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Comodismo mantém o baixo nível do jornalismo brasileiro

A gente usa o termo PIG, consolidado por Paulo Henrique Amorim, para se referir à grande imprensa quando ela faz alguma coisa feia, o que é bem comum. Significa Partido da Imprensa Golpista, e aí cabe uma análise. Partido seria porque essa grande imprensa toma parte na disputa política brasileira. Golpista porque teria interesse em derrubar o atual governo petista.

Até concordo que a maioria dos membros da grande imprensa não gosta do PT, que ela tem tendência a criticar mais Dilma do que Serra e que isso acontece de fato com mais frequência e intensidade. Mas acho que não é fruto de um complô. Pra mim deriva muito mais do que o jornalista econômico Sérgio Leo chamou, no 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo organizado pela Abraji, de “formação de consenso”. Refiro-me especialmente ao jornal impresso.

Especialmente na área de economia, de que ele trata, disse, no Congresso de Jornalismo Investigativo da Abraji, que o grande problema nem é a existência de um PIG ou porque os veículos publicam ou o que os patrões querem, mas a complexidade do assunto. Dá muito trabalho ir contra o pensamento dominante, então os jornalistas, preguiçosos, fazem o mais fácil. Isso significa não dominar o assunto e falar sempre com as mesmas pessoas. Manter essas fontes fixas e óbvias é realmente mais cômodo. Além disso, o tempo é cada vez mais curto, e a demanda, cada vez maior, o que incentiva o pragmatismo, a preguiça de ler, de ir atrás do diferente.

E aí a preguiça se junta ao “conforto ideológico”, que é onde eu queria chegar. Não acredito que o repórter pense a cada matéria “hmm, isso vai ajudar o Serra, então vou falar desse jeito” (imagino ele esfregando as mãos, meio Mr. Burns). O que penso que acontece é que se segue um pensamento que já está lá, que é fácil, que o dia a dia da redação não permite questionar. Falta crítica aos jornalistas, sobra comodismo. E o comodismo leva à manutenção do pensamento dominante, à adaptação ao consenso.

Não que isso justifique a má qualidade do jornalismo, muito pelo contrário. É difícil, mas essencial manter o espírito crítico constantemente para quem está dentro de uma redação. E quem está fora tem o dever de apontar os erros e criticar, para a melhoria da informação produzida e a construção da democracia.

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  1. Cleberson Silva
    08/08/2010 às 16:39

    Deixa eu ver se entendi: jornalista que critica o governo é golpista, de baixo nível e acomodado, é isso?

    • 08/08/2010 às 19:05

      Não, não entendeste. Melhor ler de novo.

      O que eu disse é que é mais fácil se manter no pensamento dominante (vai dizer que não é?), não que todos que compartilham desse pensamento são acomodados.

      • Cleberson Silva
        08/08/2010 às 21:54

        Realmente, é mais fácil seguir a tendência.
        Mas convenhamos, o governo atual tem uma popularidade enorme, então me parece ser (muito) mais cômodo concordar com suas práticas, mesmo as mais questionáveis, do que criticá-las.
        Ainda mais se considerarmos que ao criticar o governo se é imediatamente atacado por uma horda de blogueiros e jornalistas partidários…

  2. Pati
    08/08/2010 às 19:18

    Concordo. A preguiça é um dos piores males dentro do jornalismo…

  3. 08/08/2010 às 22:13

    Mas Cleberson, o mais fácil é seguir a tendência dentro do meio em que se está, eu acho. E a imprensa brasileira tem uma tendência de ser mais conservadora.

  1. 07/08/2010 às 21:13

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