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Porto Alegre não precisa de mais concreto

Algumas pessoas ficam tão focadas nos detalhes que esquecem de olhar o todo. O geólogo Rualdo Menegat é exatamente o contrário. Conversar com ele amplia a visão de mundo, nos faz ter clareza de que não estamos sozinhos, de que precisamos conviver, seja com outras pessoas, com animais, com a natureza. Precisamos enxergar o que está ao redor para vivermos bem, para entendermos que, se continuarmos egoístas, se só nos preocuparmos em crescer, em construir, em ganhar, vamos perder. E muito. O destino final desse caminho é o caos.

A conversa durou quase duas horas. Transcrita, rendeu 16 páginas. Renderia muito mais. Dias, se fosse o caso. Mas o jornalismo precisa ser suscinto, e a versão final, bem menor, foi publicada no Jornal Sul 21. Contém ali a essência da conversa que tive com Rualdo, partindo do terreno da Fase, que pode ser votado essa semana na Assembleia do RS, para uma noção de cidade, de civilização.

Ele me contou que Porto Alegre, hoje, com as cidades ao redor, que são todas conurbadas, tudo uma coisa só, deixou de ser uma metrópole para virar uma megacidade, com seus 4,5 milhões de habitantes. É um nível acima da metrópole na escala, é muita gente. Vai um trechinho da conversa:

Para a megacidade de Porto Alegre não faz falta nenhum edifício que a torne mais atrativa, mais bonita, mais interessante, ela não precisa de novas construções arquitetônicas para conseguir atrair investimentos. Nós já somos 4,5 milhões de habitantes numa enorme plataforma de concreto que não precisa mais de edificações. Cada metro quadrado de área verde, isso sim, ela precisa. Seus estoques ambientais estão no limiar, reduzidíssimos, porque os processos da megacidade são muito rápidos. Veja Porto Alegre: em cinco anos mudou todo o perfil de edificação. Fermentou, cresceu como um pão sovado.

O Morro Santa Teresa pode ser considerado um desses estoques ambientais?

Exatamente. E nós temos que conservar os estoques que nós temos. São esses elementos que quebram essa absurda monotonia urbana, da máquina urbana que nos engole, que nos engolfa. Um pássaro numa árvore pode ser um momento em que uma mente olhe, se distraia, relaxe, faça sua higiene mental, se harmonize um pouco com o meio em que está, passe a respeitar melhor esse pássaro, essa árvore, e também a pessoa que está do lado dela.

Deu água na boca? Entao, continua lendo no Sul 21.

  1. 08/06/2010 às 8:38

    No mundo de hoje é difícil pensar além do dia de amanhã. O imediatismo está comprometendo o futuro da cidade e do planeta.

  2. 09/06/2010 às 10:05

    Obrigado, Cris. É mesmo uma entrevista que vai fundo na reflexão sobre as cidades. Gostaria de publicar no blog da Catarse (www.coletivocatarse.com.br),se for copyleft. Parabéns!

  1. 22/08/2012 às 17:01

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