Início > Política > Serra, Aécio e o futuro do PSDB

Serra, Aécio e o futuro do PSDB

Se o PMDB gaúcho encolheu com esta eleição, por conta de inúmeros erros cometidos durante todo o processo eleitoral, no Brasil quem sai sem saber para onde ir é o PSDB. O DEM já entrou julho, quando começou oficialmente a campanha, como uma força decadente, cada vez mais próxima da extinção. Ainda assim, conquistou o governo de dois estados. Dois estados pequenos, mas ainda sobrevive.

O PSDB, claro, continua um partido bem maior que o DEM. Foi o que fez mais governadores, com oito unidades da federação, incluindo a poderosíssima São Paulo. Mas diminuiu não só sua representatividade parlamentar, mas sua força política enquanto oposição. Saiu chamuscado de uma eleição baixa, tida como mau exemplo mundo afora, em que utilizou armas que atingiam abaixo da linha da cintura. Não se sai com uma imagem bonita depois de tanta cara feia.

O discurso pequeno de José Serra

José Serra tentou, em seu discurso pós-pleito, ainda no dia 31 de outubro, fazer de si uma força de oposição, tomar a frente da guerra que travou contra Dilma durante a campanha e que prometeu continuar a partir de agora. Deu indicações de que pensa em voltar, de que não está acabado. Em seu discurso despeitado, derrotista, parecia querer convencer a si mesmo de que ainda pode fazer alguma coisa. De que seu tempo não passou, como se não tivesse perdido a eleição. Mais uma, aliás.

Ele está errado. Em primeiro lugar, demonstra falta de maturidade, falta de brio e de inteligência política. Mostrou-se fraco, não apenas por ter perdido, mas por não ter reconhecido a derrota. No lugar de desejar que seja feito o melhor para o Brasil e de colocar seu partido à disposição para colaborar, como faria qualquer um, ainda que fosse mentira, deflagrou guerra. Ninguém quer guerra, nenhum cidadão deseja a beligerância. Mostrou que o PSDB abandonou o lema “A favor do Brasil”. Em vez de ser a favor, torna-se contra. Vai atuar contra o governo Dilma em qualquer circunstância. José Serra vai se afundando nas suas próprias palavras.

Serra sai derrotado e fraco

Essa derrota eleitoral é uma derrota política muito significativa. Quando Fernando Henrique deixou a Presidência sem eleger seu sucessor, foi-se embora pra Pasárgada e seguiu a vida sem dar muito as caras no país que o rejeitava. Continua com a popularidade baixa, mas mantém o brio. José Serra arrisca-se ao que de mais provável deve acontecer, que é perder ainda mais o apreço popular.

José Serra não sai com força para se candidatar novamente. Se tentasse em 2014, poderia enfrentar Lula nas urnas, e aí não teria a mínima chance, que provavelmente já não teria contra Dilma, mas isso ainda custa-nos esperar para ver como anda seu governo e sua popularidade nos próximos quatro anos.

Mas José Serra não sai com força nem para liderar a oposição. Sai abatido, pequeno, derrotado, como foi o seu discurso, que nada mais fez do que retratar o homem por trás do microfone.

O fator Aécio Neves

Surfando sobre as turbulências de seu partido está Aécio Neves. Não aceitou ser vice de Serra, o que provavelmente não teria servido para virar o jogo eleitoral. Poupa-se assim da derrota nas urnas. Sai tendo feito sucessor em Minas Gerais e com uma votação expressiva que o leva para o Senado. Sem vínculo próximo com Serra, nele respinga muito pouco da chuva da derrota. Termina o processo muito mais como o vitorioso mineiro que dá continuidade ao que plantou no estado do que como integrante do partido que perdeu a Presidência.

Aécio sai com a força de quem não foi derrotado, mas com um acréscimo fundamental: suas críticas nos próximos quatro ou oito anos serão desferidas de cima da tribuna do Senado. O mineiro terá um espaço na política conferido pelo voto dos cidadãos e um espaço na mídia como consequência. É dali, portanto, que vem o maior perigo.

O futuro de Aécio não está ligado ao do PSDB

Mas Aécio, se for esperto como acredito, não ficará no PSDB por muito tempo. Como a lei não pune com a perda de mandato o candidato eleito que sai de seu partido para fundar uma nova sigla, é possível que o caminho do senador eleito seja esse. Como antecipou Carta Capital e Aécio nega, deve sair do PSDB nos próximos tempos, para ir para onde o vento o levar, sabendo que terá mais futuro fora dali. Terá mais força em outro lugar.

E assim o PSDB deve minguar. Continuará governando oito estados e sendo o principal partido da oposição, mas sem a repercussão que Serra imagina que seus atos terão. Ficará, se tudo correr como aparenta, a bradar, enfraquecido, contra um governo de maioria na Câmara e no Senado, que não deve fazer oscilar a balança da cena política brasileira.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: