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O fim do Jornalismo B

Pelo menos, do jeitinho que ele era.

Dediquei dois anos e sete meses ao projeto, com a ideia de fazer o que pouco se vê tanto em mídia impressa quanto eletrônica: uma análise de imprensa séria e crítica, que não se rendesse à forma torpe de fazer jornalismo dos grandes meios de comunicação, mas, pelo contrário, a denunciasse. Foi uma parceria prolífica. Dei um salto em meu começo de carreira, mas mais do que isso, acredito, humildemente, que contribuí – contribuimos – para o debate.

Atingimos com o Jornalismo B um patamar que eu não imaginara no princípio. O crescimento era constante e intenso. Mas pessoas são pessoas, e em algum momento demonstramos nossas dificuldades, nossas fraquezas.

Gostaria de ter escrito um post de despedida no blog, em nome desses 31 meses de dedicação e em respeito aos leitores. Mas não tive a oportunidade de fazê-lo com liberdade. Foi em vão a tentativa de estabelecer um fim digno a um projeto coletivo, um projeto de duas pessoas, de onde saíssem dois novos projetos em igualdade de condições, sem que ninguém se apropriasse do trabalho alheio. Em poucos minutos me vi sem a nova senha de acesso ao WordPress, ao Twitter e ao Gmail (o vazio em que me vi comprova: o que seria de nós, jornalistas, hoje em dia sem essas ferramentas digitais?). Tendo que passar por um crivo, preferi não me submeter. Ok, sou orgulhosa (mas já disse que somos humanos e temos nossas fraquezas).

Então, preferi fazê-lo por aqui, mas mudo o tom. Não escrevo uma despedida, mas um texto de boas vindas. É um recomeço, ou, ainda mais, uma continuação. Do trabalho desenvolvido no Jornalismo B e do trabalho do Somos andando. Se não se viam muitos posts sobre mídia por aqui, é porque eles eram prioridade do Jornalismo B. Isso agora muda, e eles se juntam em importância aos de política, sociedade, meio ambiente… E com uma vantagem: maior liberdade editorial. De qualquer forma, fico feliz que meu último texto publicado por lá tenha sido uma homenagem ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. No mínimo emblemático.

O espaço do Jornalismo B continua lá, com outra postura, infelizmente. Ouvidos moucos.

Ainda bem que o espaço não limita as ideias. Convido a quem quiser participar de uma nova construção coletiva. Ela está em meu nome, mas aceita – e pede, quer, insiste, gosta – contribuições. Comentários, e-mails, críticas, textos, ideias, sugestões. Debate. Não mudei a esse respeito. Somos andando. Um coletivo em movimento.

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  1. 05/05/2010 às 10:22

    houve alguma divergência ideológica?

    bem, eu gosto de ler o que tu escreve e também o jornalismo B, embora não concorde com 50%. Entendo também a história do crivo editorial, da senha, pois já fiz parte de vários blogs coletivos, então me permita um pitaco.

    para mim, mesmo que o blog tenha uma linha editorial e uma coerência ideológica, a divergência saudável é fundamental, especialmente quando se fala de política. Todos os redatores do Jornalismo B têm uma linha ideológica esquerdista e muitas vezes petista, e ninguém vai sair defendendo o Reinaldo Azevedo. Ok. A partir daí, existem outras questões nas quais imagino que vocês discordem. Desde o espaço dado a determinada pauta até uma opinião sobre uma entrevista, p.ex.

    E aí, é importante que ambos tenham espaço e mesmo façam posts discordando um do outro. Desde que não seja sempre, isso é muito saudável, pq instiga o debate aos leitores e mostra que enfim, o blog é composto de seres humanos, não está hermeticamente fechado a nada. No Impedimento, o qual tenho a felicidade de colaborar, discordei e concordei abertamente inúmeras vezes com posts, quase sempre relativos à ideias.

    Desde que a discordância não seja canalha – “esse post não poderia entrar no blog”, por exemplo – isso sempre motivou os leitores a gostarem de ler, analisarem os argumentos e ter suas próprias opiniões.

    Se foi esse o motivo da tua saída do Jornalismo B – não sei – é triste pelo blog, porque não terá futuro no seu conceito de crítica à mídia, embora possa ter futuro com uma postura mais engajada em todas as bandeiras do PT ou da esquerda. Se não foi esse, se a decisão foi mais pessoal que qualquer coisa, melhor; sigam pensando bem a mídia e a política, mesmo que não do mesmo lado que eu o tempo todo.

    Grande abraço!

  2. Ismael
    05/05/2010 às 10:44

    Sucesso nesse novo estágio.

    Infelizmente não encontrei um texto que li faz algum tempo sobre como o ativismo e denúncia está ironicamente usando ferramentas que as ameaçam.

    Talvez o Sérgio Amadeu, que tem contato com os dois “mundos”, informática e ativismo digital, fosse a pessoa apropriada para falar sobre o assunto.

    Embora bem mais conveniente, é bem perigoso depender de blogs gratuitos.

    O twitter é muito bom, mas você depende de uma única empresa que pode ceder a pressões externas, ou seus interesses internos.

    Ou como no seu caso, de um desentendimento com um antigo parceiro.

    Importante ter sempre cópia privada de tudo que se faz.

  3. 05/05/2010 às 11:42

    De Vladek para seu filho Art: “Só conhecemos nossos verdadeiros amigos quando trancados em um quarto sem comida.”
    Se quiser um correspondente atuando numa “sucursal” carioca, à disposição.

  4. 05/05/2010 às 14:51

    Apoio incondicional à decisão, ao Somos Andando, com o desejo de muito sucesso nessa etapa dos teus projetos de vida. E parabéns pela força permanente de continuar trabalhando em tantas frentes, apesar dos compromissos que se tem pra sobreviver. Sei que todo esse trabalho vai refletir em muito aprendizado e numa análise e produção de conteúdo cada vez mais qualificada.

    Beijos!

  5. 05/05/2010 às 21:30

    Cris, boa sorte nesta nova fase. Continuarei acompanhando seus textos por aqui e posts no twitter. “Vamosandando” sempre pra frente.
    Abraços

  6. 06/05/2010 às 0:50

    Aceite nossa solidariedade, Cris.
    E os nossos votos de sucesso na carreira solo.

  7. 10/05/2010 às 11:02

    Luis Felipe, a questão não foi divergência ideológica, mas pessoal. Nenhum problema em trabalhar com pessoas com posição ideológica diferente. Aliás, não vou achar nunca quem pense igual a mim, e acho isso ótimo. Crescemos assim. Obrigada por acompanhar o Somos andando =)

    Ismael, Evandro, Nati, Ademar e Cloaca, muito obrigada. De coração.

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