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Mercado Público de Porto Alegre desencoraja o uso da bicicleta como transporte

Post atualizado dia 30/11, às 19:36:

O resultado da falta de visão do governo Fo-Fo é o absurdo relatado pelo blog Massa Crítica. Ao mesmo tempo em que dá seguimento a uma política de construção desenfreada, defendendo que sejam erguidos grandes complexos onde o trânsito não tem mais por onde escoar, desencoraja o uso da bicicleta como meio de transporte. Vejam bem, não é que não incentiva, é pior: quer que os poucos corajosos desbravadores das ruas de Porto Alegre parem de usar o meio de transporte mais eficaz e ecologicamente correto para distâncias não muito longas. Segue o relato:

Na última quinta-feira, dia 25 de novembro, fomos como de costume fazer compras no Mercado Público de Porto Alegre em nossas bicicletas. Porém, como havia uma feira no largo Glênio Peres, não pudemos acorrentar nossas bicis nos postes da área e decidimos, na falta de local mais adequado, prendê-las nos portões do Mercado.

Fizemos nossas compras tranqüilamente e quando retornamos para pegar nossas bicicletas veio a surpresa: além da nossa corrente, havia outra corrente prendendo-as ao portão. No final das contas descobrimos que o cadeado era da equipe de segurança do Mercado e que eles possuem a ordem de acorrentar as bicicletas para desencorajar a prática. Indignados, mandamos um e-mail para a coordenação do Mercado Público, com cópias para vários e-mails da SMIC (Secretaria Municipal de Indústria e Comércio) e recebemos a seguinte resposta, no qual a responsável nos diz para deixar nossas bicicletas para momentos de lazer ao ar livre e não para utilizá-la como transporte para ir até o Mercado Público:

Em 29 de novembro de 2010 15:47,
<…@smic.prefpoa.com.br> escreveu:

Boa tarde.

Entendemos sua indignação mas, em uma cidade como Porto Alegre, onde não é habitual usar bicicletas como meio de transporte, uma situação como o ocorrido não é de surpreender.
Não estamos preparados para receber ciclistas e nem há previsão de bicicletário no Mercado Público. Não existem avisos por ser considerar-se óbvio que, em local público, não seja esperada a visitação acompanhada por bicicletas ou animais domésticos não havendo, portanto, um local que seja adequado ou seguro para deixá-los.
A orientação de prender ou apreender bicicletas é utilizada para desencorajar e advertir a prática, pois não podemos ser responsáveis por possíveis danos ou mesmo roubo que possam  ocorrer.
A partir de seu contato, pensaremos em soluções adiantando que tais  projetos precisam de um prazo razoável de avaliação.
Pedimos que considere as medidas tomadas não como grosseria, mas como um meio de proteger seu patrimônio pessoal.
Não deixe de vir ao Mercado  para prestigiar Eventos, fazer compras ou passear. Deixe sua bicicleta para aproveitar momentos de lazer ao ar livre. Já conseguimos progressos em construir ciclovias. Como vê, estamos “chegando lá”.
Esperamos sua compreensão.
Att
Coordenação de Próprios / SMIC

Alô, Prefeitura! Alô, Mercado Público! Ninguém quer que vocês se responsabilizem por possíveis danos a nossas bicicletas, só queremos um local apropriado para deixá-las enquanto fazemos nossas compras.

“Deixar nossas bicicletas para momentos de lazer ao ar livre”? É essa a visão da Prefeitura Municipal de Porto Alegre?

Se por acaso, alguém que vier a ler esse post, e também ficar indignado com isso, por favor, clique aqui para mandar um e-mail manifestando a sua opinião para nossos, assim chamados, “dirigentes”.

——————-

A seguir, as respostas fornecidas pela Prefeitura de Porto Alegre. Vale ressaltar que, entre uma e outra houve diversos comentários e reclamações. Para acompanhar a discussão, leia o post original.

Que feio, pessoal.

Sou responsável pela resposta ao e-mail e estou segura de não ter cometido abusos. O entendimento “desencorajar a utilização da bicicleta como meio de transporte” não é verdadeira. Já retifiquei e a expressão “desencorajar” se refere a deixar bicicletas de maneira incorreta “estacionadas” no interior do Mercado não havendo aquí um biciletário. Nunca, em tempo algum, houve intenção de desrespeitar direitos, mas é necessário haver regulamentos. Nada impede, porém, sejam feitos ajustes após avaliação da viabilidade que conforme já citado não poderá ser de imediato. Mobilizar a opinião pública de forma distorcida, não é correto. Há meios de se conseguir se fazer entender e exercer nossos direitos de cidadão requisitando para o Poder Público o que nos é necessidade.

E qualquer acusação tem por direito a defesa. Eis aquí, a minha.

Atenciosamente

Angélica

Bom dia, Fred.

