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Por que as denúncias da Carta Capital não repercutem como as da Veja?

Esta semana, a semanal do Mino Carta noticiou a quebra de sigilo de milhões de brasileiros promovido por uma empresa de Verônica Serra, a filha do Zé, junto com Verônica Dantas, herdeira de Daniel Dantas, ainda no governo FHC.

Enquanto isso, a Veja publicou denúncia de tráfico de influência envolvendo o filho da agora ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra. Como já relatado aqui, a matéria continha apenas uma fonte, que a desmentiu, mas o caso virou escândalo, varreu o noticiário e conseguiu derrubar a ministra.

Tratamentos desiguais

O problema talvez resida na sigla partidária dos envolvidos em cada um dos casos. Serra é do PSDB, Erenice é do PT. Não é preciso ser gênio para perceber que a grande mídia vem favorecendo a furada candidatura tucana. Uma leitura rápida da coluna da ombudsman da Folha de S.Paulo do último domingo confirma que essa não se trata de uma teoria conspiratória ou “trololó petista”.

Que esperanças restam aos comunicadores e à sociedade de um modo geral de que as denúncias efetivas de veículos sérios – o que é comprovado por um resgate histórico simples: Carta Capital denunciou a atuação corrupta de Daniel Dantas anos antes da concorrência, mas lhe fizeram ouvidos moucos – e que contrariam os interesses da classe dominante venham a público?

Luta de todo dia

Brigar para fazer Comunicação de forma mais democrática e ganhar um espaço na agenda de discussão da opinião pública parece trabalho de formiguinha diante de um elefante. É difícil e dá pouco resultado, principalmente a curto prazo (o que não significa que não deva ser feito).

Comunicação: uma política de Estado

Pela luta dentro da própria comunicação, vamos abrindo espaços aos poucos, cada vez mais, mas ainda muito restritos. Resta-nos, então, que ela se torne uma política de governo, uma política de Estado. O Lula está mudando o Brasil, ampliando o acesso da população a diversos serviços importantes, dando condições para que o povo pense por si próprio. Por que então não fazer o mesmo com a comunicação?

Afinal, existe um ministério para o tema e ele é fundamental para a construção de uma sociedade efetivamente democrática. E precisa de um incentivo de cima, de uma política real, contundente, para que efetivamente mude. Para que se repercutam igualmente denúncias de todos os veículos, desde que sérios, desde que elas sejam averiguados e se demonstrem verídicas. Isso seria democracia.

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  1. 16/09/2010 às 20:49

    Os lobos reunidos lá no Millennium confabularam conforme Bia Barbosa descreveu;
    “Então o perigo maior que nos ronda é ficar abstratos enquanto os outros são objetivos e obstinados, furando nossa resistência. A classe, o grupo e as pessoas ligadas à imprensa têm que ter uma atitude ofensiva e não defensiva. Temos que combater os indícios, que estão todos aí. O mundo hoje é de muita liberdade de expressão, inclusive tecnológica, e isso provoca revolta nos velhos esquerdistas. Por isso tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução. Senão isso se esvai. Nossa atitude tem que ser agressiva”, disse Jabor, convocando os presentes para a guerra ideológica.”

    Então não pode haver qualquer surpresa da falta de pudor do lobo, da mídia. Ele, a matilha reunida no Millennium explicitou com todas as letras o que fariam era inevitável que o fizessem sem pudor. Também é inevitável que os cordeiros respondam. Uma das respostas será o ato publico que faremos:

    O ato acontece na próxima quinta-feira, 23 de setembro, às 19 horas, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (rua Rego Freitas, 530, centro de São Paulo). Anotar o caráter simbólico: o auditório do Sindicato tem o nome de Vladimir Herzog – jornalista assassinado pela ditadura militar, que teve o apoio desses mesmos grupos de comunicação que, hoje, tentam lançar o Brasil no abismo

  2. 19/09/2010 às 0:24

    Eu posso responder essa pergunta
    1) A Carta Capital vende menos por X motivos. Sendo dois deles o fato de que boa parte população não compartilham seus valores mais “socialistas” e o fato da VEJA já ter uma forte reputação tanto em denuncias provadas para petistas quanto para tucanos e pe-efflistas.
    2) A Carta Capital é vendida numa área muito reduzida, especialmente se comparada com a da Veja
    3) A denúncias da Veja são mais relevantes que as da Carta Capital porque a) a quebra de sigilos do PSDB tiveram motivação eleitoreira e a eleição ainda está acontecendo e b) a Bolsa Família da Erenice Guerra ainda estava em funcionamento quando a reportagem foi vinculada.

  1. 17/09/2010 às 9:51

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