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Imprensa brasileira não discute eleições colombianas

Existem várias formas de fraudar uma eleição. Na Colômbia, o meio escolhido foi o medo. Bombas, bloqueios de estradas, ações armadas fizeram com que o índice de abstenção nas eleições que aconteceram ontem chegasse a 51%. As pesquisas anteriores ao pleito indicavam empate técnico entre o candidato do oposicionista Partido Verde (nenhuma semelhança com o brasileiro) e o governista do Partido de la U. Antanas Mockus aparecia com 34% e Juan Manuel Santos, com 36%. Bem longe dos respectivos 21,5% contra 46,5% averiguados nas urnas.

A Missão Governamental de Observação Eleitoral (MOE), uma ONG de observação eleitoral, recebeu 51 denúncias de irregularidades, incluindo compra de votos. Tudo bem que o ataque terrorista de Israel contra uma missão humanitária desviou o foco dos jornais, mas ainda há outros assuntos que aparecem na mídia brasileira. E as eleições colombianas? A imprensa só diz que haverá um segundo turno apesar da vitória de Juan Manuel Santos.

O que se enfatiza é a vitória do candidato conservador. Os resultados, os números, o oficial. Lá no meio dos textos, alguma menção a possíveis fraudes, ao contexto todo. A reflexão sobre a situação da Colômbia, uma noção do cenário latino-americano, essas ficam pra outro dia. Ou outro lugar.

O jornalista Antônio Luiz M. C. Costa deu uma visão até interessante sobre a discrepância entre pesquisas e resultados. Pelo Twitter, me disse que é muito difícil fazer sondagem de periferias e zona rural em um país conflagrado. Assim, as pesquisas teriam refletido o desejo da classe média urbana. A abstenção seria porque muitos não querem uribismo mas não levam Mockus a sério. Pode ser explicação para boa parte da situação – talvez até a maior parte. Mas, mesmo que não tenham sido decisivas para o resultado, não se pode esquecer as denúncias de fraude, ainda assim.

De qualquer forma, o que o jornalista diz não coincide com a descrição da Colômbia do Estadão: “O próximo líder vai herdar uma melhor segurança e nível de investimento, mas também uma lenta recuperação econômica, um déficit grande, o desemprego de dois dígitos e uma disputa comercial com a Venezuela, onde o presidente socialista Hugo Chávez está irritado com a influência Estados Unidos na região”. Melhor segurança? E bom, a disputa comercial com a Venezuela não é tão difícil de resolver. É só manter uma diplomacia de verdade, como o resto da América Latina, que não tem problemas com Chávez.

Para saber mais:

Um texto muito bom sobre o papel da mídia está no Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães.
A matéria do Estadão (que, apesar de conservador, geralmente é o que dá mais espaço para Internacional).
O argentino Página 12.
O mexicano La Jornada, de onde saíram as fotos que ilustram esse post (a primeira de Mockus e a segunda de Santos).

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