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Carta Capital questiona arapongagem no governo gaúcho

Carta Capital n˚ 614

A Lama Permanece nos Calcanhares

ESPIONAGEM | Yeda Crusius tenta estancar a crise, mas a Promotoria segue firme

por Lucas Azevedo, de Porto Alegre

Peça principal, no mais recente escândalo a atingir o Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, o sargento da Brigada Militar César Rodrigues de Carvalho foi solto na quarta-feira 15, depois de passar 12 dias preso em um cartel da corporação. Provas e depoimentos colhidos pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul até o momento comprovam o envolvimento do policial militar na espionagem a políticos, jornalistas, delegados, oficiais e autoridades, além da arrecadação de propina de contraventores da região metropolitana de Porto Alegre. E mais: Rodrigues não agia sozinho. Parte da arapongagem era solicitada por superiores diretos e assessores da governadora Yeda Crusius, segundo provas reunidas durante a investigação. Além disso, a propina teria como um dos beneficiários um assessor próximo da governadora tucana. Antes de ser preso, Carvalho havia sido promovido para uma vaga na Secretaria Estadual de Segurança.

Em plena campanha eleitoral, Yeda Crusius não se mostra muito disposta a colaborar com as investigações. Os procuradores têm encontrado resistência para cumprir mandados no Piratini ou mesmo ter acesso a informações. Em seu twitter, a candidata à reeleição partiu para o ataque. Ela pôs em xeque a legalidade da ação do Ministério Público, o que gerou reações da Associação do Ministério Público e da Procuradoria-Geral de Justiça do estado.

A governadora valeu-se de blogs admiradores de sua administração e do seu próprio twitter para entrar em campo com caracteres raivosos: “cenas preparadas e programadas, com ações espetaculosas acompanhadas por dezenas de repórteres e câmeras de tevê têm de ter um basta”e “ou é despreparo desses agentes ou a “síndrome dos holofotes”anda se espalhando como epidemia. As instituições devem agir”. O detalhe é que a presença de jornalistas foi requisitada pelo próprio Piratini, que resolveu anunciar na segunda 13 medidas de enxugamento da estrutura da Casa Militar, centro das acusações.

Segundo informou a governadora, o quadro funcional deve ser reduzido em 50% e o setor de inteligência, extinto. O objetivo, segundo o secretário da Transparência e da Probidade Administrativa, Francisco Luçardo, é que o órgão passe a desempenhar exclusivamente as funções de segurança da chefe do Poder Executivo e de seus familiares.

Após o anuncio da reestruturação, o tenente-coronel Marco Antônio Quevedo, chefe da Casa Militar, protocolou pedido de aposentadoria e não deu entrevistas.

Apesar de aguardar na rua mais de uma hora pra cumprir uma inspeção nos veículos da Casa Militar, o promotor Amílcar Macedo, responsável pela investigação, comprovou ao menos parte do depoimento do “maquineiro” (explorador de caça-níqueis) que denunciou Rodrigues por arrecadação de propina. Ele constatou que mais de um veículo oficial tem as mesmas características descritas pela testemunha, inclusive detalhes internos.

Era na Casa Militar que o sargento Rodrigues trabalhava desde o início de 2009, período em que iniciou a avalanche de acessos ao banco de dados, que ultrapassou 10 mil consultas. O MP apura se a bisbilhotice foi praticada apenas por Rodrigues – que já afirmou fazer pesquisas sob ordens ou cumprindo favores – ou se a sua senha para ingresso ao Consultas Integradas foi distribuída.

Jornalistas gaúchos tinham Rodrigues como fonte. Ele verificava o histórico de criminosos e por vezes cedia fotos aos repórteres para “embasar” textos jornalísticos. Nos últimos dias, soube-se de algo mais grave: mais de dez profissionais da imprensa possuíam senhas para consultar o sistema, o que está sendo apurado.

Preso desde 3 de setembro, o sargento teve pedido de liberdade aceito pela Justiça por não representar mais um obstáculo às investigações. Rodrigues atrapalhava a coleta de provas valendo-se de contrainteligência. O sargento entrava no Sistema de Consultas Integradas e tinha acesso a quem o investigava. Ao deixar o quartel da Brigada Militar onde estava recolhido, disse: “não posso falar sobre o caso, mas garanto que sou inocente. Estou me sentindo abalado, parece que desmoronou o mundo. Eu confio no trabalho sério que eles (o Ministério Público) estão fazendo. Então, ao natural, a verdade vem à tona”.

