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Folhateen é jornalismo dos bons para adolescentes

Se às vezes é difícil de engolir a cobertura de política dos grandes jornais brasileiros, há situações em que alguns surpreendem pela qualidade. Algumas surpresas são realmente inesperadas, o que é ótimo. Por exemplo, o caderno Folhateen, da Folha de S.Paulo. Acostumada como estou com o jornalismo gaúcho, fica difícil ver a possibilidade de fugir da futilidade em um suplemento para crianças e adolescentes. E não é que dá?

Se sexo, AIDS, drogas parecem já estar esgotados, há uma infinidade de outros temas que podem ser abordados. A capa do Folhateen de ontem (02), por exemplo, é sobre como lidar com a descoberta de que seu pai ou mãe é gay. Sensacional! É difícil mesmo, o preconceito é muito grande e essa se torna uma dificuldade a mais na vida já conturbada de um adolescente. Eu nunca tinha visto nenhum veículo abordar o tema – sem pré-julgamentos.

Em suma, o caderno fala de comportamento com a linguagem direcionada para um público específico, atendendo suas peculiaridades. “Comportamento” pode preconceituosamente parecer jornalismo de segunda categoria, mas, especialmente na juventude, é essencial uma orientação, um lugar onde procurar explicações sobre coisas que podem acontecer e com as quais é difícil de lidar. Às vezes não se tem com quem conversar a respeito das mudanças da vida, ou falta informação.

A matéria não é enorme, nem poderia. Os jovens já leem tão pouco que o melhor que o jornal pode fazer é não assustá-lo com textos imensos. Mas ocupa o tamanho certo para provocar a discussão, que vai além do jovem diretamente afetado pelo tema, mas atinge também o colega que lê a Folha e poderia olhar com olhos tortos para aquela menina da classe cujo pai assumiu a homossexualidade.

Ou seja, além de cumprir com o objetivo de informar, a Folha contribui para, através da discussão do tema, combater o preconceito. Pesquisando edições anteriores, percebe-se que é prática adotada sempre. Há temas como ateísmo, maconha em família, carreira no exército, livrarias, de tudo. Isso é jornalismo dos bons. E feito para adolescentes.

Na página seguinte, um texto sobre eleições e as vantagens democráticas de se tirar o título de eleitor e votar aos 16. No mesmo caderno, uma outra matéria trata de jovens que perderam tudo em tragédias e levam uma vida improvisada. Nesse caso, o jornal ajuda a sensibilizar o adolescente, ele olha para o outro e o enxerga, como outro ser que sente, e que muitas vezes sofre. Alguém digno de solidariedade em momentos difíceis, de compreensão quando erra, de compaixão.

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A primeira é imagem é a que ilustra a matéria de capa dessa semana. De Daryan Dornelles/Folhapress.

As outras são de edições antigas, porque não tive acesso à versão online da edição atual.

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