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Uma outra cidade é possível, sim

Crescem prédios, elitizam-se espaços antes coletivos, cortam-se paisagens, as ruas enchem de carros. O ar fica impuro, a cidade oprime. Essa é a tendência que vemos, principalmente nas grandes cidades, pelo menos no Brasil. Torna-se fundamental discutir um modelo de cidade.

Esse que está se impondo revela uma inversão de valores que não é só urbana. É um modelo que coloca o lucro na frente das pessoas, o mercado antes do bem-estar. Parece heresia desperdiçar uma oportunidade de ganhar dinheiro, então investe-se. Para ganhar o máximo possível, sempre, senão é burrice.

Os custos disso são uma qualidade de vida cada vez pior, poluição, congestionamentos, utilização pouco democrática do espaço urbano.

Conversando com a advogada e coordenadora do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico Betânia Alfonsin, tive clareza de algumas coisas importantes, que vêm sendo discutidas por bastante gente nos últimos tempos. O Fórum Urbano Mundial e o Fórum Social Urbano, que aconteceram concomitantemente esse mês no Rio de Janeiro (o primeiro da ONU e o segundo em oposição ao primeiro), são prova dessa tendência. A questão principal é discutir uma cidade inclusiva, voltada para todos, que propicie uma vida saudável para seus habitantes.

Por vida saudável, entendo ter possibilidade de andar na rua sem medo, de se locomover de um lado a outro sem stress e no menor tempo possível, de respirar ar puro, enxergar a paisagem, ter parques. É não ser oprimido por prédios gigantescos e colados um no outro, que, não parece, mas nos sufocam, tiram a vontade de andar na rua. Vida saudável pressupõe transporte coletivo decente, ciclovia.

Tem que ter casa para todo o mundo, mas não se pode jogar os pobres para a periferia. A política habitacional não pode partir do pressuposto de que qualquer coisa é melhor que nada. As pessoas não são pobres porque querem, e tem os mesmos direitos de escolher onde morar que qualquer cidadão. Tudo bem, não podemos colocar todos em áreas nobres, a coisa tem que ser feita de forma organizada.

Mas tomando como exemplo o caso do terreno da Fase, fica clara a política que impera. Se a área for mesmo permutada ou alienada, os moradores dali vão acabar sendo expulsos, se a Justiça fechar os olhos, ou vão vender seu espaço por uma mixaria qualquer. Como resultado, vão acabar sendo transferidos para a periferia e percebendo, com o tempo, que foi um péssimo negócio. Dali, vão em 15 minutos pro Centro. Da Restinga, se vai em uma hora, por exemplo.

Continua…

  1. 13/04/2010 às 0:58

    O crescimento econômico recente do país, especialmente o crescimento do setor da construção civil, está causando um efeito que se os gestores das cidades – prefeitos e vereadores – não estiverem comprometidos com o bem comum será o da elitização de um lado e cada vez mais segregação de outros.

    Por isso é importante, antes de a gente eleger, conhecer o posicionamento político-ideológico desses gestores, e não só sua capacidade como administradores. Prefeito não é síndico de prédio, a gente tem que saber o que pensa da prática política porque é essa ideologia que vai nortear as decisões administrativas, definidoras do futuro das nossas cidades.

  1. 14/04/2010 às 20:50
  2. 15/04/2010 às 21:21

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