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Por que precisamos de uma reforma política urgente

Definitivamente, algumas coisas estão bem erradas. Uma reforma urgente, que no futuro pode ajudar a construir outras reformas e projetos que o Brasil precisa, é a reforma política. Excrescências acontecem em todas as eleições, mas elas não podem ser tratadas como algo natural. Se podemos fazer alguma coisa para mudar isso, ela deve ser feita. Defendo três pontos em especial.

Pra começar, o financiamento público de campanhas. O sistema atual se torna muito injusto para candidatos que não têm grana de família, que não consegue algum bom patrocinador ou que represente setores menos ricos da sociedade. Se o cara trabalha com os interesses do agronegócio, ele consegue bastante dinheiro de latifundiários e faz uma campanha com muita visibilidade. Se ele defende a agricultura familiar, as doações são mais minguadas. E não adianta, isso faz diferença, sim.

A crítica ao financiamento público até faz sentido. Afinal, é a utilização de dinheiro do povo para se fazer campanha. Mas a possibilidade de democratizar a disputa, de torná-la mais equânime compensa, já que serão eleitos, provavelmente, candidatos mais comprometidos com o povo. Com chances mais iguais de todos apresentarem suas propostas, tende a prevalecer aquele que tem as melhores.

Em segundo lugar, o voto em lista. Esse aí impede que um candidato de uma região mais populosa e com menos concorrentes, por exemplo, ganhe de outro que pode ser mais qualificado e mais útil para o conjunto da população por conta dessas particularidades. Acontece a mesma coisa com representantes de determinados grupos ou apadrinhados políticos. Com o voto em lista, o partido compõe sua nominata e o eleitor vota em um projeto político, não em um rosto simpático.

Por fim, é absurda a quantidade de material produzido nas campanhas. Cavaletes, santinhos, cartazes, bandeiras… De que forma essa papelada que contêm apenas foto, nome, número e partido contribui para a decisão consciente? Sem a exposição da ideia dos candidatos, sem suas propostas, sua linha política dada apenas pela legenda – o que, em muitos casos, não quer dizer muito. Defendo, pois, que toda essa poluição visual seja proibida. Ela torna a corrida injusta, porque o candidato com mais grana aparece mais – isso já diminui com o financiamento público de campanha -, não necessariamente o com melhor propostas. E é um desperdício de dinheiro – seja ele público ou privado, corre pelo ralo – e de papel. Ou seja, traz ainda um enorme prejuízo ambiental. Deveria ser permitido apenas material que exponha uma plataforma.

Essas coisas tornariam a corrida eleitoral mais justa, e ambas dependem de uma reforma política. Espero que seja construída no futuro governo.

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  1. 12/10/2010 às 21:18

    PErfeito! Eu havia comentado em dois posts sobre o assunto. Sobre o exotismo do sistema partidário, de candidatos e mesmo de partidos no país e da necessidade de urgentes e profundas reformas.

    MAs reformas consensuadas e honestas. Idéias como listas fechadas em um sistema partidário falido são quase um crime contra o povo.

    Votar em Paulo Teixeira e ganhar um Genoíno ninguém merece. OS próprios partidos precisam modificar sua estrutura e muitos precisam se democratizar para que seja justa a idéia da lista.

    Compartilho:

    Partidos Fracos, Exotismo, Ideologia e Sistema Partidário Brasileiro – Parte 1
    http://tsavkko.blogspot.com/2010/10/partidos-fracos-exotismo-ideologia-e.html

    Partidos Fracos, Exotismo, Ideologia e Sistema Partidário Brasileiro – Parte 2
    http://tsavkko.blogspot.com/2010/10/partidos-fracos-exotismo-ideologia-e_06.html

  2. 12/10/2010 às 21:57

    O voto em lista tem o problema de a ordem dos nomes da lista ser escolhida pelo partido, e não por nós. Seria algo do tipo a pessoa ter preferência por um candidato em particular, que ficou no fim da lista. Um exemplo bem simples foi na última eleição para o conselho do Grêmio, em que o Hélio Paz era candidato, mas tinha ficado no fim da lista da chapa dele, enquanto no começo tinha alguns nomes que eu rejeitava; acabei votando em outra chapa.

    Mas ao mesmo tempo isso também tem suas vantagens, como já foi citado no post: sabemos que o voto proporcional vai para um partido (ou seja, MUITOS nomes), um projeto político, e não só para uma pessoa, como o sistema atual leva muita gente a se iludir.

  3. Jacy Júnior
    14/10/2010 às 10:39

    Se no Brasil fosse voto distrital misto, seria mais democrático Neste sistema metade das vagas é distribuída pela regra proporcional e a outra metade, pelo sistema distrital. O eleitor tem dois votos para cada cargo: um para a lista proporcional (lista fechada) e outro para a disputa em seu distrito. Dentro do sistema do voto distrital, a eleição pode ser feita pelo processo de maioria absoluta ou não, ou seja, pode haver vários candidatos no distrito e será eleito o mais votado ou pode-se exigir a maioria absoluta: depois da eleição, os dois mais votados disputam em um segundo turno.

  4. 14/10/2010 às 22:23

    a) Financiamento público de campanha: mudação interessante, mas depende dos detalhes técnicos, principalmente quanto dinheiro seria distribuído e por quais critérios.

    b) Voto em lista: sou contra; quero poder continuar indicando que uma determinada pessoa é melhor para ocupar certo cargo político, com o meu voto também ajudando o seu partido; o voto em lista, a meu ver, tira poder do/a eleitor/a e o transfere aos partidos políticos (que internamente têm sérios problemas de falta de clareza ideológica e de processos democráticos); eu sei que muitos/as eleitores/as não sabem que, ao votar numa pessoa, o voto indiretamente também vai para o partido, mas isso é muito mais em decorrência da ignorância política de quem vota do que do sistema eleitoral (convém lembrar que muitas pessoas, independente da condição financeira e da escolaridade, têm orgulho de dizer que são apolíticas).

    c) Reduzir drasticamente, ou mesmo proibir, gastos com material de campanha: em relação à poluição visual, sou a favor pelos mesmos motivos destacados pela Cris; porém, vou além, um outro grande problema é a poluição sonora, gerada pelos carros de som que tocam jingles de candidaturas, pois não contribuem para tornar o voto mais consciente, poluem o meio ambiente devido à queima de combustível (a não ser que o aparelho de som seja colocado numa bicicleta) e são muito irritantes.

    A grande dificuldade de se fazer reforma política é que todas as pessoas parecem concordar com a necessidade de mudar, mas não sobre quais alterações deveriam ser feitas – vide as divergências entre a blogueira (Cris) e os comentaristas. :P

  1. 12/10/2010 às 21:47

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