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De como Israel é prejudicial até para os judeus

Não é de hoje que o Estado de Israel se sustenta na sua condição de vítima eterna para justificar seus atos. O Holocausto e a história de perseguição do povo judeu são terríveis, mas poderiam ter servido para fortalecer uma visão humanitária, para que Israel entendesse como é ruim ser vítima e passasse a respeitar seus opositores. Para que se permitisse uma postura solidária em relação ao resto do mundo.

Infelizmente, não o fez. Ao contrário, usa uma história triste para justificar outra história triste, de dor e sofrimento, mas do outro lado. Chega a ser uma falta de respeito ao povo judeu, que sofreu tanto, a utilização de sua história com esses objetivos.

Aliás, tudo o que Israel consegue com essa postura é causar revolta, é mover a opinião pública mundial contra um governo autoritário, terrorista, segregador. Tenho visto pessoas criticarem os judeus. Outros veem que não são os judeus os culpados, daí criticam apenas os sionistas. Peraí, eles também não têm culpa.

O sionismo é um movimento bem antigo, que nasceu para reivindicar uma terra para o povo judeu. Terra que lhe foi roubada, sim, e que eles têm o direito de querer. Mas o movimento sionista não diz que ter a terra de volta significa expulsar árabes, fazer uma guerra, segregar, matar. A convivência seria possível se não estivesse viciada. Se fosse simples, eu diria para pararem um pouco e pensarem. O que nessa história faz sentido? Nada. Guerra para quê, se somos todos humanos e podemos conviver em paz, respeitando as diferenças?

Mas não é simples. E o que o Estado de Israel, com sua postura bélica, faz é incentivar essa segregação, incentivar esse ódio, que se volta inclusive para os próprios judeus. No fim, é péssimo para quem mora em Israel. Conheço israelenses que são contra a postura do governo. Porque é possível discordar do chefe do país, pensar diferente. Mas os israelenses, por culpa do governo, ficam tachados, têm que carregar consigo a marca de serem terroristas.

E sei que vou receber críticas, tanto de judeus quanto de palestinos – ou de quem critica, com razão, o Estado de Israel – por alguma frase desse texto em que parece que digo que os judeus são todos terroristas ou que dê a entender para olhos viciados que defendo a atitude de Israel. É isso que posturas como a de ontem, de destruir um barco de ajuda humanitária em águas internacionais, conseguem. Criar um maniqueísmo odiento, em que, quando se é judeu, tem que se odiar os árabes e, quando se é árabe, tem que se odiar os judeus, senão parece que é um traidor, que não é suficientemente árabe ou judeu. Uma tristeza total.

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  1. Lucio Flausino
    01/06/2010 às 22:25

    Pois é, Cris.

    Tava lendo o post e pensando a mesma coisa.
    Concordo contigo que o alvo de nossas críticas devem ser para os políticos gananciosos que tentam manipular os israelenses, nessa questão insólita de terrorista.

    Creio que Israel poderia ser um exemplo para o mundo se pudessem tomar a iniciativa de promover a paz e sentar como civilizados para acabar com essa triste história de mortes e preconceitos, com certeza seria um legado para se lembrar para sempre.

    No fim das contas fiquei satisfeito em saber que meu pensamento que os israelenses oportunistas usam dizendo que todos os que são contra a postura bélica adotada pelo país são tidos como terroristas. e ampliei minha reflexão pensando em como devem se sentir os israelenses judeus, cristãos, muçulmanos, budistas, ateístas que querem somente a paz.

    Na torcida para a melhor resolução desse triste conflito.
    Lucio Flausino Dias Junior

    PS: Ótimo blog, Cris. Um amigo meu de Poa, Marcus Vinícius Simioni e tô muito satisfeito! Abraços.

  2. Ismael
    02/06/2010 às 0:24

    Pois é Cris, eu concordo completamente contigo. Aliás, parabéns pelo texto.

    Mas daí, trazendo para nossa realidade, eu me pergunto se não fazemos o mesmo com as quotas nas universidades.

    Qualquer um que, como eu, diz ser contra as quotas é automaticamente taxado de racista, sem ouvir um argumento sequer.

    Claro, não digo que todos negros fazem isso. Mas infelizmente muitos representantes de classe fazem. Praticamente impedem qualquer debate saudável pois impedem qualquer tipo de argumentação.

    E considero que muitas entidades de classe usam da mesma tática do coitadismo, usando os anos de violência e abusos contra os negros para conseguir algo completamente não relacionado.

    Não seria o mesmo ? Infelizmente algumas questões nacionais como essa não recebem o debate merecido.

    Esse policiamento que taxa de racista qualquer um que seja contra, somado a conveniência política do medo de desagradar as massas vai fazendo com que se aprove mudanças na lei sem a devida discussão.

  3. alves rodrigues
    02/06/2010 às 0:36

    Quando questionas: “Guerra para quê, se somos todos humanos…?”, me fazes pensar que é verdade que somos todos humanos, porém não somos todos iguais. A mim PARECE que estar em guerra, viver numa guerra, é algo meio que cultural, até quase natural para eles, assim como é natural e quase cultural para nós ver homens urinando nas calçadas à luz do dia, ou meninos fumando craque nas praças de POA ou Canoas, ou pessoas que atiram em outras pessoas por 10 reais ou até menos. Tipicamente brasileira essa nossa mania de não entender porque alguns povos preferem a guerra. A violência com a qual estamos acostumados, a que já incorporamos à nossa cultura, é de outra natureza.
    Não acho que todo judeu seja terrorista, nem acho que haja qualquer frase em teu texto que passe essa ideia, mas não posso deixar de pensar que todo judeu, de uma forma ou outra, acaba beneficiado pelo terrorismo promovido pelo Estado de Israel.
    Se dizemos de nós mesmos, brasileiros, que temos um Estado corrupto em razão de elegermos políticos corruptos, então não posso isentar o povo israelense de culpa. São os cidadãos de Israel que votam e elegem os políticos que fazem de Israel um Estado invasor e terrorista há décadas.

  4. 02/06/2010 às 9:39

    O Sionismo sempre foi minoritário entre os Judeus até que Israel se tornou realidade. Uma coisa era voltar à Terra, outra era criar um Estado. Israel sempre foi mais uma idéia ou a intenção de voltar ao lar que a idealização de um Estado.

    E, boa parte dos judeus não foram exatamente expulsos, mas fugiram das perseguições. Tanto que milhares ficaram e habitaram a Palestina por milhares de anos. MAs seu ponto é compreensível.

    Os Sionistas, quando inventaram a idéia de um Estado, só esqueceram de avisar que a terra já tinha dono, os Palestinos, que foram convenientemente mortos ou expulsos. Ou ambos.

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