Perdoe. Minhas palavras foram colocadas de modo incorreto. A dimensão do entendimento foi superior ao que tentei passar. A Prefeitura não é, em absoluto, contra a utilização de bicicletas. Quiz dizer da dificuldade do Mercado no momento, por ainda não possuir bicicletário e do prazer e segurança em se utilizar ciclovias. Estamos trabalhando para que não aconteçam mais transtornos aos frequentadores do Mercado. Esta polêmica será válida para que se reformule o regulamento. Logicamente, está assegurado o direito de ir e vir utilizando o meio de transporte que mais lhe convenha.

Lamento ter sido infeliz na resposta.

Att.

Angélica Paiva Pereira

Senhores Munícipes:

Tomei ciência da resposta dada por uma servidora do Mercado Público acerca da questão das bicicletas. Apresso-me em desculpar-me com todos os que escreveram à SMIC, alguns indignados, informando que foi uma posição pessoal da colega, que não representa a visão da Secretaria, nem do Governo. A seguir, compartilho nossa visão:

A) É necessário sim o estimulo a transportes alternativos, tanto no diz respeito à qualidade de vida, especialmente no que concerne ao meio ambiente. No caso das bicicletas também uma melhor saúde;

B) De fato o Mercado Público não dispõe de uma estrutura que acomode as bicicletas. Já determinei que providências sejam tomadas no sentido de disponibilizar o mais breve possível um bicicletário;

C) Vale lembrar, sem querer apontar culpas ou responsáveis, que o Mercado tem 141 anos, e que até hoje governos de todas as matizes ideológicas ainda não haviam se apercebido desse lapso, que o presente episodio ajuda a aclarar;

D) Importante registrar também que a origem desse problema de agora, deveu-se ao fato de que uma bicicleta foi acorrentada em um dos portões do Mercado Público, o que também não é correto. Mas compreendemos que certamente isso ocorreu pela indisponibilidade do equipamento adequado para a guarda das bicicletas;

E) Eu próprio, como vereador e líder em 2009, fiz incluir na ordem do dia da Câmara de Vereadores a votação – e trabalhei pela aprovação – do Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre;

Reiterando nossas escusas, lamento somente o teor de alguns e-mails, que se valem de adjetivos e excessos que certamente não contribuem para a construção de caminhos positivos, imputando ao Governo, como disse anteriormente, o equivoco de uma servidora, que também não pode ser condenada por isso. Precisamos exercer a virtude da tolerância.

Por último, dizer que é visão desta secretaria e sob, o comando do Prefeito Fortunati, prestarmos um serviço público eficiente, ouvirmos o cidadão, corrigirmos equívocos e a cada dia tentarmos melhorar nossa cidade.

Atenciosamente,

Valter Nagelstein

Secretário Municipal da Produção, Indústria e Comércio.

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  1. 30/11/2010 às 17:51

    Cristina,
    o secretário da SMIC postou uma resposta nos comentários. Cabe dar uma olhada.

  2. 30/11/2010 às 18:41

    Olá Cris, mandei este email:

    “Caros senhores e senhoras,

    Mando este email para questionar, criticar e dialogar com os responsáveis pela administração da prefeitura sobre a questão do transporte público alternativo em Porto Alegre. Numa cidade em que cada dia que passa é afogada pelos carros e motos, a utilização das bicicletas é uma alternativa que deveria ser incentivada pela atual administração e não desencorajada, como no caso recentemente ocorrido e que teve como resposta este email que segue:

    Em 29 de novembro de 2010 15:47,
    escreveu:

    “Boa tarde.

    Entendemos sua indignação mas, em uma cidade como Porto Alegre, onde não é habitual usar bicicletas como meio de transporte, uma situação como o ocorrido não é de surpreender.
    Não estamos preparados para receber ciclistas e nem há previsão de bicicletário no Mercado Público. Não existem avisos por ser considerar-se óbvio que, em local público, não seja esperada a visitação acompanhada por bicicletas ou animais domésticos não havendo, portanto, um local que seja adequado ou seguro para deixá-los.
    A orientação de prender ou apreender bicicletas é utilizada para desencorajar e advertir a prática, pois não podemos ser responsáveis por possíveis danos ou mesmo roubo que possam ocorrer.
    A partir de seu contato, pensaremos em soluções adiantando que tais projetos precisam de um prazo razoável de avaliação.
    Pedimos que considere as medidas tomadas não como grosseria, mas como um meio de proteger seu patrimônio pessoal.
    Não deixe de vir ao Mercado para prestigiar Eventos, fazer compras ou passear. Deixe sua bicicleta para aproveitar momentos de lazer ao ar livre. Já conseguimos progressos em construir ciclovias. Como vê, estamos “chegando lá”.
    Esperamos sua compreensão.
    Att
    Coordenação de Próprios / SMIC”

    Assim, relato aqui minha posição, de que visões como essa atendem à uma lógica que contrapõe aos interesses da população porto-alegrense, que de certa forma vê seu direito legítimo de ir e vir cerceado por uma visão que além de não apoiar, mostra-se visivelmente contrária à política de utilização de transportes alternativos em nossa cidade, tão necessário e urgente.

    Att.

    Guilherme Bernardi

  3. 01/12/2010 às 10:14

    Incrível, fantástico, extraordinário! E hilário…

  1. 30/11/2010 às 17:50
  2. 25/03/2011 às 20:06

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