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A Liga: muito além do óbvio

Confesso, às vezes assisto alguns programas jornalísticos meio na obrigação, apenas por dever de ofício. Preciso estar por dentro do que anda acontecendo na profissão, mas alguns desses programas são um verdadeiro sacrifício, difícil de engolir.

Fui assistir A Liga tempos atrás nesse esquema, mais por dever do que por vontade. Todo o mundo comentava e eu precisava dar meu pitaco. Ia dar uma volta lá pelo meio do tempo pra buscar alguma coisa pra comer. Já que a função era comprida, uma hora e meia, podia perder uns minutinhos.

Pois olha, não fui. Na verdade, não consegui desgrudar da TV. Não é daqueles documentários que têm muita informação e são tecnicamente bons mas não empolgam. Tampouco um programa de entretenimento. É informação, jornalismo de qualidade, sério, até tenso em alguns momentos, mas agradabilíssimo. Bom mesmo.

Tem algumas doses de ironia, mas não são elas que dão a leveza do programa. Aliás, a ironia é figura delicada de lidar, e ali é usada na medida certa, sem o exagero que descamba pro mau gosto. O que confere o tom mais interessante para o público em geral, o que torna A Liga assistível do início ao fim é a vontade de saber mais sobre o assunto que os repórteres conseguem provocar. E por inverter a perspectiva, por quebrar o óbvio, ampliar o tratamento do fato.

A apuração é muito bem trabalhada, para abranger os diversos aspectos do assunto. Apesar de os repórteres trabalharem de forma independente, suas contribuições se complementam. A edição é primorosa. O programa da semana passada, sobre prostituição, foi incrivelmente completo, fascinante. E o programa é disponibilizado no site.

Ontem foi sobre alimentação. Quem já não viu um Globo Repórter sobre comida? Aliás, na capa do site do programa frutas e verduras, arroz, feijão e bife saltam aos olhos, de cara. E convenhamos, não digo que seja difícil passar do primeiro bloco, é difícil ir além dos primeiros minutos. Previsível, entediante, chato. Há méritos: nem Dramim funciona melhor para fazer dormir do que aquela locução com a mesma voz de Sérgio Chapelin há 14 anos.

Eu não conhecia bem o trabalho de todos, mas só pelo A Liga já dá pra ter certeza que a equipe é de primeira: Rafinha Bastos, Débora Villalba, Thaíde e Rosanne Mulholland. Uma vez eu disse que a melhor jornalista do Fantástico, Regina Casé, não era jornalista. Em A Liga, não são todos formados em jornalismo, mas são uns baita repórteres.

O Caco Barcellos que me desculpe – e nada a ver com seu inquestionável trabalho com livro-reportagem -, mas A Liga dá de dez no Profissão Repórter, que compete no horário.

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  1. Ismael
    24/06/2010 às 2:11

    O globo reporter está estranho faz anos.

    Até o final dos anos 90 eram temas bem variados.

    Mas acho que desde os 2000 virou uma fixação por alguns temas.

    Tinha uma época que eu chamava de “globo bichinhos”, era sempre alguma mata curiosa, com destaque para algum raro bicho flagrado.

    Depois virou “globo mergulho”, Ernesto Paglia sempre mergulhando em algum lugar de visual “mágico”. Quando surgiu o Globo Mar lembrei desse apelido que eu criei, :) .

    Agora estamos na fase “Globo nutrição”, repetem muito o tema.

    Bem fez o Caco Barcellos com seu Profissão repórter, atropelou o outro programa, ficou escancarado o cansaço do antigo.

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