Início > Cidades, Política, Sociedade > Relação entre as Regiões 6 e 8 de Porto Alegre

Relação entre as Regiões 6 e 8 de Porto Alegre

Por Jaime Rodrigues, urbanista e representante do IPES (Instituto de Planejamento e Estudos Sócio Ambientais. Sou presidente) no CMDUA (Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental).

Dificuldades atuais e ameaças graves para o futuro próximo

Uma avaliação articulada do estudo e da formulação das propostas das organizações das Regiões RP8 e RP6 (ver mapa) de nosso município de Porto Alegre mostra claramente as profundas dificuldades que vivem. Mostra também a possibilidade de essa realidade tornar-se muito mais aguda, em decorrência da manutenção de uma dinâmica de desenvolvimento em toda nossa área urbana porto-alegrense que afeta diretamente as duas regiões.

O aumento de automóveis e de outros modos de deslocamento representa um acréscimo a essas dificuldades. A verdadeira essência dos problemas está concentrada no uso do solo com muitos erros, iniciando com obras de habitação em áreas onde não há geração de capital e possibilidade de ocupação da mão de obra. Áreas muito limitadas no conjunto de serviços sociais necessários, como educação, saúde e saneamento com esgoto e água em condições adequadas. Também devemos considerar a absoluta falta de cuidado com lazer, preservação da memória da história local e com problemas sérios de meio ambiente em decorrência da falta de respeito com os moradores, como a construção em terrenos que não apresentam condições, por exemplo, até em restingas.

A área dessas duas regiões é enorme, agregada com enormes espaços urbanos vazios e uma população também muito grande e que cresce de maneira muito acentuada, embora a população de Porto Alegre em seu todo tenha um aumento bastante reduzido. Essa contradição demonstra outro aspecto social que exige atuação estatal, no caso da Prefeitura, para corrigir. É o deslocamento social sem ordenamento nenhum.

As dificuldades já existentes são de origem antiga e correspondem a orientações políticas concretas. No período do autoritarismo em nosso país, políticas com o objetivo de melhoria urbana em outras regiões da cidade, como a construção da avenida Primeira Perimetral. Em outras ocasiões, com a intenção de capitalizar o Brasil através de investimentos do exterior e amenizar as dificuldades financeiras do país. Amplos setores da população foram deslocados com violência do Centro Histórico ou da Cidade Baixa para um bairro construido mais ao sul de Porto Alegre, depois denominado Restinga.

Atualmente temos na Região 8 uma enorme dificuldade de sua população para encontrar emprego, serviços de escola, saúde e tudo o mais que já sistematizamos para a vida urbana. Essas deficiências fazem com que a população local gaste muito em deslocamento e transfira fluxos de transporte enormes para a região seguinte, a RP6.

É evidente que, além de todas as dificuldades de vida, as perspectivas de desenvolvimento social no futuro são péssimas. Não é por acaso que em nosso país estamos adotando soluções “compensatórias” nas grandes cidades para superar essas barreiras para a população mais pobre.

Essa dinâmica de crescimento tem sido estimulada de diversas maneiras. A compra do solo urbano nessas regiões ainda é mais barata ou não existe motivação de aproveitamento de outras áreas que eventualmente podem ser um pouco mais caras, mas que já têm todos os serviços instalados. Na verdade, no final tornar-se-ia até mais barato, no investimento inicial e mais ainda nos custos de manutenção da cidade. Esse aproveitamento não é de interesse da Prefeitura porque outros investimentos para outros setores sociais e com custo de construção diferenciado poderiam ter alguma vantagem imediata.

Faltam políticas para o desenvolvimento urbano de Porto Alegre. O problema não aparece só no nosso Plano Diretor, mas na ausência de políticas específicas como Habitação Popular. Em tempos recentes, tivemos iniciativas de aproveitamento e restauração de prédios para habitação popular no Centro Histórico e em outros bairros com o crescimento mais lento, mas com os serviços públicos e as demandas urbanas já instaladas. Infelizmente essa política não se manteve e novos investimentos em regiões pouco qualificadas estão sendo feitas tanto por investimento estatal como por particular. Não é casual que a RP8 cresça 4,5% ao ano, muito mais que a cidade. Agora é urgente colocarmos novas políticas de desenvolvimento urbano, particularmente aproveitando o enorme investimento federal em habitação popular.

————–

A imagem foi puxada do Dialógico.

Anúncios
  1. Ainda sem comentários.
  1. No trackbacks yet.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: