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É falso o déficit zero de Yeda

Estado é o 16º colocado em ranking de investimento em educação, abaixo da média nacional. É também o que tem piores índices de Ensino Fundamental, evidentemente como consequência da falta de investimento.

E aí aparece a governadora Yeda Crusius propagandeando seu déficit zero. Diz ela que zerou as dívidas do Rio Grande do Sul, o que foi sua principal arma de campanha. Defende o déficit zero como se tivesse colocado o estado em outro patamar, como se tivesse promovido desenvolvimento.

Balela! A imprensa gosta muito de usar a dona de casa como exemplo. Pois pergunta pra qualquer chefe de família o que acontece se ele deixa de comprar comida pra pagar as contas. O mesmo que aconteceu com o Rio Grande do Sul: subnutrição. No caso do estado, subnutrição política.

É quando o governo deixa de investir em serviços básicos como saúde, educação, segurança. Já entro no mérito das dívidas em si, mas digamos que esse déficit zero seja verdadeiro. Certamente não faltarão partidários da política de colocar a casa em ordem para depois investir e promover o crescimento. Agora façamos um exercício: imaginemos o cidadão que está passando mal, chega no posto de saúde e não tem médico. O que ele diria de investir em saúde depois de zerar as dívidas?

Ou o fulano que teve um problema, ligou para o 190 e, ou não foi atendido, ou recebeu como resposta que o oficial não tem “faculdades mentais” para solucionar a questão.

É só conversar com alguma mãe para lamentar que seus filhos estarão adultos e serão provavelmente analfabetos funcionais quando o governo decidir investir em educação. As crianças não esperam crianças para ter professor na quinta série. Elas não param no tempo, e isso acontece com toda uma geração. Desenvolvimento sem educação não funciona. Quem vai tocar os projetos que são bons para o estado daqui a alguns anos? Quem vai ser escolhido para votar as nossas leis? Essas mesmas crianças que ficaram com escola pela metade durante o governo Yeda.

O fim das dívidas é uma mentira

E o mais grave é que nem o déficit zero é verdadeiro. Ou seja, a única coisa que Yeda teria para dizer que fez direito no governo é uma falácia. Ela pode até ter pago as dívidas com os organismos nacionais e internacionais, que acumulavam somas volumosas. Mas e as dívidas com seus cidadãos? Deixemos de lado uma possível interpretação de que não investir em saúde é contrair uma dívida com a sociedade. Partamos para uma avaliação mais concreta e menos ideológica.

É inegável que o governo do Rio Grande do Sul acumulou por muito tempo inúmeros precatórios, que só fizeram aumentar, à medida em que foram pagos em velocidade menor do que outros novos eram acrescentados à conta. É uma dívida. Não digo que foi obtida pelo governo Yeda, mas não foi paga e impede que se afirme que o RS não tem mais dívidas. A diferença é que os credores são um sem número de pessoas físicas, com quantias proporcionalmente muito pequenas cada. As dívidas pagas foram obtidas de poucas pessoas jurídicas, com um montante muito maior concentrado. O que faz com que a dívida do governo comigo não seja considerada e a com o Banco Mundial sim?

Na melhor das hipóteses é possível avaliar que o governo Yeda faz pouco caso dos seus cidadãos, por desconsiderá-los quando algo lhe diz respeito.

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