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FHC e suas duas éticas

Cláudio Abramo é muito respeitado entre os jornalistas. É dele o livro “A regra do jogo”, onde diz, em suma, que a ética do jornalista não é diferente da ética do cidadão. Uma ética só. Quem não a tem por princípio, não vai adquiri-la depois de algumas aulas ou experiência prática. Da mesma forma, quem a tem, não a perde. Mantém, leva para a profissão a mesma relação com a ética que tem na vida.

Assim é na vida. Em todas as áreas. Ou se tem ética ou não se tem. Pode-se até adquiri-la ou perdê-la com o tempo (há ainda quem discorde disso), mas não se pode ter ética em determinados momentos e não ter em outros. Saio de casa como um sujeito ético e chego na esquina como um mau-caráter. Isso não existe.

Para Fernando Henrique Cardoso, existe. Mino Carta conta, no editorial de Carta Capital dessa semana, de uma entrevista que fez com o cidadão em questão, nos primórdios de sua trajetória de oito anos como o homem mais importante do Brasil. Em 1994, FHC diferenciou a ética do cientista da ética do político. Por isso fez a merda que fez (desculpem os puritanos, mas se o Lula pode dizer essas coisas, por que não eu?).

Só avisando: quem tem duas éticas não tem nenhuma.

Não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão. Suponho que não se vai esperar que, pelo fato ser jornalista  o sujeito possa bater carteira e não ir para a cadeia. Onde entra a ética. O que o jornalista não deve fazer que o jornalista não deva fazer? O cidadão não pode trair a palavra dada, não pode mentir. No jornalismo, o limite entre o profissional como cidadão e como trabalhador é o mesmo que existe em qualquer outra profissão. É preciso ter opinião para poder fazer opções e olhar o mundo da maneira que escolhemos. Se nos eximimos disso, perdemos o senso crítico para julgar qualquer outra coisa. O jornalista não tem ética própria. Isso é um mito. A ética do jornalista é a ética do cidadão. O que é ruim para o cidadão é ruim para o jornalista.

Cláudio Abramo, A regra do jogo

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  1. 15/07/2010 às 22:27

    Eu já cansei de escrever “merda” no blog… Sem asteriscos.

    É f***. :P

  2. carlos alberto a kfouri
    18/07/2010 às 9:14

    Alguem tem que fazer o vizinho Ruda Ricci ler o Claudio Abramo, pra acabar com essa bobagem da imparcialidade do jornalista. Isso não existe.Somos quem somos em todos os aspectos da vida. Tratar éticamente esse fato é a questão relevante.Antes a Carta Capital que declara apoio um candidato, do que aqueles que fingem que não apoiam ninguem. E que tambem já não enganam niguem.

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