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Porto Alegre largada às traças

Parece uma matéria de menor importância, que não trata diretamente de política, que não afeta a vida da população. Mas a página 41 da Zero Hora de hoje (09) esconde em suas linhas uma constatação no mínimo desagradável para os porto-alegrenses: a cidade não investe mais em si mesma. Quer dizer, a administração municipal é omissa.

Explico melhor. O texto é sobre turismo. Quem fornece os dados são pessoas que passaram por Porto Alegre e provavelmente não têm identificação com governos daqui. Ou seja, teoricamente mais isentas na análise. O objetivo era coletar dados, avaliar a percepção dos turistas para melhorar a recepção para a Copa do Mundo de 2014.

Três pontos foram destacados como os que receberam notas mais altas e três com as mais baixas. A hospitalidade, a hospedagem e principalmente a oferta de gastronomia pularam na frente. Já segurança pública, limpeza pública e sinalização urbana ficaram com notas bem baixas: médias de 2,6, 2,7 e 2,7, respectivamente, em índices de 1 a 4. A gastronomia, por exemplo, obteve 3,4.

O que se constata dessa avaliação é que a parte privada está ok. Os investidores não são bobos e se esforçam para oferecer o melhor serviço. Se não o fizerem, perdem seu lucro. O que tem de ruim em Porto Alegre é de responsabilidade da administração pública, a Prefeitura (hoje nas mãos de José Fortunati, recém herdada de José Fogaça, o candidato a governador pelo PMDB).

Como a administração pública não lida com lucro, mas com bem-estar, sua ineficiência não é sentida da mesma forma capitalista. Com a grana dos impostos já em mãos – os quais os cidadãos não têm a opção de não pagar -, os governos podem decidir o que fazer com ela. No caso de Porto Alegre, decidiu-se não investir na cidade e no bem-estar da população. Simples assim.

Mas só enxerga quem lê com atenção. Um desavisado cai no conto do vigário e acredita que é tudo a mesma coisa. Todos os investimentos são da cidade, mas nada a ver com a vida cotidiana. Turismo, afinal de contas, é bom, mas é secundário. Só que o que é apontado como problema pelos turistas não só os afasta, mas são situações enfrentadas todos os dias pelos porto-alegrenses. Isso a Zero Hora se furta de comentar.

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Charge do Kayser.

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