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Interesses políticos na cobertura jornalística local

Na linha Congresso da Abraji:

Cláudio Weber Abramo Evandro Spinelli (@evandrospinelli) – “Cobertura da política local”

“Quando o dono do veículo está no poder, está tudo ótimo. Quando é oposição, o jornal se esmera em jornalismo investigativo.” Foi esse o tom da fala de Cláudio Weber Abramo, que criticou enfaticamente o jornalismo praticado no Brasil. Evandro Spinelli foi um figurante contestador, mas um figurante nessa palestra. Pelo menos em termos de conteúdo, não acrescentou muita informação.

Nos veículos pequenos, de cidades do interior, Abramo disse que os colunistas vendem seu espaço para quem pagar mais (“método Assis Chateaubriand”). Nos grandes, o que orienta a linha editorial é o interesse político mesmo.

Abramo trabalha com estatísticas para fazer suas avaliações. Não se permitiu opinar sobre qualquer assunto sem ter dados em que pudesse se basear. Uma das conclusões a que chegou foi que a cobertura de corrupção no Brasil é feita quase que estritamente pelos veículos do Sul e do Sudeste. Estados que, junto com a Bahia, geram 80% do PIB brasileiro e baseiam as discussões mais gerais de política nacional – 92% das matérias que são atribuídas a agências de notícias referem-se a Agência Estado e FolhaPress.

É também onde a informação penetra mais na população. Os jornais em SP, por exemplo, têm penetração 151 vezes maior que em Sergipe. Trocando em miúdos e sem falso preconceito, significa que os ricos leem muito mais que os pobres. “A pobreza relativa é dterminante na qualidade de informação que chega ao público”, disse. E essas regiões leem mais sobre outros estados. Os jornais do Sul e do Sudeste publicam, muitas vezes, mais notícias do que nos locais de origem da informação.

Nos lugares mais pobres e de imprensa mais débil, se sabe mais sobre Rio de Janeiro e São Paulo do que sobre política local. Nesses lugares, a imprensa é um meio de satisfação da oligarquia local. Já em SP e RJ, se sabe mais sobre Brasília do que sobre sua cidade.

“Interessa mais aos jornais paulistas cobrir Brasília, que o governo é do PT, do que cobrir o estado, que o governo é um aliado ideológico.”

De um modo geral, no Brasil os estados são mais cobertos do que os municípios, mas São Paulo é exceção. Os grandes jornais brasileiros, que são paulistas, dedicam suas páginas a cobertura de Brasília e têm cadernos especialmente para cobertura dos problemas municipais. A política estadual acaba ficando em segundo plano.

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  1. luizmullerpt
    13/08/2010 às 10:36

    Pelo que o Abramo falou aí, a paulistada fica mesmo é metendo o bedelho nos problemas dos outros e discute pouco o deles. Por isto que de tempos em tempos eles elegem Maluf, Serra, Janio Quadros, etc…E os tais jornalões querem desconstituir o PT, destruir o Lula e derrubar a Dilma antes mesmo de ela assumir. Este metodo da mídia paulista e carioca já provocou outros desastres para o povo brasileiro, como a morte do Getúlio, a Ditadura Militar, o Collor, o FHC… Foi no governo Lula que acabou esta hegemonia retrógrada. Por isto Agora é Dilma.

  2. Danilo Bueno
    13/08/2010 às 15:06

    Esse argumento sobre a falta de cobertura da Assembleia Legislativa, e o governo de São Paulo pela mídia paulista é mais convincente do que o argumento do pessoal da Folha, de que o público disperso do interior do Estado, os 33% dos leitores do jornal, não justifica a cobertura…

  1. 13/08/2010 às 12:46

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