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Europa: estão tratando o doente com o remédio errado

Quando a crise imobiliária começou, em setembro de 2008, se falou muito em crise do capitalismo, os mais modestos em crise do neoliberalismo. Chegou-se a falar que o neoliberalismo estava acabando. E os que foram mais longe viram o fim do longo período do capital. A discussão seria sobre o que viria a seguir. Vi grandes nomes falando que tínhamos que mostrar logo um caminho sustentável e possível, mais solidário, para orientar os rumos da economia, da sociedade, antes que os interesses capitalistas se metessem e criassem outro monstro.

Eu cheguei a comentar que devíamos comemorar a situação. Achava ótimo uma crise que mostrasse que esse não é o modelo certo, que especular para acumular cada vez mais e mais não é uma coisa natural, não é saudável. E é injusto, causa desigualdade, exclui.

Aí a crise acalmou, leigos como eu achavam que as coisas estavam aos poucos voltando a ser o que eram, talvez um pouco melhores. Eis que vem essa crise europeia. Justo na Europa, que diziam estar mais forte que os Estados Unidos, apesar de também um tanto fragilizada. Parecia um cenário meio absurdo, mas tá, era óbvio que a grande crise não podia ter acabado assim, sem maiores danos ao sistema. Refletindo melhor, parecia lógico, então, que problemas estourassem de novo.

O menos lógico, o mais difícil de entender e o mais decepcionante é o remédio que estão dando. Quando a crise aparecia como uma oportunidade de rever conceitos, de criar alternativas, de esquerdizar a política, tratam-na com o remédio que a causou. A América Latina sai mais forte, é a menos afetada. Não é coincidência o grande número de governos de esquerda por aqui, não pode ser. Poderia ser um exemplo para o resto do mundo, para o Centro do mundo. Mas não. Injeta-se dinheiro na Grécia exigindo a mesma flexibilização que outrora causou problemas aqui quando o resto do mundo não os tinha. Na Inglaterra, faz-se uma coalizão bastante pendente para a direita, com um primeiro-ministro conservador.

No fim das contas, a América Latina mostrou-se mais inteligente na solução de uma crise que, embora não fosse extamente a mesma, chegou aqui uma década antes. Reagiu mudando, não deixando tudo igual. Além de manter tudo como está, continuar a exploração do trabalho e a desigualdade se aprofundar, fica a dúvida: até quando essas medidas seguram a bolha? A Europa vai acabar deixando a coisa estourar mais para frente. E aí talvez a força seja maior, e as consequências, mais incontroláveis.

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