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Folha não sabe mais o que fazer

A capa da Folha escancara: “Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma”. Não tem outra forma de descrever o que o jornal faz, é mau-caratismo. Que continua na matéria, já nas primeiras palavras: “A propaganda eleitoral tem apresentado a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) como uma eficiente gestora. Um erro cometido à frente do Ministério de Minas e Energia, contudo, coloca em xeque essa imagem”.

A matéria não é sobre como as cobranças de luz poderiam ter sido feitas de forma mais justa, que não prejudicasse os pobres favorecendo os ricos. Tampouco sobre a demora no processo para regularizar a situação. O texto trata especificamente da suposta incompetência de Dilma. Sobre como ela teria sido negligente no caso. Não dá a história completa, apenas os pontos em que Dilma errou. A matéria é sobre a candidata à Presidência pelo PT.

Até porque o prejuízo teria sido de R$ 2 bilhões, mas o R$ 1 bilhão do título é do período Dilma ministra. Quem estava à frente da pasta quando o outro bilhão foi desperdiçado, não se fala. Ou seja, só interessa desmoralizá-la, nada mais.

Dá tempo até de elogiar o governo anterior: “O tribunal propôs, então, a reformulação dos critérios do benefício, criado em abril de 2002, último ano do governo FHC”.

Do ponto de vista jornalístico, o texto é ruim. Não contextualiza, não explica direito o que aconteceu. O leitor fica sem entender a que corresponde o R$ 1 bilhão de que fala o título. Não importa. Importa, sim, que “consumidores pobres subsidiaram ricos”. Importa que aparece bem grande que o consumidor jogou dinheiro fora por culpa de Dilma. Afinal, o objetivo do texto não é explicar nada mesmo. O objetivo é dizer que a eficiente lei só saiu do papel depois que Dilma deixou o Ministério de Minas e Energia.

É perspicaz o jornalista Rubens Valente. Ele não critica o governo Lula como um todo. Os jornais já aprenderam que isso não adianta. O que ele faz, então, é tentar mostrar como o governo agiu corretamente apesar de Dilma. Ele desvincula Dilma de Lula e mostra que o eficiente é ele, não ela. Tenta desconstruir o aspecto mais positivo atribuído a Dilma, o da eficiência. Aliás, já deixa tudo isso claro na primeira linha, quando fala em “boa gestora”…

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Na verdade, eles estão é incoformados, porque conseguiram um novo factóide, aquele da Receita Federal, da suposta espionagem, e no tracking Vox Populi/iG/Band de hoje (5) os números continuam rigorosamente os mesmos.

Ou seja, eles não sabem mais pra onde correr e estão usando qualquer coisa que vem à cabeça. É por essas e outras que no Twitter já está rolando a hashtag #DilmaFactsByFolha, ironizando as sucessivas tentativas de relacionar a candidata petista com atos condenáveis. No fim das contas, dá até pena.

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A íntegra do texto, inclusive com a foto que o acompanha (crédito: Nacho Doce – 30.ago.2010/Reuters; legenda: Dilma Rousseff em entrevista coletiva):

Dilma ignorou falha apontada por TCU em contas de luz; prejuízo é de R$ 1 bi

Em Minas e Energia, petista foi avisada três vezes pelo órgão sobre falha no cálculo da tarifa de luz mas nada fez

Auditoria feita após a saída de Dilma da pasta confirmou problema; benefício não garantia desconto a mais pobres


RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA

A propaganda eleitoral tem apresentado a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) como uma eficiente gestora. Um erro cometido à frente do Ministério de Minas e Energia, contudo, coloca em xeque essa imagem.

A falha foi apontada pelo TCU (Tribunal de Contas da União), em um processo que se arrastou por sete anos, e corroborada por uma auditoria do próprio governo.

Segundo as decisões do tribunal, Dilma tardou em reconhecer e corrigir deficiências na tarifa social, um benefício concedido a consumidores de luz de baixa renda.

O erro resultou no gasto inadequado, entre 2002 e 2007, de R$ 2 bilhões de um fundo mantido por consumidores de todo o país. Do total, R$ 989 milhões corresponderam à passagem de Dilma pelo ministério, de 2003 a 2005.

A tarifa é coberta por um encargo embutido na conta de luz, a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético).

Gerido pelo governo, o fundo CDE remunera as distribuidoras de energia de acordo com o número de famílias beneficiadas pela tarifa social, além de bancar o Luz para Todos e outros programas federais.

Os R$ 2 bilhões que, segundo o TCU, foram desperdiçados, poderiam ter sido usados para investimentos federais ou mesmo na ajuda a famílias pobres.

