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Zero Hora tenta despolitizar o eleitor

Não bastasse a matéria esdrúxula e inútil da Zero Hora sobre os hábitos alimentares dos candidatos ao governo do RS*, um detalhe espacialmente pequeno explicita, para quem o enxerga, a visão do jornal sobre política e eleições. A visão que ele quer passar para o leitor. Quem assina a notinha de cinco linhas e meia na página 3 de domingo (15) é Tulio Milman. A respeito do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, ele diz:

Ou seja, não se informe sobre os candidatos em que vai votar, eleitor.

Tudo bem que o sistema político anda meio deturpado, mas se isolar da discussão não é exatamente a melhor forma de defender a democracia. Mas está aí, caro leitor, se você quiser que alguém que você nunca viu mais gordo gerencie o seu dinheiro e faça coisas para a sua vida, vá ver um filme. A Zero Hora recomenda.

Depois faz matéria criticando as aberrações que o eleitor alça ao Parlamento ou ao Executivo. Mas a mea culpa nunca aparece. Nunca diz que a responsabilidade por essas aberrações é também da imprensa, que incentiva o eleitor a votar desconhecendo os candidatos e os programas.

E continua, assim, despolitizando a política. Nada melhor para piorar cada vez mais a qualidade dos nossos governantes. Sorte que o leitor não obedece cegamente o que esses jornalões dizem. Não mais.

————–

* A curiosidade até vale e poderia render uma materiazinha. Mas dissertar sobre os componentes do café da manhã de Tarso ou a quantidade de água ingerida por Fogaça, além de descrever a sopa diária de Yeda, definitivamente não merece capa e o título de reportagem especial do jornal de domingo. Ainda mais na semana em que a campanha vai começar pra valer e que o objetivo, segundo a ZH, era falar sobre os preparativos dos candidatos para a propaganda da TV. Agride meu bom senso e a minha inteligência.

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  1. msilvaduarte
    16/08/2010 às 16:05

    Mais de uma vez tentei compreender a bizarra lógica por detrás de contradições como a que apontas, mas zh permanece impermeável à razão.

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