Início > Economia, Pessoas, Sociedade > A obscena fortuna de Eike

A obscena fortuna de Eike

Se alguém me dissesse que tem na conta quase 700 milhões de reais, eu acharia o mundo injusto.

Perguntado por Marília Gabriela sobre o valor pago ao imposto de renda no ano passado, o empresário Eike Batista respondeu: “eu assinei um cheque de 670 milhões”. Não foi possível pagar no Rio de Janeiro porque o sistema não comportava o número de zeros. Teve que ir a São Paulo.

Nesse caso, já não é uma simples injustiça. É obsceno.

Emir Sader disse em mais de uma ocasião que só há pobres porque há ricos. É a oposição entre os extremos que perpetua a desigualdade. A culpa não é especificamente do Eike. Ele fez o jogo direitinho, se apropriou com inteligência das ferramentas que teve à disposição e acumulou muito dinheiro. Isso não faz dele uma má pessoa, mas demonstra que as coisas estão erradas, estão tortas.

Um sistema de sociedade justo deveria impedir que essas distorções ocorressem. O governo Lula vem conseguindo diminuir as distorções para menos, reduzindo a pobreza. Dilma fala agora em acabar com a miséria no Brasil. Mas não se fala em corrigir as distorções para mais.

Tudo bem, eles fazem o mais importante e urgente. Dar condições dignas de vida a todos é imperativo. Mas isso seria inclusive facilitado se alguma providência fosse tomada também com relação às grandes fortunas.

  1. Ismael
    31/08/2010 às 21:58

    Eu acho que devemos é aumentar a vigilância, fiscalização nos negócios.

    Se, dentro de regras rígidas e justas para todos, a pessoa consegue acumular fortuna, tudo bem.

    Uma coisa que pensei, não muito relacionado ao tema, é como até nosso mais novo e maior bilionário também representa nossa condição de país atrasado.

    Eike trabalha predominantemente com extrativismo(petróleo e minerais), além da ciranda financeira, claro. Já se pegarmos seus coleguinhas de clube, Steve Jobs, Carlos Slim e Bill Gates, estão na indústria de comunicações e tecnologia.

    Por mais que não goste deles, em especial não gosto do fanático por monopólios, Senhor Gates, ao menos hão de deixar desenvolvimento que, apesar dos pesares, se pode usufruir e compartilhar.

    Embora protejam muito do seus respectivos monopólios, bastante coisa se pode aproveitar de conhecimento geral. Mesmo sem gastar um tostão, uma criança de favela pode, usando um telecentro, aprender muito se entrar nos sites educacionais de Apple e Microsoft.

    A velha indústria extrativista não. Lógico que há muita tecnologia para mineração mais eficiente de hoje em dia e extração de petróleo.

    Mas na base, é o mesmo que faziam na pré-história: coleta da natureza. E pior, muitas vezes arriscando destruir muito a volta.

    E para completar, o consumidor se restringe a esse papel, consumir, geralmente produtos importados, fabricados com nossa matéria prima.

  2. 31/08/2010 às 22:02

    Bem, gostei muito da entrevista, mais pelo que saiu dela do que pela conduta jornalística (a Marília é muito medíocre).
    Vejo que o Eike Batista conseguiu, não só se diferenciar, como colocou as classes mais altas em situação ridícula: principalmente quando a caracterizou – sem usar palavras- mas sugerindo, que elas sejam uma espécie de horda de rapineiros que querem ser high society na Europa.
    Outro ponto em que ele se mostrou extremamente feliz foi em explicar como utiliza a sua fortuna em benefício do desenvolvimento do país.
    Mesmo assim, acho que você levanta uma questão muito interessante, Cris. Sempre perguntei ao Eike, pelo twitter, o que ele acha do imposto sobre Grandes Fortunas. Nunca obtive resposta.

  3. Jux
    01/09/2010 às 0:04

    nossa… fui calcular quanto foi mó-o-menos a renda no ano passado, levando esse valor “simbólico” pago a título de impostos… BARALHO! Foram tantos dígitos que até fiquei tonta!
    Tem alguma coisa muito errada nesse mundo mesmo. =(

  4. 01/09/2010 às 9:31

    A questão sobre as grandes fortunas é que elas são – e devem continuar sendo por um bom tempo – o ápice da escala, da cadeia alimentar capitalista. E me parece que a maior parte da sociedade não vê nada de errado nisso.

    O cara pagou 670 milhões de IR? Ele é foda, tem dinheiro, isso basta. E muita gente queria ser foda como ele. É um problema da sociedade.

    Bonito eu não acho, mas é por aí. Não acho que um imposto soreb grandes fortunas resolveria; no máximo, os caras mudariam de vez pra Miami ou Paris ou sabe Deus aonde, e o dinheiro sairia daqui, ou então eles passariam a ter milhões de laranjas, sei lá.

    Bom, me falta alcance pra imaginar uma medida que possa ser tomada por um governo pra ajudar nisso também. Mas certamente é um assunto que precisa voltar à tona com frequência, para que se sedimentemos essas idéias aos poucos.

  5. 01/09/2010 às 15:43

    Com certeza obsceno. Marx deixou a fórmula. Mas estamos anestesidos por séculos de distorções, nas nossas consciencias. A esta altura do campeonato ja é um absurdo não mexer nesta questão. É uma aberração e não tem matemática ou contabilidade que comporte este tipo de enriquecimento e igualdade.

  6. Francisco
    02/09/2010 às 18:59

    Todo dinheiro ganho honestamente é válido, mesmo que em quantidades eexorbitantes. Já que – aparentemente – tem o dom da honestidade e do trabalho, Eike deveria ter uma coisa chamada humildade e desapego. Se doasse ANUALMENTE 40% dos seus lucros (estou falando do que ele ganha, não do que ele já tem. Isso seria utopia ao cubo e estou apenas no campo do quadrado) ele não seria menos rico e haveria menos desigualdade. Ah, ele paga 670 milhões ao IR, uma bolada pro(s) governo(s) aplicar(em) no social? São migalhas perto do que ele tem.

    Mas como se diz, não é agora que o mundo vai mudar. Mais fácil admirtá-lo por ele ter essa fortuna do que se indignar.

  7. Lanucce de Paula Varão Santana
    24/06/2012 às 20:58

    Discordo com o autor do texto onde diz: “O governo Lula vem….. reduzindo a pobreza….”
    Quem merece os créditos pela bolsa família não é o Governo Lula e sim quem realmente é o Pai do projeto o Governo FHC. I Governo Lula foi apenas quem implantou e, infelizmente se reelegeu enganando os “pobres” dizendo ser o criador do bolsa família. E o “pobre” que hoje recebe todos os beneficios nem sempre é tão “POBRE” e, quem realmente precisa, como os sertanejos, passando fome e sede, não recebem.
    Eu nasci

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: