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É, a Feira tem que mudar

Quando li o título “A Feira precisa mudar”, do Marcelo Carneiro da Cunha, postado no RS Urgente, pensei de cara que sim, tem que mudar mesmo, os livros são muito caros – isso sem falar na situação episódica de termos metade da praça cercada de feios e opressores tapumes. Depois me envergonhei um pouco de ter tido um pensamento tão banal diante da amplitude da análise do Marcelo.

Mas agora sustento. Acho que tem que mudar, sim, sem perder seu jeitinho, claro. O problema é que, se não mudar, o jeito vai se perdendo por si. Boas as ideias do Marcelo, que incentivemos a cultura, a leitura.

E defendo que os preços baixem. Esse ano, não só o desconto se manteve em inócuos 20%, mas os saldos vão fracos, com poucos títulos bons e preços mais altos. Baixar o preço não é só fazer a alegria de leitores ávidos por rechear a estante com novos autores. Aumentar o desconto é incentivar a leitura, a troca, a visita à feira, a reflexão, o mergulho cultural. É fazer com que a curiosidade de cidadãos pouco adeptos das letras os conduza à Praça da Alfândega para ver se vale a pena mesmo gastar alguns trocados ali. Mas tem que ser poucos trocados para que isso aconteça.

Como popularizar a leitura se os preços dos livros são proibitivos até para uma classe média mais abastada?

E mais, preços mais baixos aumentariam as vendas e, com elas, os lucros das livrarias. Seria a oportunidade de casas menores, às vezes desconhecidas da maioria do público ou fora de seu caminho cotidiano – que hoje trilha muito mais as calçadas da internet -, mostrarem a que vieram e se fazerem notar. Sem contar o lucro que levariam nos bolsos, ajudando a não deixar morrer a tradição de livrarias-café, de espaços de discussão, de encontro, de sentir o cheiro dos livros.

Cito como exemplo a Letras & Cia. Uma loja agradável, clara, com um bom café expresso no andar de cima, junto ao espaço aberto para eventos pequenos que disponibiliza. Meio escondida em um prédio recuado da Osvaldo Aranha, já perto do Túnel da Conceição, lugar de não muitos andares, ela abriga títulos excelentes. Na área da comunicação, por exemplo, é difícil ver tamanha diversidade e qualidade. Na Feira, comprei no estande da Letras & Cia. um livro que não encontrei na Fnac.

Ou seja, a Feira do Livro tem que abrir espaço para novidades, certamente. Mas não pode esquecer do que justifica sua existência, o livro. A política de valorização da Feira deve passar por esses dois caminhos, a recuperação de uma tradição descuidada e a inovação através de novas medidas de valorização da cultura.

  1. Jaime Rodrigues
    11/11/2010 às 22:43

    Para Porto Alegre fazer turismo, por exemplo devemos tratar de nossos feiras, grandes eventos, pesquisas. A feira é um exemplo mal cuidado, tem o cinema Caphitólio que nunca termina e vários mais podemos citar. Ocorre que a prefeitura só quer iaugurar obras de 2014. Elas rendem, principalmente dinheiro. Os acordos são com as multinacionais, que faliram Espanha, Grecia, USA, Dubai e agora querem definir o que fazer em Porto Alegre e Brasil.

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