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Jorge Furtado é o melhor do especial de Carta Capital

A Carta Capital circula essa semana em uma edição especial. No 600º número da revista, ela vem com a proposta de responder à pergunta “Do que o Brasil precisa?”. Claro, sem a pretensão de apresentar soluções definitivas ou absolutas. A ideia é simplesmente que pessoas com certo grau de respeitabilidade em diversas áreas deem a sua opinião.

Adoro essas coisas de edições especiais, e me empolguei quando vi essa. Confesso, está meio decepcionante. Talvez por a pergunta ser ampla demais, talvez pela escolha dos nomes a respondê-la. Vários começaram de um jeito meio parecido, caíram em obviedades. Mas alguns textos valem o investimento. De tão bons, superam os outros.

“Ler Guimarães Rosa”, resposta de Jorge Furtado, é disparado a melhor. Não diz nenhuma novidade surpreendente, mas sintetiza em três páginas o que de fato o Brasil precisa, mas não quer ver. E deixa no final a sensação de burrice coletiva por não fazermos coisas tão simples e óbvias. Além de tudo, desmistifica aquilo que querem fazer o brasileiro crer. Por exemplo, que nenhum político presta e que política não vale a pena.

Além dele, destaco o artigo de Marcos Coimbra que publiquei aqui no blog sobre a capacidade do eleitor de fazer suas escolhas. O texto de Dagmar Garroux, presidente da ONG Casa do Zezinho também vale bastante. Especialmente as respostas dos “Zezinhos”, crianças e adolescentes muito mais espertos que muitos gestores por aí.

A entrevista de Juca de Oliveira a Rosane Pavam também está muito boa. Não concordo com boa parte do que o ator diz, mas ele é inteligente e a condução da conversa é bem feita.

Sócrates, pra variar, discute futebol além das quatro linhas do campo. E muito bem. Sua visão crítica privilegia o leitor de Carta Capital toda semana. Agora, critica a fuga da realidade que a atual forma de gerenciar o esporte beneficia.

Por fim, a entrevista com MV Bill está de primeira. Quem conduz é Pedro Alexandre Sanches, que passou seis horas com o cantor. O que mais marca na conversa é a sinceridade que MV Bill transmite. Eu conhecia – e conheço – pouco o seu trabalho, mas o respeito, especialmente pelo que li, pela visão de integração, de cuidado com as favelas, de não afastá-las da sociedade, não incentivar uma rixa, mas uma convivência harmoniosa.

Decepcionante foi a resposta de José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares. Na tentativa de defender o movimento negro e mostrar sua importância, citou a visita da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e passou boa parte do texto enaltecendo a dama de ferro que tem se mostrado pouco afeita a ceder espaço para ideias divergentes, seja no campo que for.

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