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Campanha de Serra é baseada no preconceito

Por conta de um diálogo na rede, recuperei um post antigo que tratava sobre ateísmo, baseado em um texto d’O Biscoito Fino e a Massa e em uma entrevista do repórter Eduardo Rascov com Peter Godfrey sobre Oscar Niemeyer e o comunismo na revista Brasileiros.

O que me faz retomar o tema agora diz respeito ao debate eleitoral deste ano. Forçar para a discussão centrar-se em torno da questão religiosa, como a direita e a mídia, ambas conservadoras, têm feito, é não só uma fuga às questões de fato pertinentes para o Brasil, como uma demonstração de preconceito.

E o preconceito se estende a todos os brasileiros que entram no jogo e julgam os candidatos por seu credo. Há muitos com pouca escolaridade, dificuldade de diferenciar religião de Estado, mais passíveis de influência externa em sua opinião sobre política. Não cabe culpá-los, mas sim a aqueles que deliberadamente atuam para promover essa manipulação, que se utilizam dessa fraqueza que é o resquício de moralismo conservador ainda muito forte em nosso país para garantir votos não ideológicos e não conscientes.

Quando o eleitor decide seu voto pela religião do candidato, ele diz que só é digno aquele que tem a mesma fé que a sua. Que só é capaz o que acredita no mesmo deus que o seu. Que só é bom aquele que frequenta a mesma igreja que a sua. Isso se chama preconceito.

Um dos maiores preconceitos que vivenciamos no Brasil é o de religião. Ou melhor, da falta dela. Pesquisa citada por Idelber Avelar à época, da Fundação Perseu Abramo, mostrava que os ateus são o grupo social mais discriminado. E aí vem um dado interessante para entendermos por que a religião foi usada tão …mente nestas eleições: “se você perguntar a um brasileiro em qual membro de grupo social ele não aceitaria votar de jeito nenhum, os ateus estamos, disparados, em primeiro lugar”, disse Avelar.

Foi utilizando um preconceito que a campanha de Serra construiu sua ida para o segundo turno e ainda tenta pegar a candidata Dilma. Como se só tivesse moral, só fosse bom, só merecesse respeito, quem milita em nome de uma fé. Repito o que disse em meados de 2009: posso não acreditar em nenhum deus, mas tenho uma profunda fé na humanidade. Às vezes, setores dela me fazem questioná-la, mas nunca deixei de acreditar no potencial do homem.

Desconsiderar a possibilidade de se exercer solidariedade por não se acreditar em nenhuma religião – que, racionalmente, não fazem sentido – é, como todos os preconceitos, uma agressão. Agride quem pensa diferente. E ignora que todos somos diferentes. E que precisamos construir uma igualdade de direitos baseada nas diferenças que nos tornam mais ricos. Um pressuposto básico para se conseguir isso é o respeito.

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Se a campanha é baseada em um preconceito, o que, então, esperar de um governo do PSDB?

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