No seu último depoimento ao MP, no dia de sua libertação, Rodrigues confirmou a veracidade de e-mails tornados públicos no site de CartaCapital na segunda 13. As mensagens comprovam a participação direta de Ricardo Lied, ex-chefe de gabinete da governadora, na utilização do esquema de arapongagem. Os diálogos datados de setembro de 2008 mostram como Lied solicitou – e foi atendido – que oficiais da Inteligência do estado utilizassem o Sistema de Consultas Integradas para bisbilhotar informações policiais do ex-deputado estadual Luis Fernando Schmidt (PT), à época candidato à prefeitura da cidade de Lajeado e adversário político do primo do chefe de gabinete, Márcio Klaus (PSDB). No período em questão, o fato provocou uma sindicância e um inquérito policial, que não apontaram responsáveis.

Nos dias 9 e 10, novas provas documentais e testemunhais chegaram a Macedo. Tudo indica que o sargento é a ponta de um gigantesco esquema de corrupção que ultrapassa os limites de Porto Alegre.

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  1. 26/10/2010 às 17:42

    Ministério Público e-mail revela teatro da procuradora Geral

    Em fevereiro de 2009 Marcelo Cavalcante 2 vezes se afogou e se assassinou em Brasília era o ex-assessor da governadora Yeda Crusius era “queima de arquivo”, corroborado que fora, pelo teatro investigatório realizado nunca visto.

    Em seguida em 25-03-2009, outro “arquivo” ainda vivo entra no Ministério Público estadual com 19 representações criminais, estas antes ocultadas e fraudadas por vários promotores, no interior denúncias provas intrigantes.

    A senhora desgovernadora Yeda Crusius em março de 2009, na eleição para procurador Geral do Ministério Público preteriu o PG Mauro Renner por Simone Mariano menos votada, ninguém tomou que a nomeação tivesse fim criminoso.

    Apesar da votação do PG Mauro Renner com 70% dos votos o traria de vencedor, Yeda plantou a procuradora geral do ministério público Gaúcho Simone Mariano da Rocha que tomou posse em 03-04-2009.

    A PG Simone Mariano dia 23-04-2009, 20 dias após assumir recebe um e-mail do “arquivo”, relatando as representações criminais que estavam no colegiado do MP desde 25-03-2009, desde antes da sua posse em 03-04-2009, assinalem a coincidência.

    Atinente ao e-mail, a PG no dia 28-04-2009 responde via e-mail do seu gabinete que as representações estavam na “classificação sigilo”, entretanto era charada ao estilo “fique tranquilo estamos acertando seu fadário”.

    Conclui-se, em “sigilo” porque tinham importância, ora, as representações eram soterradas de provas, e no dia seguinte 29-04-2009 ao dizer que estavam sob sigilo a PG Simone Mariano ingressa em crimes.

    Absurdamente a PG Simone Mariano delibera junto com ao Corregedor Geral Armando Antônio Lotti um dos acusados nas representações com provas contra ele, decidem ambos processar o denunciante por calúnia, injuria e difamação como se inexistissem provas ou sequer as 19 representações lá estivessem ou permanecessem, coisa de insano.

    Dali, passados 30 dias com outros do Ministério a PG empreende em sequestro, extorsão e assassinato “tentados” contra o denunciante, só fracassou devido a um servidor do ministério delatar o sequestro 3 dias antes por gaguejar e estar “inquieto”.

    Contudo, a PG ao responder o e-mail no dia 28 a PG deixou as provas do crime registrada em documento oficial que ela sabia das representações e dos valores da provas contidas, e como após declarou estas inexistirem.

    A atuação criminosa da PG Simone revela que ela foi plantada por Yeda para acobertar os motivos do assassinato de Marcelo Cavalcante, contidas nas provas, como “queimar o arquivo” denunciante e eliminar as 19 representações, que a PF fez após.

    Antes que Yeda Crusius e a Procuradora Geral Simone Mariano do Ministério Público chacinem o denunciante como aconteceu com Cavalcante e Eliseu Santos, exato.

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