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O Cais e a herança do Brasil Rural Contemporâneo

Em poucos minutos, sem muito esforço, diversas ideias surgiram. Nada mirabolante, caro demais ou impossível de pôr em prática. Elas vieram de uma angústia que surgiu durante a Feira Nacional da Agricultura Familiar | BRASIL RURAL CONTEMPORÂNEO, que aconteceu essa semana no Cais do Porto, em Porto Alegre. Uma angústia de observar um espaço sensacional e pensar que eu talvez não possa fazer nada para impedir que os gaúchos o percam.

Tinha que ver: o tempo ajudou a maior parte da feira, mas mesmo domingo, que o dia estava emburrado e o sol, envergonhado, decidiu se esconder, o Cais estava lotado até de noite. A estrutura principal da Feira, com as bancas de artesanato, gastronomia, degustação de vinho etc., estava dentro dos armazéns. Do lado de fora, a praça de alimentação, com o disputadíssimo acarajé servido por uma típica baiana. As únicas coisas que foram instaladas ali foram um estrado de madeira, algumas armações também de madeira e, igualmente de madeira, algumas mesas com guarda-sóis brancos.

Fico imaginando aquele espaço com barzinhos permanentes. Limpo, bem cuidado, algumas lojinhas, um espaço verde… Por que ainda não, deus do céu? Simples, se o Cais for revitalizado e se tornar um espaço efetivamente público, que a população aprecie, ela não vai querer deixar o governo entregar para a iniciativa privada. Nenhum dinheiro pode pagar um lugar daqueles. E ainda é possível aproveitar a herança da Feira e incentivar iniciativas de pequenas empresas, pequenos produtores. Bares com chope e cachaça artesanais, petiscos vindos de pequenas propriedades tocadas por famílias, em diversos pequenos estabelecimentos.

Olha toda a cadeia de beneficiados: o consumidor, com o aproveitamento do espaço (pode ser construída uma estrutura que isole o vento mas permita a vista) e os produtos bons e baratos; o comerciante, por ter a oportunidade de montar seu negócio em um lugar tão bacana; o produtor, que vai ter um meio de vender seus alimentos; e a sociedade, que vê a economia girar e incentiva o tipo de agricultura que mais produz, a familiar.

Continua…

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As fotos foram tiradas domingo, dia 16, lá pelas 20h.

  1. 18/05/2010 às 9:48

    Fui lá no sábado e pensei a mesma coisa… Um monte de barzinhos no Cais seria sensacional. Não precisa daqueles estúpidos prédios de 100m que querem construir lá, muito menos de estacionamento (para ter uma ideia, a minha mãe preveu a dificuldade de se estacionar lá, mas mesmo assim foi, de táxi).

    • 18/05/2010 às 10:57

      E olha, eu fui de carro e estacionei lá perto bem tranquilamente. Não tive muita dificuldade, não.

      • 18/05/2010 às 23:40

        Pra ver só como não precisa de estacionamento: o espaço que tem já basta.

  2. 19/05/2010 às 9:49

    Exato!

  1. 19/05/2010 às 20:52
  2. 19/05/2010 às 23:03

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