Na época, um dos critérios para a concessão do benefício era o consumo residencial. Os técnicos do tribunal, contudo, concluíram que consumidores que gastavam pouco (até 80 kWh por mês), não eram, necessariamente, pobres -caso de donos de casas de veraneio.

Por outro lado, consumidores de fato pobres ficavam de fora do desconto, pois podiam registrar consumo acima de 80 kWh/mês, devido ao alto número de moradores sob um mesmo teto.

Ou seja, consumidores pobres subsidiaram ricos.

O tribunal propôs, então, a reformulação dos critérios do benefício, criado em abril de 2002, último ano do governo FHC. Em três comunicados, o TCU alertou a ministra Dilma sobre o problema.

Mas Minas e Energia só contratou o estudo requisitado pelo TCU em 2006, quando Dilma já tinha ido para a Casa Civil. E a lei acabou sendo alterada apenas em 2010.

A primeira advertência ocorreu em abril de 2003. O então presidente do tribunal, Valmir Campelo, informou que os ministros, em votação no plenário, haviam aprovado acórdão que apontava as inconsistências.

O texto recomendava à ministra, “com a urgência que o assunto requer”, que adotasse cinco medidas, incluindo a contratação de estudo que indicasse o cálculo mais adequado para a tarifa.

Em 2004, o TCU mandou para o ministério um grupo de analistas, que por 19 dias avaliou se as recomendações haviam sido adotadas. A equipe concluiu que a ministra não tinha feito as mudanças nem contratado o estudo.

O ministério alegou dificuldades para unificar o cadastro dos programas sociais e pediu mais tempo. A explicação não convenceu. “Tal postura é preocupante”, advertiram os analistas.

Em 2005, os ministros do TCU reiteraram as recomendações de 2003. Dilma foi notificada, por duas vezes, no mês de fevereiro.

Dois meses depois da saída de Dilma da pasta, o novo ministro, Silas Rondeau, criou um grupo de trabalho sobre o tema. O estudo requisitado desde 2003 foi contratado pelo governo no dia 16 de janeiro de 2006.

A partir daí, o governo trabalhou para aprovar uma lei sancionada por Lula em janeiro deste ano.

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  1. ana bastos
    05/09/2010 às 20:24

    Tristíssimo aceitar essa incompetente governando meu país!

    • José
      06/09/2010 às 13:19

      Triste é um analfabeto como vc comentar uma reportagem que nem leu.

      • 15/09/2010 às 18:02

        Triste é uma pessoa chamar outra de “analfabeta” só porque não gostou da opinião dela. Isso chama-se imaturidade.

  2. 05/09/2010 às 20:44

    ótimo post.

  3. Meire
    05/09/2010 às 20:48

    A Folha tem razao de estar preocupada com a eleição de Dilma, pois com ela no governo federal não terá favorecimento como acontece com o PSDB em São Paulo (ver http://www.conversaafiada.com.br/pig/2010/09/04/como-o-jenio-trata-a-imprensa-com-grana/).
    O pior é que ainda tem gente que lê e acredita nessa imprensa golpista e nesse jornalismo vendido.

  4. Tomaz Rui
    05/09/2010 às 21:12

    Você escreve muito bem. Parabéns.

  5. 06/09/2010 às 4:14

    O mundo vai acabar em 2012??? aposto que o Brasil acaba antes se a Dilma se eleger… to com a Folha e não abro!!!

  6. 15/09/2010 às 18:12

    Acho que a questão não falar sobre quem estava à frente da pasta quando o outro bilhão foi desperdiçado, creio é que o foco do problema é que a Dilma foi alertada, ignorou o alerta e o problema só foi sanado quando ela saiu da pasta.

    O desperdício ocorreu de 2002 a 2007. Em 2002, quem tava lá era o Francisco Luiz Sibut Gomide. Ele ficou menos de um ano lá. Depois a Dilma ficou de 2003 até o meio de 2005. Já em 2006, o Ministério de Minas e Energia contratou o estudo requisitado pelo TCU, o que nos leva a crer o desperdício entre 2006 até o resolvimento da questão deve-se a lerdeza do Estado mesmo.

    A maior culpada portanto foi a Dilma mesmo. Os menores culpados foram o tal de Gomide e o próprio Estado.

    Portanto não consigo ver qualquer atitude “anti-Dilma” da Folha. Ela reportou os fatos. Ou seria mais ético não ter reportado nada?

  1. 06/09/2010 às 13:33
  2. 26/10/2010 às 12:28
  3. 09/01/2011 às 21:21

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