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A verdadeira independência dos latino-americanos

A Argentina comemora hoje o bicentenário da sua independência. Foi o primeiro país a se livrar dos ibéricos, no distante, mas não tanto, 1810. Distante porque muita coisa aconteceu nesses 200 anos. Não tanto porque os países latino-americanos só começaram a se tornar de fato independentes nos últimos 10 ou 15 anos.

Aprendemos no colégio que as independências se deram no plano político, naquele início do século XIX, mas não no econômico. Discordo. Acho que só estamos nos tornando independentes politicamente agora. Que uma independência está extremamente entrelaçada à outra.

As políticas neoliberais colocadas em prática no período da redemocratização nos anos 80/90, por exemplo, são medidas econômicas, mas com profundas consequências políticas e sociais: desemprego, serviços públicos de má qualidade, enfraquecimento político. Isso sem contar a submissão à política externa norte-americana. Foi uma reestruturação pós-ditaduras incentivada pelos Estados Unidos em proveito próprio. O papel do Estado diminui, os países se inserem no cenário de globalização. Isso é extremamente político, e demonstra o caráter de dependência por ter acontecido da mesma forma na grande maioria dos países latino-americanos.

A grande festa que está acontecendo na Argentina tem um gostinho especial porque a Cristina Kirchner pode afirmar com satisfação que o país não responde mais cegamente ao que mandam os do Norte do mundo. A dicotomia Sul/Norte é muito enfatizada por Eduardo Galeano, um crítico da aceitação passiva pelo Sul das políticas do Norte, que Mino Carta ilustrou tão bem em seu editorial dessa semana na Carta Capital.

A Argentina tem motivos para comemorar sua história como um país livre desde o fim do governo Menem. Foi só então que se livrou da interferência direta dos países do Norte.

O bicentenário da independência brasileira acontece só daqui a 12 anos. De um modo geral, tudo aconteceu no Brasil de forma meio atrasada e capenga. A própria independência foi sem rompimento e deixou no poder um português. O país se tornou um Império sem líderes brasileiros. O único monarquista depois da independência. Se bem que a ditadura brasileira foi uma das primeiras a se denunciar. Talvez pela primeira vez, o Brasil aparece na dianteira de forma positiva. Lidera um processo de emancipação política e econômica forte. Sai na frente dos americanos em questões em que antes não ousava se meter, por ser muito pequeno, fraco e submisso.

Ainda falta tempo para o Brasil fazer sua grande festa dos 200 anos mais ou menos sem Portugal. Mas merece se juntar à celebração argentina. Para que juntos os latino-americanos encarem o mundo daqui para a frente. Juntos, independentes e fortes.

Fotos: Agência EFE/Terra Brasil

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