelos parlamentares representantes do distrito, e contando com adequada representação da cidadania. Seria assimilar a experiência do “orçamento participativo” no exercício dos mandatos parlamentares.

Outra iniciativa que contribuiria, certamente, para melhorar o exercício da política seria instituir uma Justiça Eleitoral exclusiva, permanente, com a incumbência de dirimir rapidamente as pendências. Ela se tornaria ponto de referência indispensável para as diversas situações do exercício da política, em todos os níveis do poder. Assim, a política seria melhor servida de instrumentos adequados, e ficaria superada a precariedade atual.

São propostas, como pode haver outras. O bom é despertar logo o debate, para identificar os pontos a serem discutidos. É preciso reviver o clima da Constituinte, para reacender o processo participativo na definição do nosso processo político.

Dom Demétrio Valentini – Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira

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  1. 21/02/2011 às 20:41

    Clausula de barreira é um crime contra a esquerda e partidos decentes. PArtidos de aluguel não tme problema em se juntar a outros e continuar seu caminho (vide PL e Prona e tantos outros qd a clausula foi aventada). Só a Esquerda efetivamente sofreria.

  2. Cleberson Silva
    22/02/2011 às 2:03

    O termo “financiamento público de campanha” dá a entender que o candidato vai devolver esse dinheiro após a eleição, embora de forma parcelada e em suaves prestações, tal como um financiamento imobiliário. Só que pela proposta não há financiamento público e sim custeio integral pelo Estado. Aí é dose de engolir.

  3. 28/05/2011 às 15:36

    sou presidente de um partido quero saber se tem algum tipo de financiamento para canpanha de prefeito e vereadores para eleição de 2012

  1. 21/02/2011 às 20:25
  2. 22/02/2011 às 0:52

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