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Os candidatos à Presidência e as relações internacionais

Em 2003, Emir Sader disse em seu livro “A vingança da história” que uma ruptura com o modelo neoliberal baseava-se, em primeiro lugar, em uma reinserção do Brasil no cenário internacional. O neoliberalismo, para ele, não é simplesmente um modelo econômico em crise, embora essa crise seja também econômica. Mas “trata-se de um esgotamento do modelo de sociedade, de economia, de Estado e de cultura que foi proposto na última década e meia”. Então, para superá-lo, não é suficiente romper com um planejamento econômico dado. É preciso toda uma transformação, que começa, por óbvio, nas relações internacionais.

Disse Sader em 2003 que a ruptura com o neoliberalismo requer “a reinserção soberana do Brasil no plano internacional, que significa renegociação da dívida externa, elaboração e colocação em prática de uma política estratégica de unificação da América Latina e de alianças com as grandes potências do Sul do mundo”. Isso incluiria uma ruptura com a política de alianças privilegiadas com os EUA, o FMI, o Banco Mundial.

Nesse fim de fase, de oito anos de governo Lula, digo sem medo de errar que a política externa foi um dos caminhos em que o operário pobre e pouco estudado mais acertou. Foi na negociação com outros chefes de Estado, na parte talvez mais difícil e que exija mais habilidade política e inteligência estratégica que Lula se destacou. O que Emir Sader avaliava como necessário foi feito de fato.

E a continuidade disso, dessa política solidária e que projeta o Brasil, sem esquecer de outros países que talvez dependam de uma liderança como a nossa para ganhar espaço junto, está explícita. José Serra, aquele que anunciou a candidatura sem um vice, que não conseguiu sequer conseguir negociar a tempo um nome forte para compor a chapa que concorre à Presidência da República (teoricamente muito desejada) ofende o presidente boliviano, o Evo Morales que, tal como Lula, identifica-se com sua população. Enquanto isso, Dilma discursa na convenção que formaliza sua candidatura:

Seguiremos defendendo, de forma intransigente, a paz mundial, a convivência harmônica dos povos, a redução de armamentos e a valorização dos espaços multilaterais.

Em especial, precisamos seguir estreitando as relações com os nossos vizinhos e promovendo a integração da América do Sul e da América Latina, sem hegemonismos, sem querer abafar ninguém, mas com ênfase na solidariedade e no desenvolvimento de todos.

Além disso, precisamos manter nosso olhar especial para a África, continente que tanto contribuiu para a nossa formação.

A escolha está dada.

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